sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Igreja católica e futebolistas com o dinheiro a arder no BPP


IGREJA PEDE MAIS DE QUATRO MILHÕES
Várias instituições ligadas à Igreja reclamam junto da comissão liquidatária do BPP um valor acima dos quatro milhões de euros. Segundo a lista de credores, quatro únicas entidades reclamam 4 143 515,97 euros. A Celestial Ordem Terceira da Santíssima Trindade alega ter em falta 1 171 970,91, contudo, a comissão liquidatária entende que os respectivos créditos totalizam só 845 743,52 euros.
Da mesma forma, os Missionários Combonianos Coração de Jesus reclamam 2 249 728,57 euros, apesar de os créditos contabilizados dizerem respeito a apenas 1 351 953,92. Por sua vez, o Seminário Diocesano de Leiria queixa-se de ter em falta 381 971,1 euros quando a comissão liquidatária lhe atribui 208 739,74. Já o Secretariado dos Pastorinhos – entidade ligada à Igreja, cujo objectivo é a canonização de Francisco e Jacinta Marto – reclama 339 845,39 euros, tendo direito a apenas 320 428,16.
Correio da Manhã
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Que os homens da bola, cujos neurónios migraram para as pernas, tenham os tiques do novo-riquismo, não me causa nenhum espanto. Na realidade, alguns futebolistas preenchem as duas principais características do perfil do novo-riquismo: são ricos, porque ganham milhões à custa da saloiice dos papalvos que os idolatram, e são analfabetos funcionais, como se pode constatar nas suas intervenções televisivas. Agora a igreja católica, uma instituição consagrada à propagação da Fé e destinada a iluminar aos crentes os caminhos da salvação, a querer operar o milagre da multiplicação do dinheiro dos ingénuos fiéis, que não lhe regateiam esmolas e donativos, é que me espanta e escandaliza. É certo que a promiscuidade da igreja católica com o mundo obscuro do dinheiro sujo já é antiga, e para sustentar a verdade de tal afirmação basta recordar o escândalo do Banco Ambrosiano, em Itália, e da ligação do arcebispo Paul Marcinkus, enquanto presidente do Banco do Vaticano, ao mundo da Mafia e da loja maçónica P2, para se chegar à conclusão de que a igreja católica comporta-se como se fosse uma grande empresa multinacional. Mas eu, talvez ingenuamente, julgava que os estragos ao nível da sua credibilidade, provocados por aquele escândalo, a tivessem obrigado a abandonar tal comportamento. Mas não! A sede de fazer render o dinheiro das esmolas, que em Fátima atingem valores astronómicos, levou a igreja católica a alinhar com o Diabo no mundo da especulação financeira.
Eu não sei se o Secretariado dos Pastorinhos, ao arriscar perder cerca de 340 milhões de euros, não poderá comprometer a canonização de Francisco e Jacinta Marto. Neste caso, talvez deus tivesse escrito direito por linhas tortas. Também sei que tenho actuado correctamente ao deitar para o caixote do lixo a amável carta que, todos os anos, pelo Natal, os Missionários Cambonianos me enviam, a desejar as Boas-Festas, acompanhada por um envelope RSF destinado a enviar um donativo. Mas agora também já sei que a igreja católica fez uma profissão de fé com a farisaica agiotagem lusitana.