domingo, 30 de abril de 2017

O que é ser europeu? E como vai a grandeza da Pátria?


O que é ser europeu?

A propósito da minha publicação sobre o inquérito do Eurobarómetro, em que se pretendia medir o grau de aceitação, pelos cidadãos, dos conceitos da integração política, económica e financeira [a integração militar já vem a caminho], da Europa, uma amiga, a Helena Viegas interpelou-me, muito justamente, com a pergunta: O que é ser europeu?

Respondi assim:

Historicamente, a Europa sempre foi um continente de povos e nações. Ao longo dos séculos, nem sequer se criou uma língua comum. Cada povo europeu tem a sua língua e a sua própria identidade. O insucesso e o fracasso foram os resultados obtidos por Napoleão e por Hitler, quando pretenderam unificar a Europa, pela força. É impossível unificar a Europa.

Por outro lado, eu não sei em concreto o que é ser europeu, para além do conceito geográfico e dos efeitos de proximidade no processo histórico.

Ser europeu será ter sonhos eróticos com a senhora Merkel? É ter vontade de contratar, a recibos verdes, o presidente francês, François Holland, para uma parelha de palhaços de circo?

Eu não sei, querida amiga, o que é ser europeu. Francamente, não sei. Apenas sei que sou português, por nascimento e por cultura, cultura que não renego, e que a UE é uma grande burla, tão maligna como a burla das religiões, a cargo de eclesiásticos sem escrúpulos, incluindo os Papas.

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E assim vai a grandeza da Pátria

Também sei que o nosso futuro não é a Europa política e económica, que está a ser construída, e que de ideia falhada passou à condição de facto histórico falhado, isto na persctiva que deveria ser a dos países pobres europeus, porque na visão dos seus pioneiros (Plano Shuman) havia a intenção de formar um mercado único europeu, iniciado por um mercado único europeu do carvão e do aço, ocultamente protegido da livre concorrência das economias dos EUA e da Grã-Bretanha, e que servisse de âncora às economias da França e da Alemanha, e, subsidiariamente, às economias da Bélgica, do Luxemburgo, da Holanda e da Itália, a que se seguiu a constituição da Comunidade Económica Europeia, que começou a integrar os restantes países europeus, menos desenvolvidos.

O objectivo foi sempre a economia. Para dinamizarem as compras às indústrias pesadas dos países ricos, foi necessário avançar com os fundos europeus, para os quais todos os países membros contribuíam e todos os países recebiam, de acordo com a proporcionalidade da sua riqueza. Os grandes beneficiários foram os países ricos, que condicionaram o mercado e adaptaram as ajudas comunitárias aos perfis das suas economias, que tiveram, assim, um grande impulso.

Ganha a frente comercial, baseada nos factores produtivos (indústria pesada e indústria ligeira), e para ganharem novas mais-valias, a Alemanha e a França abriram uma nova frente de negócio, a frente financeira, baseada na especulação imobiliária, e tudo isto em nome da solidariedade europeia. Os bancos desses dois países hegemónicos começaram a aliciar os bancos dos países da periferia, onde estava Portugal, para dinamizarem nos seus países, através de empréstimos aos potenciais clientes (a classe média), a juros baixos, o mercado da compra de habitação própria. Aparentemente, foi um sucesso. Nunca os países do sul tiveram tanto dinheiro. Nos arredores das grandes cidaddes, as casas cresceram como cogumelos e novos bairros surgiam, a ilustrar os benefícios da Europa unida e fraterna. Para o cidadão-tipo, incorporado na classe média renovada, ter casa própria era um sonho de uma vida e de um projecto. E assim se compreende a sucessão de governos, religiosamente adeptos do europeísmo. Pudera! O dinheiro era tanto que até dava para os operadores da pujante indústria da construção civil - que, num ápice, apareceram a construir casas, auto-estradas, estradas, pontes e até dois estádios, que não servem para nada – corromperem autarcas, funcionários superiores dos ministérios, ministros e até, segundo se julga, um primeiro-ministro.

O pior veio depois. Um cenário previsível para a alta finança e para os governantes da época, os dos países credores e os dos países devedores, que, agora, não podem reclamar a sua inocência. Bastava-lhas ter ouvido os avisos constantes do PCP e de muitos economistas, de consciência honesta, para terem procedido com moderação, na forma como o país estava a endividar-se.

O que veio a seguir já é recente, e seria redundante estar a qui a fazer-lhe uma referência: uma crise profunda, o espectro da bancarrota, a bárbara assistência técnica da troika, com o seu modelo clássico de cortar nos rendimentos do trabalho para salvar os rendimentos do capital, a falência financeira das famílias, que ficaram sem casa e sem o dinheiro das amortizações, já efectuadas, o aumento do desemprego, principalmente o desemprego dos mais jovens, que ficarão conhecidos na História como membros da Geração Perdida, aumento vertiginoso da criminalidade, devido à pobreza, empobrecimento dos pensionistas e reformados, que viram os seus subsídios diminuídos, por ordem da troika, que o PS, PSD e CDS aclamaram como salvadora da Pátria, cortes no Serviço Nacional de Saúde e na Educação, etc…etc…etc…

E assim vai a grandeza da Pátria…

Alexandre de Castro  
2017 04 

3 comentários:

Alexandre de Castro disse...

É necessário dizer que a missão da troika era propor (impor) medidas ao governo português, para resolver o problema da dívida. A troika já se foi embora, há três anos, e a dívida está na mesma.
Brincamos ou quê?

Rogerio G. V. Pereira disse...

Isso!

Alexandre de Castro disse...

Abraço, Rogerio Pereira.