sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Um Poema ao Acaso: Fome de traça - Luís Graça

Fome de traça
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Passeio-me nos livros como verme que sou
sei devorar os clássicos por ordem
Já comi Jane Austen, Agustina Bessa-Luís,
Anais Nim, Margarida Rebelo Pinto.
Até já comi as irmãs Brönte
no Alentejo, em cima de um monte
num dia de vendavais
bah! Bacanais...
Já comi a Bíblia, em papel “couché”
já comi o “Drácula” em papel bíblia
já comi os volumes todos do “Tempo perdido”
já comi “O homem sem qualidades”.
Tenho boa boca. Como de tudo.
Já comi os sonetos de Shakespeare
a lírica camoniana
e até duas camónes
que eram de Louisiana
Como de tudo.
“Gargântua e Pantagruel”. Já comi.
Alfredo Saramago. Já provei.
José Saramago: comi e vomitei.
Caiu-me na fraqueza.
Não se deve comer Saramago em jejum.
Já comi “Os miseráveis” com pasta de atum.
Passeio-me nos livros como verme que sou.
Sei devorar os clássicos por ordem.
Como de tudo. Tenho boa boca.
Já comi o “Tubarão” sem ver o filme.
Comi o “Ben-Hur”, o “Quo Vadis” e “A Túnica”.
Comi os 12 Césares duma vez
e pus Suetónio a suar na sauna do Holmes Place.
Tenho apetite pela Literatura.
Um dia destes vou comer as gajas todas à traição
quando estiverem a dormir no “Kamasutra”.
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Luís Graça

1 comentário:

Anónimo disse...

(Segundo o SOL apurou, Marinho Pinto obtem maioria absoluta)
Sei que não vem a propósito do Poema, mas não há dúvidas de que os Homens que assumen em tudo a sua verticalidade são sempre reconhecidos. A honestidade compensa -Parabéns Dr Marinho Pinto-