domingo, 6 de março de 2011

O Cortejo Histórico de Lisboa em 1947 (CML)

Amabilidade do João Fráguas, que enviou este vídeo
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Se a Exposição do Mundo Português, realizada sete anos antes, serviu os interesses do regime para impor o seu modelo de arquitectura e de explicitar a sua visão grandiosa sobre o Império, o cortejo histórico para comemorar os 800 anos da conquista de Lisboa, que desfilou com toda a imponência pela avenida da Liberdade, em 1947, perante a "veneranda figura do Presidente da República, o general Carmona, e da do ilustre Presidente do Conselho, Dr. Oliveira Salazar", serviu para prosseguir a tarefa de reescrever a História, tarefa já iniciada e posta em marcha através da adopção dos novos e anacrónicos manuais escolares, onde se fazia sobressair os valores patrioteiros de um nacionalismo exacerbado, ao mesmo tempo que se enaltecia o heroísmo e a grandeza dos feitos de antanho, ignorando as suas misérias, e descontextualizando o discurso histórico. Era como se a história só fosse feita pelos reis e pelos chefes ou por figuras proeminentes das elites, visão interpretativa da História que se encaixava no pensamento político de Salazar, onde uns estavam predestinados para mandar e a maioria tinha de contentar-se em obedecer.