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terça-feira, 4 de maio de 2010


O líder parlamentar do PS (Francisco Assis)
reconheceu hoje que “faria sentido” a União
Europeia (UE) avançar com processos judiciais
contra as agências de notação financeira (rating),
à semelhança do que está a suceder em alguns
estados norte-
americanos.
... “É evidente que a nível europeu há aqui um
caminho a prosseguir. Um deles passará por nós,
socialistas do espaço europeu, que temos defendido
isso, passando até pela criação de uma agência de
notação europeia”, sublinhou o líder parlamentar do
PS, defendendo que deveria ser a própria UE “a
promover a criação dessa agência”.
PÚBLICO
***
O deputado Francisco Assis entrou em delírio. Comporta-se como aqueles fanáticos do futebol que culpam sempre o árbito quando a sua equipa perde, pretendendo depois que o jogo seja ganho na secretaria. Ele pretende que a UE promova a criação de uma agência de rating. É evidente que a espúria ideia apenas se destina a distrair a atenção da opinião pública portuguesa, na linha da campanha que tem por objectivo transformar as agências de rating no bode expiatório das graves dificuldades por que passa o país.
Uma agência de rating é uma empresa de direito privado que se dedica a avaliar as finanças de Estados, de bancos e de empresas. Para poder sobreviver, o seu trabalho tem de ser considerado credível pelos bancos que emprestam o dinheiro. Mesmo que fosse possível, a criação de uma agência de rating, promovida pela UE, ela iria levantar muitos reservas àqueles bancos, que certamente não a considerariam independente e isenta. Os mercados não vão comover-se com esta encenação patética.
Percebe-se a intenção do governo e do deputado Francisco Assis. É preciso criar um clima psicológico para anestesiar os portugueses, quando, brevemente, forem tomadas novas medidas, ainda mais gravosas, para tentar equilibrar as finanças.

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