quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O suplício da contagem do Tempo...


A trabalheira que não deu agarrar o tempo, para o medir! E, mesmo assim, as contas ainda não batem certo. Para acertar a medida do sapato ao tamanho do pé, este ano até vai perder um segundo. Isto, porque não há coincidência, ao nível do micro-segundo, entre o número de segundos, contido no nosso calendário de 365 dias e o tempo real que a Terra demora a dar uma volta completa em torno do Sol.
A existência do ano bissexto, em que Fevereiro aparece no calendário com 29 dias, de quatro em quatro anos, tem a mesma finalidade: a de sincronizar o tempo marcado no calendário com o tempo real de uma translação completa do nosso planeta, à volta do astro-rei. Isto, para que a bota dê com a perdigota ou para que o sapato corresponda à medida do pé. Matematicamente complicado? Muito! Mas a Matemática tem uma capacidade infinita igual à do universo e tanto funciona aqui, na Terra, como funciona em Marte.
Paremos aqui, para pensar no Universo: no seu movimento, na sua origem, na sua existência, na sua grandeza, e, aqui, volte a parar e não canse mais o cérebro, porque não vai lá. É humanamente impossível pensar o que é a grandeza do universo. Há quem fique maravilhado, mas também há quem fique doido. Eu pertenço ao segundo grupo. Mas não desanime se está integrado(a) no meu grupo, pois começa a haver esperança de cura. Os físicos e os astrónomos trabalham nesse sentido, varrendo os céus com os seus potentes telescópios, num afã desesperado para tocar na unha, do dedo polegar da mão direita de Deus, ou da mão esquerda, admitindo que Ele possa ser canhoto. E eu farto-me de pedir a Deus para que Deus seja canhoto, o que é um absurdo, tal como é absurdo pensarmos nisto tudo e acabarmos por ficar a olhar para o vazio. Um vazio horrível, que também assustou os humanoides, quando começaram a articular as primitivas formas de pensamento lógico e abstrato, o que os levou logo a inventar a figura de Deus, que, na altura, eles figuravam, provavelmente, apenas como uma nebulosa difusa e translúcida. Assim, ficaram mais calmos, sempre que ouviam os trovões ou sentiam, de tempos a tempos, a terra a tremer, debaixo dos pés. Felizmente, para nossa sorte, com o correr lento do próprio tempo da evolução da espécie, também inventaram o fogo, a roda, e toda uma série de úteis invenções, até chegarmos aqui, a este texto, e a outros milhares de textos da mesma natureza, para nos interrogarmos, olhando, de forma abrangente, para o nosso longínquo passado e hesitando em olhar para o futuro. Como será? Ainda não ouvi ninguém responder, porque a pergunta também é absurda. Tal como absurda será uma qualquer hipotética resposta.

Alexandre de Castro