segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Desempregados com "canudo" crescem mais do que com o básico


Jovens com menos de 35 anos, uma maioria de mulheres, na maior parte dos casos à espera de colocação há menos de um ano. Em Junho de 2010 havia cerca de 43 mil diplomados inscritos no centro de emprego - mais 15 por cento do que um ano antes. E é este o seu retrato. Continuam a ser uma pequena fatia do universo dos que não têm trabalho (oito por cento). Mas o número de desempregados com um curso superior aumentou. E a um ritmo maior do que o registado no desemprego em geral, que subiu 12 por cento, segundo um relatório do Ministério da Ciência e Ensino Superior divulgado esta semana.
O levantamento, que tem como título A procura do emprego dos diplomados com habilitação superior, é feito semestralmente, desde 2008. Baseia-se nas inscrições dos candidatos a emprego, registadas pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional, e na informação fornecida anualmente pelas instituições de ensino. Mostra apenas uma parte da realidade do desemprego, já que, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), cujos cálculos são feitos com outra metodologia (com base nos inquéritos às famílias), o universo é bem maior. No terceiro trimestre de 2010, do total de 609 mil desempregados, 11,2 por cento tinham concluído um curso superior: eram 68,5 mil, segundo o INE, mais 6,5 por cento do que no ano anterior.
PÚBLICO
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Se existe um sector, em Portugal, onde se verifica que o mercado não tem plena capacidade de, automaticamente, se auto-regular, esse sector é o do ensino superior, que não consegue coordenar a sua oferta com as necessidades de médio prazo do mercado de trabalho e da economia. E ainda ninguém fez as contas aos prejuízos que isso provoca à economia nacional, pois trata-se de um desperdício, quando se gasta dinheiro (das famílias e/ou do Estado) com a formação de um diplomado e esse diplomado não encontra um emprego compatível com a sua formação superior e é obrigado a trabalhar numa actividade, em que essa formação não é necessária.
Os casos mais gritantes de desfasamento entre a oferta de cursos superiores e a oferta do mercado de trabalho, encontram-se ao nível dos cursos de Medicina e de Direito. Em Medicina, por força dos lobbies, existe pouca oferta da parte das respectivas faculdades e muita procura, não satisfeita, por parte do mercado. Em Direito, ocorre precisamente o contrário. Em cada esquina tropeçamos com um licenciado em Direito, enquanto o país se está a ressentir da falta de médicos de família, que constituem a espinha dorsal do Serviço Nacional de Saúde. E o Estado, que há bastantes anos se defronta com este magno problema, mostra-se incapaz de o resolver, abdicando escandalosamente da sua função reguladora. Com esta anarquia, perdem os alunos, perdem as famílias e perde a sociedade. As admissões às universidades e aos institutos politécnicos deveria obedecer a um planeamento nacional, da responsabilidade da tutela, que procuraria, através do numerus clausus, e em coordenação com os outros ministérios e com as associações empresariais, adaptar o número de vagas às necessidades a médio prazo da economia e não apenas em relação à capacidade de cada instituição de ensino superior.
http://www.publico.pt/Educação/desempregados-com-canudo-crescem-mais-do-que-com-o-basico_1480045

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