quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Redução de inscritos pode indiciar “inversão de tendências”, diz o Governo

O secretário de Estado do Emprego, Valter Lemos, considerou hoje que a redução de desempregados inscritos em Janeiro nos centros de emprego “poderá ser o indício de uma inversão de tendências”, mas aconselhou moderação na análise dos números. O secretário de Estado comentava os números hoje divulgados pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), segundo os quais o número de desempregados inscritos nos Centros de Emprego caiu 0,5 por cento em Janeiro, face ao período homólogo de 2010, abrangendo 557.244 pessoas.
PÚBLICO
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No meio do gigantesco drama do desemprego, um secretário de Estado agarra-se desesperadamente a umas insignificantes cinco décimas, respeitantes a uma descida do número de desempregados inscritos nos Centros de Emprego e Formação Social no mês de Janeiro, para, a partir daí, tirar conclusões precipitadas sobre inversões de tendências, em que nem ele próprio acredita. Receio bem que Valter Lemos, um autêntico Einstein das ciências de Educação, que ficou célebre por inventar a fórmula matemática* do índice de dificuldade e de discriminação de cada item de uma grelha de avaliação do aluno, proposta por si, num livro que publicou, e que provocou uma gargalhada geral no meio académico, ainda venha a inventar uma fórmula mágica para calcular a taxa de desemprego e que já exclua o número de desempregados que se calcula que venham a morrer nos próximos cinco anos, e que, por isso mesmo, já não devem contar para o totobola.
Valter Lemos, no seu pensamento tortuoso, procura iludir uma realidade que é conhecida, e que consiste na manobra burocrática de tentar subtilmente influenciar os desempregados, que acabam o período do subsídio de desemprego, a deixarem cair a sua inscrição. Basta o facto do desempregado se esquecer de devolver o impresso, que o centro de emprego diligentemente lhe envia pelo correio, a perguntar se pretende manter-se inscrito como desempregado, para que o seu nome seja abatido na lista dos desempregados.
Por outro lado, o item número de desempregados inscritos nos centros de emprego não é fiável, a tal ponto que é ignorado, nas suas estatísticas sobre o desemprego, pelo INE e pelo Banco de Portugal.
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* No seu livro "O Critério do Sucesso: Técnicas de Avaliação da Aprendizagem", Valter Lemos propõe, para calcular o "índice de dificuldade e o de discriminação", a fórmula Df= (M+P):N, em que Df significa grau de dificuldade, N o número total de alunos de ambos os grupos, M o número de alunos do grupo melhor que responderam erradamente e P o número de alunos do grupo pior que responderam erradamente. Se também nos detivermos no pensamento, expresso em epígrafe, naquele livro, em que Valter Lemos escreve "Quem mais conhece melhor ama.", teremos de concluir que Portugal vai ter mais um Nobel.

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