quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Universidade tem curso sobre Lady Gaga


Lady Gaga e a Sociologia da Fama" é o nome da
cadeira lecionada por um professor fã da estrela
pop na Universidade da Carolina do Sul.
O curso deverá abrir na primavera do próximo ano,
partindo da análise de Lady Gaga como "um evento
social", nas palavras do professor Mathieu Deflem,
sociólogo belga e grande fã da cantora, que já a viu
em 30 concertos.
VISÃO
***
Quando a moda chegar a Portugal, desconfio que a escolha irá recair sobre a Carolina Salgado. E ela não precisou da "merda" do Facebook, a ferramenta internautica mais estupidificante, para ter sido possível constituir-se num caso de estudo na área da Sociologia da Comunicação, se algum iluminado professor desta área do conhecimento se tivesse lembrado em ser original e inovador. A ela bastou-lhe o Pinto da Costa. Não sendo a Carolina Salgado, só vejo, como alternativa, a Lili Caneças.
A Sociologia da Comunicação tem conseguido avanços notáveis nos últimos cinquenta anos, a tal ponto, que já é uma disciplina científica autónoma, ganhando o seu próprio espaço, ao nível das metodologias e das abordagens desenvolvidas na investigação, e conseguindo libertar-se assim, progressivamente, da tutela da Sociologia Geral e da Psicologia, das quais ainda recebe contributos, embora também já consiga retribuir com os seus. Mas a ideia do professor Mathieu Deflem encontra-se, à partida, contaminada, pela aparente falta de neutralidade, em relação ao objecto do estudo, já que, ele, como fanático admirador da pequena, segundo confessa, está a desenvolver uma ligação afectiva e emocional, que o pode levar à formulação de ideias pré-concebidas e de juízos de valores eivados de parcialidade, ingredientes que poderão vir revelar-se fatais para o rigor analítico que a ciência exige. O facto de espalhafatosamente apresentar o seu novo curso, já deixa algumas dúvidas sobre a provável intenção profunda que o anima. O curso deveria desenrolar-se sem este escusado mediatismo, no recato da universidade. A não ser que o professor tenha desejado emocionar a diva, que, certamente, surpreendida com a importância do evento, sentiu aquele frémito a subir-lhe pela espinha e a eriçar-lhe o corpo, idêntico àqueles que qualquer mulher sente, quando um poeta lhe dedica um poema. Isto até poderá vir a transformar-se num idílio sublime se Lady Gaga suspeitar que, com esta aliança entre a ciência e a música pop e entre a universidade e o espectáculo, os neurónios ainda voltarão a crescer-lhe, só não se sabendo para que parte do corpo eles irão migrar. Só espero que Lady Gaga não seja convidada para dar uma aula.

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