segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Um Orçamento assassino...

Subida do IRS é mais forte nos rendimentos mais baixos

Quanto mais baixo o rendimento, maior a subida do
IRS a pagar. A proposta de Orçamento do Estado que
o Governo irá hoje apresentar no Parlamento faz com
que a generalidade dos agregados familiares em Portugal
passe a pagar mais impostos. Mas, ao nível do IRS, um
impacto é consideravelmente mais alto à medida que o
salário vai decrescendo.
As estimativas de impacto no IRS das medidas previstas
no OE, feitas pela firma de consultora Pricewaterhouse
Coopers para o PÚBLICO, mostram que são as camadas
populacionais de mais baixos rendimentos que mais sofrem
com o pacote de medidas do Programa de Estabilidade e
Crescimento.
PÚBLICO
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Fiz um breve rascunho, que me esqueci de finalizar e publicar. Mas a notícia, dada pelo PÚBLICO, há dias, não perdeu actualidade, mantendo-se a oportunidade da publicação deste comentário, tal a gravidade daquilo que anuncia e que neste espaço tem vindo a ser permanentemente denunciado.
Trata-se do maior ataque desferido contra a classe média e contra os trabalhadores. São aqueles que menos ganham, os que mais vão pagar para debelar crise financeira do país e, curiosamente, são aqueles que não tiveram culpa alguma na sua eclosão, a não ser aquela que, por ingenuidade, resultou de um voto eleitoral, erradamente calculado. Para quem tiver dúvidas ainda, fica demonstrada a natureza de classe do governo do Partido Socialista, que, sem qualquer prurido de ordem ideológica ou programática, atraiçoou os ideais que, no discurso mediático, afirma defender.
Com esta perversa estratégia, existe uma intenção oculta, aqui também já referida, de reduzir por via indirecta o valor médio dos salários, consequência imediata da redução do poder de compra das populações, do aumento das falências das pequenas e médias empresas, suportadas pelo consumo interno, e pelo aumento do desemprego, já admitido pelas organizações internacionais. Este Orçamento de Estado é a confissão desesperada do governo à sua resignação de não ter sido capaz de dinamizar a economia pela via da inovação e do desenvolvimento, optando agora tentar ganhos de competitividade com a diminuição do preço/hora dos salários.
O grande capital, mais uma vez , sai incólume, nos seus privilégios em termos de política fiscal, do grande braseiro que ameaça incendiar o país.
http://economia.publico.pt/Noticia/subida-do-irs-e-mais-forte-nos-rendimentos-mais-baixos_1461051

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