sábado, 12 de fevereiro de 2011

Foi lindo! Foi mesmo muito lindo!...


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Conquistou-se a Liberdade! Falta conquistar a Democracia!...
Foi lindo! Foi mesmo muito lindo! Senti novamente aquele frémito a eriçar-me a pele e aquele nó a apertar-me a garganta, por também sentir aquele grito de liberdade de um povo que não se resignou às amarras do despotismo e da servidão. Foi uma revolução exemplar, tal como aquela que nasceu naquela madrugada redentora, com os cravos a florirem nos canos das espingardas. Se o 25 de Abril, por ricochete, fez cair as ditaduras militares que ainda subsistiam na Europa e na América Latina, demonstrando que as Forças Armadas podem ser libertadoras, também no Egipto se mostrou ao mundo que o povo unido jamais será vencido. E no Egipto, foi o povo, o povo apenas, que fez a revolução, uma revolução pela Liberdade, sem ideologia e sem religião. Simplesmente a Liberdade. Aquela gigantesca mole humana - a mover-se em uníssono, a crescer dia após dia, numa sedução irresistível ao encantamento, como se fosse um rio, o mítico rio Nilo, a transbordar das margens para engravidar a terra, para que a semente da liberdade crescesse nas praças e nas ruas – emocionou o mundo até às lágrimas.
É possível! É possível conquistar a Liberdade, disseram os egípcios. É possível derrubar os ditadores, onde quer que eles se encontrem, mesmo que disfarçados por democracias plastificadas. É possível mover a Terra! É possível reescrever a História! É possível conquistar a Bastilha!
Agora, falta conquistar a Democracia. E aí, os lobos já estão à espreita.