quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

PCP diz que Governo vai "mais longe" que ditadura fascista com privatização dos CTT


O PCP acusou hoje o Governo de ir mais longe que a ditadura fascista no que à privatização dos CTT diz respeito, com os sociais-democratas a assinalarem que os CTT vão ser vendidos com uma valorização de 100% do seu capital.
"No que diz respeito aos CTT e ao serviço público postal, este Governo atreve-se a ir mais longe do que foi a própria ditadura fascista. Pela primeira vez em cinco séculos de história, os correios são entregues aos interesses privados dos grupos económicos", acusou o deputado comunista Bruno Dias em intervenção no parlamento.
O parlamentar criticou na sua intervenção o "obsceno espetáculo de enriquecimento de alguns à custa do empobrecimento de quase todos", num "processo verdadeiramente escandaloso de submissão total do interesse público, em que tudo vale para favorecer este vergonhoso negócio".
Na resposta, o deputado do PSD Luís Menezes, reconhecendo o "mar ideológico" que separa as posições dos sociais-democratas e dos comunistas, disse que o Estado receberá com esta venda "quase aquilo que receberia por 12 anos de dividendos futuros", ficando ainda com 30% do capital dos CTT.
O parlamentar "laranja", que registou a coerência do PCP sobre esta matéria, acusou o PS de "falta de vergonha" porque em todos os Programas de Estabilidade e Crescimento (PEC) dos socialistas estava inscrita "preto no branco a privatização dos CTT".
A venda das ações dos CTT - Correios de Portugal permitiu um encaixe de 579 milhões de euros, disse hoje o presidente executivo da empresa, Francisco Lacerda.

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Nesta notícia, sobre a privatização dos CTT, valioso património material e imaterial do país, ao serviço do bem público, assinalam-se bem as clivagens políticas e ideológicas existentes entre os três maiores partidos, e que traduzem as próprias clivagens da sociedade portuguesa.
Enquanto o PCP se opõe com determinação à privatização, pela simples razão de que a gestão privada de um bem público, ficando sujeita à lei do lucro, acaba por prejudicar o sentido social da prestação de serviços desse mesmo bem, e que, no caso vertente, se traduz no encerramento de centenas de postos de atendimento integrais nas zonas do território nacional, com menor densidade demográfica, prejudicando assim as populações mais isoladas, normalmente de escassos rendimentos, o PSD, pelo contrário, remete a sua parca argumentação para a narrativa da contabilidade de mercearia, vangloriando-se de que, com o encaixe da privatização, o Estado arrecadou, de uma assentada, doze anos de dividendos futuros. Esqueceu-se o deputado falante de que esse encaixe é irrepetível e que Portugal não acaba daqui por doze anos, sendo o ónus, nesta perspetiva financeira, atirado, mais uma vez, para as gerações futuras.
Já o Partido Socialista tem o que merece, e aí, o deputado laranja até tem razão, já que o Partido Socialista, que perdeu as suas matrizes ideológicas fundadoras, é sempre aquele partido que é e não é, que diz e não diz, que faz e não faz, debatendo-se eternamente com o seu shakespeariano conflito íntimo, do Ser ou não Ser, o que está a tolher-lhe a capacidade de iniciativa para se assumir como um verdadeiro partido de oposição.
AC

1 comentário:

O Puma disse...

Disseste tudo
Na verdade estão a desmantelar o país
a mim já me doi a alma