quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Ferreira do Amaral: “Vai-se chegar à conclusão que não será possível pedir mais sacrifícios aos portugueses”


O economista João Ferreira do Amaral antecipa que se atingirá um limite do esforço que pode ser exigido aos portugueses, criando um conflito entre a sustentabilidade social e as exigências de consolidação orçamental.
“Vai-se chegar à conclusão que não será possível pedir mais sacrifícios aos portugueses”, afirmou Ferreira do Amaral, durante a conferência de apresentação do relatório do Observatório sobre Crises e Alternativas, na Fundação Calouste Gulbenkian. “Como ainda estamos longe de atingir os objectivos de consolidação orçamental, parece-me existir um conflito” entre o equilíbrio social e orçamental.
“Enquanto tivermos uma dívida acima dos limites estaremos sob protectorado. A nossa soberania estará limitada durante décadas. É dizer que o País não terá sustentabilidade política durante anos”, acrescentou. Portugal está numa situação de insustentabilidade “a vários níveis” que “não tem muitos paralelos na nossa História”.
O economista refere que, perante essa insustentabilidade, “há sempre situações de ruptura”. “Uma economia distorcida, com uma moeda que continua a valorizar ao longo do tempo e uma dívida externa elevada não pode funcionar”, sublinhou.


 ***«»***
Os mesmos argumentos, que o economista Ferreira do Amaral esgrimiu, para fundamentar a sua oposição à adoção da moeda única, continuam válidos no momento em que cada vez mais se coloca a questão de Portugal regressar a uma moeda nacional, a fim de recuperar o seu poder monetário e cambial.
Já dissemos aqui, várias vezes, e repetimos. Ao aderir ao euro, Portugal fez a figura daquela criança que vestiu o casaco do pai. Ficava-lhe demasiado grande e sobravam mangas. Um país, como Portugal, com uma produtividade muito inferior à dos países que se tornaram os seus maiores parceiros comerciais, não poderia ser beneficiado no saldo das trocas de bens e serviços. Esse saldo só poderia ter-lhe sido favorável se tivesse uma moeda própria, com um valor ajustado à sua produtividade.
Este postulado é de uma evidência cristalina, em ciência económica, e eu só me admiro como muitas sumidades na matéria andam por aí a desmenti-lo. Só poderá ser por interesse pessoal ou de classe.
AC

2 comentários:

Sónia M. disse...

"Já dissemos aqui, várias vezes, e repetimos. Ao aderir ao euro, Portugal fez a figura daquela criança que vestiu o casaco do pai. Ficava-lhe demasiado grande e sobravam mangas." Ficou tudo dito, Alexandre.

Foram as decisões do passado, que nos trouxeram a este presente, insustentável. Se a raiz da árvore está podre, não podemos esperar que ela dê frutos. Arrancá-la e plantar ao lado uma nova, parece ser a melhor, se não a única, solução.

Um forte abraço

Sónia

Alexandre de Castro disse...

É isso mesmo, amiga Sónia.
Obrigado, pelo comentário.