terça-feira, 9 de abril de 2013

Seguro já não fala em eleições antecipadas

Porreiro, pá!

Seguro falou em "dois caminhos para enfrentar a crise" - o do Governo e o do PS - mas não houve uma palavra sobre eleições antecipadas.
A declaração do secretário-geral do PS surgiu esta segunda-feira na sede do partido para elencar de novo as medidas que compõem a "alternativa" socialista ao Governo e acusar o primeiro-ministro de "instrumentalizar a decisão do Tribunal Constitucional para concretizar uma decisão ideológica", ou seja, o corte de 4 mil milhões de euros nas funções sociais do Estado.
Mas não foi tão longe como vinha sendo até ao final da semana passada na exigência da saída de cena do Governo de Pedro Passos Coelho. Apenas falou de "caminhos".
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A eloquência da retórica redonda, bem pontuada com aquelas palavras que os portugueses gostam de ouvir, tem marcado o discurso de António José Seguro. No entanto, escalpelizando o conteúdo, nada de importante transmite ao país e nada diz que o país já não saiba. Navega à vista, junto à costa, atacando pontualmente, e com o inevitável tom imperativo, as iniciativas do governo, e também navega à bolina, adaptando-se à direção do vento. É o típico político da nova vaga, que vive exclusivamente da retórica. Apressa-se a criticar o governo sobre qualquer iniciativa política, mas não diz o que faria, nem como faria, se fosse primeiro-ministro. É sempre o governo a dar-lhe o mote, marcando-lhe a agenda. A sua ideia para o país é a ideia do PSD, mais suavizada e matizada, e, por isso mesmo, mais perigosa. 
Finalmente, venceu o seu complexo de não estragar a imagem do bom aluno europeu, ao admitir renegociar a dívida, caso fosse primeiro-ministro, mas ocultou os passos que seguiria, na eventualidade do diretório europeu vir a negar-lhe a espúria pretensão, o que seria o mais provável. 
Perante a onda de descontentamento geral, que também já está a varrer o eleitorado do PSD, atreveu-se, prevendo o chumbo do Tribunal Constitucional a algumas clausulas do Orçamento de Estado, a clamar por eleições antecipadas. Mas arrepiou caminho, e na sua última intervenção pública, já eliminou da sua agenda política aquela eventualidade, talvez porque soube interpretar as vozes implicitamente ameaçadoras de Bruxelas e da Berlim, solenemente a avisarem que o programa de "ajustamento" era para cumprir na íntegra. 
Falta a António José Seguro uma verdadeira estratégia para o país dar a volta. Ele irá perceber tardiamente o seu erro em não admitir a saída de Portugal da moeda única.