segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Economie de guerre au Portugal - Cristina Semblano *

 

Le Portugal est un pays exsangue. Le chômage officiel, qui approchait les 20%, a diminué ces deux derniers trimestres «à la faveur» d’une baisse de la population active. Celle-ci est le fruit d’une émigration de masse dont les flux atteignent, voire dépassent, ceux des années 60 qui avaient vu un grand exode des Portugais, fuyant la misère, la dictature et la guerre coloniale (1). La moitié des chômeurs ne bénéficie pas d’allocation chômage et on compte par milliers les exclus du revenu minimum d’insertion, des allocations familiales ou du complément social vieillesse. 

(1) On évalue à 120 000 le nombre de Portugais qui ont émigré en 2012, soit un exode de 10 000 personnes en moyenne par mois, sur une population de quelque 10,5 millions d’habitants.
Libération

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* Economiste, Enseigne l' Economie Portugaise à la Université de Paris - IV Sorbone 

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A ligeira queda da taxa de desemprego, durante este ano, que o governo e os seus acólitos têm utilizado como argumento para anunciar o início da retoma e assim pretenderem demonstrar o sucesso das suas políticas de austeridade, não passa de uma perigosa ilusão estatística, já que, em acumulado, nos dois últimos dois anos, o número de empregos extintos continua a ser muito superior ao número de empregos criados, tal como já foi referido aqui. Esta ligeira queda da taxa de desemrego deve-se à emigração em massa dos jovens (120 mil, em 2012!), grande parte deles, jovens qualificados, em quem a sociedade investiu, para agora irem contribuir para a criação de riqueza dos países de destino. Portugal acaba por ser um grande exportador de mão de obra. Trata-se da única promessa concretizada por Passos Coelho, promessa esta que estava implícita no seu apelo aos jovens para emigrarem. As outras promessas, aquelas que foram anunciadas na campanha eleitoral, já o vento as levou, e já nem ele se recorda de as ter feito.
Portugal está a caminho de completar o período do ajustamento previsto pelo Programa de Estabilidade Económica e Financeira da troika (Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu), e nenhum dos objetivos constantes no Memorando de Entendimento, assinado pelos partidos do arco da traição PS/PSD/CDS), vai ser cumprido, o que quer dizer que as políticas prosseguidas estavam erradas, tal como muitos de nós previmos em devido tempo. E esse erro monumental, de quem concebeu, aprovou e aplicou essas malsãs políticas de austeridade, vai ser pago, novamente, pela maioria dos portugueses, continuando os banqueiros, os causadores da crise financeira, a ficar imunes a qualquer sacrifício e a um qualquer castigo.  
Na realidade, Portugal está a viver numa economia de guerra, uma economia de guerra causada por uma guerra financeira, inspirada pelo novo imperialismo alemão e aplicada por um dos seus braços políticos, a União Europeia.
AC

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