sábado, 4 de dezembro de 2010

São sempre os trabalhadores a pagar as crises!...

Governo espanhol declara "estado de alarme"
Reunido de urgência, o Conselho de Ministros espanhol acaba de declarar o Estado de Alarme em Espanha devido à greve selvagem dos controladores aéreos. Com esta declaração os profissionais que controlam o espaço aéreo incorrem em penas de prisão que podem ir entre os 8 aos 15 anos caso não regressem ao trabalho.
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A gota que entornou o copo
Estes controladores abandonaram os seus postos de trabalho na sexta-feira ao fim da tarde alegadamente para protestar contra uma medida adoptada pelo Governo de Espanha em Conselho de Ministros estabelecendo as 1.670 horas anuais de trabalho para estes profissionais.
A medida integra-se num pacote legislativo e económico que visa preparar a companhia de bandeira espanhola para a privatização.
“A falta de pessoal que nós sempre denunciámos é evidente”, declarou o porta-voz do sindicato dos controladores aéreos, David Zamit, explicando que o estabelecimento das 1670 horas anuais impedia por exemplo estes profissionais de poderem usufruir das ausências por paternidade ou por doença nas suas horas de trabalho.
“Nós atingimos mentalmente o nosso limite com este novo decreto que nos obriga a trabalhar mais horas” explica um outro porta-voz, Jorge Ontiveros.
RTP
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É certo que a greve dos controladores aéreos espanhóis, desencadeada ontem, espontâneamente, mal foi conhecida a decisão do governo em aumentar a a carga horária de trabalho, sem qualquer contrapartida remuneratória, é ilegal, já que não foram cumpridos os preceitos legais em relação ao pré-aviso de greve. Também já vi escrito algures, que se tratava de uma greve selvagem. Mas eu pergunto se a imoralidade não se encontra a montante, precisamente ao nível do governo, que, com esta medida injusta, tenta criar condições mais atractivas para a já anunciada privatização da AENA, a gestora aeroportuária espanhola, e de alguns sectores da Ibéria. Perante a falta de controladores, devido ao congelamento de novas admissões, o governo de Zapatero quer fazer recair sobre aqueles profissionais, violando os seus direitos laborais, o ónus da optimização dos resultados financeiros da empresa.
Nada que já não tenha ocorrido em Portugal, e que ocorre, actualmente, nos CTT, que o governo pretende privatizar, desfazendo-se de um património material e institucional de elevado valor.