domingo, 1 de junho de 2014

Notas do meu rodapé: Na política, a aritmética não é tudo...


Só a má-fé ou os abstrusos interesses partidários poderão desvirtuar a única leitura possível dos resultados das últimas eleições para o parlamento europeu, que, inequivocamente, demonstraram que a atual estrutura do poder político, em Portugal, se encontra desajustada em relação à realidade sociológica do país. Os eleitores chumbaram (e de que maneira!...) a coligação governamental e enviaram um recado esclarecedor ao PS de A. J. Seguro, negando-lhe a possibilidade de vir a ser uma alternativa credível, no caso de manter a orientação política atual. O PS ganhou as eleições, mas apenas pela lógica da aritmética, cuja legitimidade não se discute. No entanto, saiu derrotado politicamente, porque não foi o seu minguado resultado eleitoral a ditar a hecatombe do PSD/CDS. Se estas eleições tivessem sido umas eleições legislativas, eu pergunto com quem o PS iria aliar-se, para formar um governo sustentável? Com o PSD?
Eu sei, ou, pelo menos, presumo, que A. J. Seguro já contentar-se-á em apenas vir a obter mais um voto do que o PSD nas próximas eleições legislativas, em 2015, o que lhe daria a oportunidade de ser primeiro-ministro, o seu sonho egocêntrico, carinhosamente acalentado, fazendo assim renascer o bloco central de interesses, ao aliar-se com aquele partido de direita, solução que até agradaria aos mercados, à Merkel e às instituições da troika, mas que não agradará certamente aos militantes e eleitores do PS, que, a esta hora, já andam atarefados a retirar-lhe o tapete. Daí, o seu apego obsessivo ao cargo de secretário-geral do PS. Daí, a sua teimosia em considerar que o PS teve uma grande vitória nas últimas eleições, o que não é verdade, de todo, porque, na política, a aritmética não é tudo...