terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Centro de dia da câmara de Lisboa abandonado e vandalizado

Fotografia do PÚBLICO
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As portas e montras de vidro de um prédio de cinco pisos acabado de construir há vários anos e abandonado pela Câmara de Lisboa na Rua de Ferreira Borges, em Campo de Ourique, foram partidas na semana passada, havendo sinais de que a vandalização alastrou ao interior do edifício. O imóvel, erguido no local onde se situava a esquadra da PSP do bairro, custou pelo menos 894 mil euros (valor da adjudicação da empreitada) e destinava-se a acolher um equipamento social, com valências para crianças e idosos.
PÚBLICO
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O que esta reportagem de José António Cerejo, um dos melhores especialistas do país em jornalismo de investigação, evidencia - no que respeita às manifestações da mais absoluta irresponsabilidade, desleixo e incúria dos políticos na administração da coisa pública - pode ser generalizado ao conjunto de todo o aparelho de Estado. Minado por uma burocracia paralisante e absurda e pela disseminação e sedimentação de uma cultura de irresponsabilidade e impunidade, a que se junta o pântano da corrupção, do nepotismo e do oportunismo, o Estado começa a ficar cada vez mais afastado das necessidades dos cidadãos.
E o mais caricato desta situação particular, onde é evidente o desnorte do poder municipal da autarquia da capital, é o recurso ao carrossel do passa-culpas, ao ponto de se assistir com um inesperado espanto, a esconder uma justificável indignação, à declaração conformista do vereador do pelouro da Acção Social, a confessar que as suas funções, na prática, se encontram esvaziadas, tendo sido cooptadas pelo "senhor presidente", o que nos leva a perguntar o que é ele está lá a fazer.