sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

PS: 80% não votou Alegre


Nunca o voto do eleitorado socialista se terá fragmentado tanto e em tantas direcções como nas presidenciais do passado domingo.
Manuel Alegre era o candidato oficial do PS, mas a contragosto de muitos socialistas, que não lhe perdoam a colagem dos últimos anos à esquerda radical e às teses do Bloco de Esquerda, a rebeldia antipartido do seu avanço contra Mário Soares em 2006 ou as críticas recorrentes à governação de Sócrates.
De acordo com o modelo de transferência de voto assente em matrizes a nível distrital, Alegre não terá captado mais de 1/5 dos eleitores socialistas (cerca de 405 mil dos mais de 2 milhões obtidos pelo PS nas últimas legislativas, de Setembro de 2009 - quase tantos como os 380 mil que terá ido buscar ao eleitorado do BE...).
Semanário SOL
***
Manuel Alegre pagou caro a sua rebeldia. Mário Soares montou-lhe a armadilha e José Sócrates acabou por lhe fazer a cama. Quer um, quer outro, são ardilosos na vingança e não perdoam a ousadia de quem os afronta. Foi deprimente ver Manuel Alegre praticamente sozinho, na noite eleitoral. Os seus amigos socialistas abandonaram-o; Maria Belém, por dever de ofício, ficou, embora, já antes, na conferência de imprensa em que anunciou a derrota do candidato, tivesse exibido o ar mais distante e descontraído do mundo, como a dizer que aquilo não era nada com ela. Francisco Louçã, que já aprendeu todas as manhas dos políticos, apareceu no fim do velório. Passou à margem da derrota. Ninguém referiu a derrota do BE, e, para Louçã, isso já foi uma meia vitória, porque o derrotado foi o Manuel Alegre.
http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=10261