quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Tsipras deixa cair promessas para negociar com Europa


Governo de Alexis Tsipras deverá deixar cair aumento faseado do salário mínimo e perdão parcial da dívida. Segundo uma fonte à Reuters, a Grécia vai ficar sem dinheiro se não receber fundos adicionais até ao final de Março. 
Em menos de 24 horas, a postura do executivo de Alexis Tsipras perante os credores e os parceiros da União Europeia e do euro mudou de forma drástica. Fontes de Bruxelas e do executivo de Tsipras avançavam sob anonimato à Reuters que o governo helénico ia ceder em alguns pontos e pedir uma extensão de quatro meses do empréstimo sem, contudo, manter as reformas previstas no pacote inicial de resgate do Banco Central Europeu, Comissão e Fundo Monetário Internacional.

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Se Portugal e a Grécia tivessem recusado, no início da crise, as condições impostas pelas instituições europeias e pelo FMI, e tivessem exigido, brandindo a ameaça da saída unilateral do euro, um programa sustentável que se baseasse, não na austeridade, mas no apoio financeiro a projetos de desenvolvimento nos dois países, a senhora Merkel, e tal como escrevi na altura, até se "mijava toda pelas pernas abaixo". Há três ou quatro anos, a saída do euro de Portugal e da Grécia, isoladamente ou em conjunto, significava o fim da moeda única, pois os bancos alemães ficariam a descoberto, devido aos produtos tóxicos acumulados durante a década anterior, e respeitantes aos Títulos da Dívida Pública dos dois países, o que obrigaria ou à sua recapitalização, pelo governo alemão, e ao consequente aumento de impostas, ou à sua insolvência. Com a institucionalização da troika e a posterior aceitação das condições exigidas pelas instâncias europeias, o governo alemão conseguiu pôr os gregos e os portugueses, através de uma dura austeridade, a salvar os seus bancos e a reforçar a posição da Alemanha na liderança da Europa. Esta capitulação só foi possível com a cumplicidade ativa dos partidos que, nos dois países, têm assegurado, em regime de alternância, a governação. A essa capitulação, eu já chamei traição.

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