quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Um Poema ao Acaso: VIVAMOS, LÉSBIA MINHA; E AMEMO-NOS


VIVAMOS, LÉSBIA MINHA, E AMEMO-NOS

Vivamos, Lésbia minha, e amemo-nos,
E os murmúrios dos velhos mais ressabiados
Consideremo-los todos como um simples tostão.
Os dias podem morrer e nascer,
Mas se esta nossa breve luz morrer
Nós dormiremos uma só noite sem fim
Dá-me mil beijos, e mais cem;
Dá-me outros mil, e mais cem;
Depois, mais uns mil, e mais cem.
E quando, enfim, os tivermos dado aos milhares,
Para esquecer tudo, baralhemos as contas,
De modo a que ninguém com mal possa invejar-nos
Um número de beijos tão grande.

Catulo
(87 a.c.? – 54 a.c.)
..
Tradução de Gena e Filippo Montera
.
Nota: Catulo rompeu com a tradição poética ligada à mitologia greco-romana e iniciou, com outros poetas, um processo de transformação estética e literária, com a poesia centrada na alma humana, no amor e nos sentimentos. Cícero, em sentido pejorativo, designáva-os por poetas novos.

1 comentário:

Sun Iou Miou disse...

Lembra-me ter traduzido este poema nas aulas de latim. Que coisas lembra a gente de repente!