Só a má-fé ou os abstrusos interesses
partidários poderão desvirtuar a única leitura possível dos resultados das
últimas eleições para o parlamento europeu, que, inequivocamente, demonstraram
que a atual estrutura do poder político, em Portugal, se encontra desajustada
em relação à realidade sociológica do país. Os eleitores chumbaram (e de que
maneira!...) a coligação governamental e enviaram um recado esclarecedor ao PS
de A. J. Seguro, negando-lhe a possibilidade de vir a ser uma alternativa
credível, no caso de manter a orientação política atual. O PS ganhou as eleições, mas apenas pela lógica da
aritmética, cuja legitimidade não se discute. No entanto, saiu derrotado
politicamente, porque não foi o seu minguado resultado eleitoral a ditar a
hecatombe do PSD/CDS. Se estas eleições tivessem sido umas eleições legislativas,
eu pergunto com quem o PS iria aliar-se, para formar um governo sustentável?
Com o PSD?
Eu sei, ou, pelo menos, presumo, que A. J.
Seguro já contentar-se-á em apenas vir a obter mais um voto do que o PSD nas próximas
eleições legislativas, em 2015, o que lhe daria a oportunidade de ser
primeiro-ministro, o seu sonho egocêntrico, carinhosamente acalentado, fazendo assim renascer o bloco
central de interesses, ao aliar-se com aquele partido de direita, solução que até
agradaria aos mercados, à Merkel e às instituições da troika, mas que não agradará certamente aos militantes e eleitores
do PS, que, a esta hora, já andam atarefados a retirar-lhe o tapete. Daí, o seu
apego obsessivo ao cargo de secretário-geral do PS. Daí, a sua teimosia em
considerar que o PS teve uma grande vitória nas últimas eleições, o que não é
verdade, de todo, porque, na política, a aritmética não é tudo...