sexta-feira, 19 de abril de 2013

Opinião: José Saramago - Nobel do nosso contentamento - por Carlos Esperança


José Saramago - Nobel do nosso contentamento

Com o falecimento de José Saramago desapareceu o mais destacado escritor da língua portuguesa.Com ele a língua ganhou um novo fôlego e a literatura um novo patamar.
O prémio Nobel não foi para Saramago o fim de uma tardia e profícua carreira, foi uma fase na vida de um dos mais fecundos e inovadores escritores de todos os tempos, que trabalhou com palavras e delas fez as mais belas frases e os mais gloriosos livros.
De Camões e Gil Vicente, passando por António Vieira e Aquilino, Saramago destacou-se numa plêiade de escritores do século XX e mostrou que a liberdade conquistada com o 25 de Abril trouxe consigo o espírito criativo e a genialidade.A língua portuguesa deve-lhe a riqueza da sua imaginação e sabedoria e os portugueses o orgulho de o terem como referência estética e cultural, esquecidos já da mediocridade de um Governo de Cavaco, em que figuras menores como Santana Lopes e Sousa Lara, vetaram uma das suas obras emblemáticas – O Evangelho Segundo Jesus Cristo.
Com Saramago foi um país Levantado do Chão que aprendeu história e fez a Viagem a Portugal. O escritor a quem o Vaticano, irritado com o Nobel, chamou inveterado ateu, foi um exemplo de devoção ao trabalho literário a que dedicou as suas últimas forças.
José Saramago ficará para a História como um dos mais notáveis escritores de todos os tempos e como pensador que refletiu o mundo empenhadamente sem perder a matriz do livre-pensador.
Portugal e a literatura ficaram de luto. Ontem, em Bogotá, o País sentiu vergonha do PR que o ignorou na inauguração da Feira do Livro onde Portugal foi convidado.
Carlos Esperança
Presidente da Direção da Associação Ateísta Portuguesa