sábado, 21 de fevereiro de 2015

Notas do meu rodapé: A Grécia não perdeu a guerra. Perdeu apenas uma batalha


À primeira vista, lendo as notícias sobre o acordo a que chegaram os ministros das Finanças do Eurogrupo, em relação à Grécia, fica a amarga sensação que o governo grego sofreu uma derrota. Mas não é bem assim. Apertado pelas necessidades de financiamento a curto-prazo, o que retirava espaço de manobra ao ministro das Finanças grego, a Grécia conseguiu obter o prolongamento, por mais quatro meses, do atual programa da troika, que terminaria em finais deste mês, período durante o qual nenhuma imposição austeritária poderá ser feita pelo Eurogrupo, ao mesmo tempo que o governo de Atenas renuncia a tomar medidas que aumentem a despesa do Estado. Isto quer dizer que o povo grego não vai, para já, beneficiar da prometida redução da austeridade, através, entre outras medidas, do aumento do salário mínimo, mas, em contrapartida, essa austeridade não irá agravar-se, o que inevitavelmente aconteceria se um governo de direita continuasse no poder. E isto, porque, para a Grécia cumprir o objetivo, estabelecido com a troika, de atingir um saldo primário orçamental de mais três por cento, este ano, e mais quatro por cento em 2016, seria necessário decretar mais austeridade, quase da mesma amplitude do que aquela que já foi imposta.
Por outro lado, o governo de Atenas espera ganhar tempo, para que, daqui a quatro meses, reúna condições mais favoráveis para obter mais cedências da Europa.
Por sua vez, os governos mais fundamentalistas, com o governo alemão à cabeça, seguido caninamente pelos governos de Portugal e Espanha, esperam a desmobilização dos apoiantes gregos e europeus, em relação ao seu apoio ao Syrisa, para depois meterem a Grécia num colete de forças e impor mais austeridade no futuro.
Por isto tudo, pode-se dizer que a Grécia não perdeu a guerra. Ela apenas perdeu uma batalha.

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