quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Manifestação com cinco estudantes escoltada por dez polícias

Era assim que os cinco estudantes se imaginavam na sua solitária manifestação
.
Lentamente e com passo miudinho cinco estudantes
do ensino secundário de Beja caminharam, nesta
quarta-feira, ao longo da principal avenida da cidade,
segurando uma faixa amarela com três palavras de
ordem escritas a negro: “Não aos exames – ao regime
de faltas – estudantes estão na rua”.
PÚBLICO
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Eventualmente, poder-se-ia ter dado o caso de os restantes manifestantes terem ficado para trás, ou para beber um copo numa qualquer tasca, ou por manifesto atraso, dando assim credibilidade à proverbial fama dos alentejanos, que pedem licença a um pé para avançar com o outro pé.
Outra hipótese plausível, e que muitos comentadores defendem com algum fundamento, é que o tema do fim dos exames já não é suficientemente mobilizador, pois os estudantes já perceberam que o seu grau dificuldade é tão básico, que nem sequer será necessário estudar para obter a merecida aprovação. Mantendo-se o regime de exames, assim, tal como está, sempre se salvam as aparências do rigor da avaliação.
Mas eu, contrariando o pensamento das maiorias (detesto o pensamento da maiorias, porque a sua natureza intrínseca é idêntica ao pensamento único), tenho outra explicação para o comportamento evidenciado por aqueles cinco estudantes. Eles quiseram demonstrar quanto este país é grotesco e insólito. Dez polícias para controlar cinco manifestantes!?... Até os polícias se sentiram constrangidos.