quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Poema: Aviso número dois_ - por Maria Azenha


Aviso número dois_

Na sala há uma parede escarlate
Nessa parede está escondido o Führer
Alguns cidadãos são então levados
em fatos transparentes para fora de casa
outros arrastam blocos de pedra
contam as feridas em lascas de ferro
Há um lago de sangue quando o sol cega
onde os náufragos da hora se curam e afogam
às vezes fico com a frieza da guerra
sou um número fazendo pressão Contra a parede da sala
Somos cidadãos transparentes É certo
Apagaremos as nossas pegadas Até no  deserto

 © maria azenha

***«»***
Nota: Este seria o único poema que faria tremer a consciência do Führer… 
Maria Azenha tem o condão de construir ambientes, sem recorrer à descrição discursiva. Basta-lhe encontrar as palavras certas para a construção das suas eloquentes metáforas. Neste poema, sobressai o pesadelo do trabalho forçado e o da monstruosidade da guerra, através de palavras recorrentes e incisivas, que definem um cenário dantesco de dor e sofrimento, correspondendo assim, desta forma, à mais correta definição de poesia, em que o mais importante é sugestão implícita do que descrição explanativa. 

A "poeta" maria azenha colabora regularmente no Alpendre da Lua.

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