quarta-feira, 28 de maio de 2014

Notas do meu rodapé: A insustentável leveza do ser ou do parecer...


O PS só resolve o seu problema identitário, quando ultrapassar o seu dilema fundamental: ou querer ser um partido a tentar liderar a esquerda, da qual se afastou, ou vir a ser um partido liderado pela direita, da qual se aproximou.
A crise da Europa e do país obriga-o (assim como aos partidos europeus da sua família política) a ter de sair da cómoda situação de estar ao centro, no meio, onde já não vai ser possível exibir um discurso de esquerda e fazer uma política de direita. 
Os tempos mudaram, e hoje, a classe média, que foi e é a sua base de apoio, já não pensa apenas no local paradisíaco onde vai passar as férias e na marca do próximo automóvel que vai querer comprar a crédito. Aprendeu política e economia e está mais esclarecida. Acima de tudo, já percebeu que a política é uma extensão da alta finança, que ocultamente a domina, no seu exclusivo interesse. 
Se os dirigentes do PS não entenderem isto, o partido poderá implodir.
O PSOE, na Espanha, o PS, na França e o SPD, na Alemanha, já fizeram a sua escolha: encostaram-se à direita, o que é o caminho mais curto para os levar ao seu suicídio político. Falta saber para onde caminhará o PS...

Alexandre de Castro
2014 05 28