terça-feira, 19 de outubro de 2010

Um Poema ao Acaso: O menino


O menino

Obedece à verdade e não ao arco-íris,
a beleza queima mais que o fogo,
disse o velho pai. Obedece à verdade,
caminha como fazem os príncipes, nunca deixes
que os teus sapatos sejam mais largos que o teu pé;
não te dobres para levantar dinheiro do chão,
levanta-te, sim,
para dobrares o dinheiro.
Não te curves sobre o triunfo dos outros,
mas sim sobre o teu fracasso.
E se não me entenderes ou se algo para ti for confuso:
sai de casa,
e encontrando alguém observa-o longamente como um cientista
ou um apaixonado.
E só depois fala. E só depois age.
O menino fez então silêncio,
coçou uma borbulha irritante do joelho,
e depois nada disse: ficou calado a pensar noutra coisa.

Gonçalo M. Tavares