sexta-feira, 11 de março de 2011

Notas do meu rodapé: Vai começar o verdadeiro calvário de José Sócrates e do país...

José Sócrates começa a jogar hoje o seu futuro como primeiro-ministro
O futuro imediato de Portugal, e possivelmente do Governo, vai estar em jogo a partir de hoje na primeira de várias reuniões europeias ao mais alto nível consagradas à definição de uma muito esperada resposta "abrangente" à crise da dívida soberana.
PÚBLICO
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No início deste mês, o presidente do banco central alemão, Axel Weber, reafirmou ao jornal Frankfurter Allgemeine a sua oposição à compra de obrigações de dívida soberana aos países da zona euro, ou a redução de taxas de juro nos apoios aos países em dificuldades financeiras, quer através do actual Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), quer através do seu sucedâneo, o Mecanismo de Estabilidade Europeu (MEP), que ainda está a ser negociado, e que entrará em vigor em 2013. O argumento avançado para esta recusa fundamenta-se no perigo de, com estas facilidades, se reduzir os incentivos para a aplicação de políticas fiscais sólidas.
Dias antes, foi a vez de Wolfang Schaeuble, o ministro das Finanças da Alemanha, se pronunciar no mesmo sentido. Schaeuble rejeita os apelos para que sejam fixadas condições mais favoráveis aos países da Zona Euro, que recorram à ajuda do FEEF e do FMI para se financiarem. Schaeuble defendeu mesmo a aplicação de taxas de juro mais elevadas para os países que sejam resgatados, como aconteceu com a Grécia e a Irlanda.
Angela Merkel não poderá hoje, na reunião dos países do clube do euro, desautorizar a voz destes dois pesos pesados da cena política do seu país, até porque sabe, que que a maioria da opinião pública alemã manifesta a sua oposição às ajudas aos países do sul da Europa. Por outro lado, a chanceler sabe também que os bancos alemães são aqueles que estão mais expostos às dívidas soberanas desses países, principalmente, a de Portugal.
No entanto, existem mais dois problemas importantes, que são um verdadeiro quebra-cabeças para Angela Merkel e para os dirigentes europeus. Por um lado, se fosse tomada uma decisão que favorecesse as pretensões de José Sócrates, imediatamente a Irlanda e a Grécia viriam a exigir a igualdade de tratamento, o que agravaria a situação. Por outro lado, se a Portugal fosse concedida uma maior flexibilidade das condições de acesso ao FEEF, sem a intromissão do FMI, como o primeiro-ministro português pretende, em caso da ocorrência de um fracasso ao nível orçamental, a situação da Espanha complicar-se-ia, já que os bancos espanhóis também estão muito expostos à dívida portuguesa, e conceder uma ajuda à Espanha, a quarta maior economia europeia, exigiria maiores dotações financeiras dos países europeus para o FEEF, coisa de que nenhum primeiro-ministro quer ouvir falar.
O clima psicológico instalado não é muito favorável a Portugal. Mesmo que, como é costume nestas magnas reuniões da UE, saia uma declaração ambígua, que permita a José Sócrates declarar uma vitória de Pirro, as agências de rating se encarregarão, na avaliação programada para o final deste mês, de lhe cortar o pio.

1 comentário:

Maria José Meireles disse...

Pitágoras, Ademar Santos e Jesus Cristo merecem todos a minha estima pela sabedoria e coragem que demonstraram.
No entanto, a comparação de José Sócrates com Cristo parece-me... estranha.