domingo, 30 de maio de 2010

Notas do meu rodapé: Manuel Alegre recebeu um apoio mitigado do Partido Socialista


Não foi um apoio entusiástico nem inequívoco. Nem sequer foi unânime, com os soaristas a contabilizarem dez votos, que a nível da comissão nacional valeram pouco, mas que vão multiplicar-se por muitos na intriga palaciana subsequente. José Sócrates, percebeu-se, não arriscou uma nova guerra política dentro do seu próprio partido, onde já muitos militantes de base se interrogam sobre o significado político das gravosas medidas para superar a crise, impostas aos trabalhadores. Manuel Alegre é para eles um refúgio compensatório da deriva neo-liberal dos actuais dirigentes. Só que Manuel Alegre está encurralado nesta contradição. Se critica o governo, vai dar razão aos seus adversários. Se assobia para o lado, como se a questão não fosse com ele, afugenta o eleitorado de esquerda do partido e os do Bloco de Esquerda. É este o raciocínio que Francisco Louçã está a fazer. O próprio candidato da direita vão obrigá-lo a definir-se sobre este espinhoso problema, nada oportuno para quem pretende vencer uma eleição presidencial, numa segunda tentativa.
Quando a campanha eleitoral tiver início, as consequências das medidas tomadas pelo governo atingirão o seu ponto máximo, com as falências das empresas e o desemprego a subirem, com a fome a alastrar e os incumprimentos bancários com os créditos da habitação a sucederem-se num ritmo mais intenso. No ambiente de descontentamento e de revolta que se vai gerar, será difícil a tarefa de Manuel Alegre. E Mário Soares não se esquecerá de deitar achas na fogueira.