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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Desmantelan Radio Globo y Canal 36 de Honduras despues de tres meses del Golpe de Estado


Nas noites das Honduras não brilham as estrelas. Só as luzes das patrulhas e o sangue dos que caem nas mãos da matilha uniformizada. Botas e mais botas nas ruas, nas costas, nos rostos dos hondurenhos. E apesar do terror, que a cada noite semeia a ditadura, não há medo. A resistência continua.
Angel Palacios

Do Comité de Familiares de Detenidos Desaparecidos en Honduras (COFADEH)
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Começam a chegar notícias aterradoras das Honduras. Deliberadamente, a polícia e o Exército, ao serviço e a mando dos golpistas, que derrubaram o presidente eleito, não conseguindo deter a vaga de protestos dos hondurenhos, que se manifestam diariamente nas ruas, iniciaram uma nova estratégia de intimidação, lançando, a coberto da noite, o pânico entre a população, principalmente a que reside nos subúrbios das grandes cidades. Disparam sobre os prédios, assaltam casas de activistas, prendem pessoas, que agridem selvaticamente, abandonando-as depois. Outros cidadãos desaparecem misteriosamente, depois de serem presos, ressuscitando, assim, o espectro da ditadura de Pinochet e as dos sanguinários generais argentinos e brasileiros, todos eles apoiados pelos Estados Unidos, no derrube de regimes democráticos e na implantação de regimes fascistas, nos seus respectivos países.
Aos jornalistas, que aparecem para cobrir esses acontecimentos, as forças policiais hondurenhas confiscam-lhes todo o material de gravação, para que as imagens da violência desabrida, exercida sobre os cidadãos, não possam alimentar os noticiários das televisões internacionais. Para não manchar o estado de graça de Barack Obama, que apenas timidamente condenou o derrube do presidente eleito, e não comprometer a CIA, que inspirou e apoiou o golpe, o presidente usurpador, Micheletti, procura esconder dos olhos do mundo a violência sanguinária, que despoletou sobre o povo hondurenho.
E Angel Palacios, que citámos no preâmbulo deste comentário, deixa, no seu relato sobre o terror que se abateu sobre o povo das Honduras, o seu dramático apelo à solidariedade militante de todos os povos, tal como se transcreve:
" As organizações de direitos humanos e advogados solidários fazem um trabalho incansável para atender as vítimas, para acompanhar as denúncias, para efectuar registos. Mas não têm recursos. Não contam com o mínimo. Não têm como encher o reservatório de gasolina para se deslocarem aos lugares, não têm saldo nos telefones para efectuar as chamadas necessárias. E ainda assim fazem magia para defender os direitos dos seus compatriotas. Levam 90 dias fazendo magia e é muito o que conseguem. A sede da COFADEH está a toda hora cheia de gente que vai denunciar os atropelos vividos, e cheia também de gente que vai apoiar o seu trabalho. Muitos e muitas dirigentes destas organizações de direitos humanos foram perseguidos, encarcerados para tentar calá-los. Apesar das dificuldades continuam a ser o único lugar aonde acudir para buscar refúgio diante da repressão. É urgente a solidariedade povo a povo, que os organismos de direitos humanos de outros países, que os comités de solidariedade de outros países se ponham em contacto com eles e os apoiem, divulguem as suas denúncias, enviem apoio a essas organizações que em Honduras lutam contra o Terror da Ditadura".

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