quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Milagre atribuído a João Paulo II foi validado


Uma comissão médica validou esta terça-feira um suposto milagre atribuído ao anterior Papa João Paulo II, o que poderá contribuir para fazer avançar o seu processo de beatificação.
A comissão médica, liderada pelo médico particular do actual Papa Bento XVI, Patrizio Polisca, considerou válido o milagre que poderá fazer avançar o processo de beatificação e que estará relacionado com a recuperação da monja francesa Marie Simon-Pierre, que se terá curado da doença de Parkinson depois de ter rezado e pedido ajuda a João Paulo II nos meses após a sua morte, a 2 de Abril de 2005.
PÚBLICO
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A Santa Sé vive dos rendimentos de duas fábricas, que se encontram em laboração contínua: a fábrica dos milagres, no Vaticano, onde cobra receitas espirituais, e a fábrica da cera para velas, no Santuário de Fátima, que, juntamente com as esmolas dos peregrinos e as doações de alguns fiéis mais endinheirados, lhe garante elevadas receitas financeiras, para alimentar o fausto da corte imperial do papa (Cúria Romana).
Agora, a sorte bafejou o anterior papa, João Paulo II, que supostamente intermediou o milagre da cura completa de uma monja francesa, que sofria da doença de Parkinson, cura esta, validada clinicamente pelo médico particular do actual papa, Bento XVI.
Ainda dizem que santos da casa não fazem milagres!...
Com esta urgência de fabricar milagres em série, procurando ganhar economia de escala e aumentar a competitividade, a Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) arrisca-se, daqui a 100 anos, a ter mais santos do que fiéis. O que será uma tragédia, pois os santos necessitam de quem se ajoelhe a seus pés, para orar, gesto este que apenas os fiéis se dispõem a executar.
A ICAR reclama para si um grande rigor na avaliação dos milagres, cujos processos, em alguns casos, demoram anos a concluir, embora recuse qualquer avaliação clínica, efectuada por entidades externas, idóneas e independentes.
Para já, João Paulo II apenas vai ser beatificado. Para ser santificado, necessita de mais um milagre no currículo. A D. Guilhermina de Jesus, de Ourém, pessoa que eu já conheço, e que foi beneficiada por um milagre, intermediado pelo Condestável, D. Nuno Álvares Pereira, de certeza que não regateará a exposição do outro olho aos "salpicos do óleo da fritura do peixe"*, para que o espírito de João Paulo II possa devolver-lhe a visão, se, por acaso, ela a perder, tal com perdeu outras coisas na vida. Com o treino já adquirido no milagre anterior, D. Guilhermina não deixará ficar mal a Santa Madre Igreja.
* "salpicos do óleo da fritura do peixe"- expressão roubada ao Carlos Esperança, do blogue Ponte Europa.

1 comentário:

Joao Mota disse...

A propósito das aparições da Virgem Maria, consideradas um milagre, transcrevo o seguinte texto:

"Motivos possíveis para se inventarem e aceitarem histórias deste género não são difíceis de encontrar: trabalho para padres, notários, carpinteiros e mercadores e outros incentivos para a economia regional num período de depressão; aumento do estatuto social da testemunha e da sua família; orações mais uma vez oferecidas para parentes sepultados em cemitérios mais tarde abandonados devido à peste, à seca e à guerra; congregrar o espírito público contra inimigos, especialmente Mouros; melhorar a urbanidade e a obediência à lei canónica e confirmar a fé nos crentes. O fervor dos peregrinos que acorriam a esses santuários era impressionante e era frequente raspas de rocha ou de terra desses lugares santos serem misturados com água e bebidos como medicamento. Mas não estou a sugerir que a maioria das testemunhas inventavam toda a história. Passava-se mais qualquer coisa.

Quase todas as exigências feitas por Maria eram extraordinariamente prosaicas - por exemplo, nesta aparição na Catalunha em 1483:

Incumbo-te pela tua alma de incumbires as almas das paróquias de El Torn, Milleras, El Salent e Sant Miquel de Campmaior de incumbirem as almas dos padres de pedirem às pessoas que paguem as dízimas e todos os tributos da Igreja e que restituam outras coisas que guardaram secretamente ou às claras e que não são suas de direito, no prazo de trinta dias, pois tal será necessário, e que observem bem o santo domingo.

Em segundo lugar, devem cessar e desistir de blasfemar e devem pagar a charitas habitual determinada pelos seus antepassados mortos."

Carl Sagan, "Um Mundo Infestado de Demónios", Gradiva, 1998, p.149