terça-feira, 14 de junho de 2011

A política dos credores como a negação do liberalismo (Krugman)



A política dos credores como a negação do liberalismo
Krugman aponta o dedo para o rei que vagueia nu nas academias e nos governos dos países europeus e dos EUA, colocando a questão nos termos que me parecem mais correctos: não existe nenhuma teoria sólida que sustente os planos de austeridade, a redução nos gastos e a política monetária restritiva que o BCE e o FED têm levado a cabo, em face à crise económica que se vive. Por outro lado, os únicos beneficários desta estratégia política são os credores. Nem é preciso estabelecer uma relação causal. Não é preciso acusar os governos de serem reféns dos credores, basta perceber que estes são os únicos beneficários para se poder partir para uma Política séria de oposição a estas políticas.
É preciso perceber que as pessoas que nos emprestaram dinheiro, mais do que conscientes dos riscos que estavam a enfrentar, foram devidamente compensadas com taxas de juros que reflectiam precisamente esses riscos. Ignorar esta realidade é desvirtuar as regras do jogo, e é, na sua essência, curiosamente, a negação do liberalismo: primeiro os credores aceitaram uma aposta e colocaram o dinheiro onde ele era mais rentável, sendo mais rentável apenas por haver risco de não pagamento. Depois, quando o risco de não pagamento se ameaça materializar, correm para que o estado mude as regras do jogo, e faça tudo para impossibilitar o não pagamento.
Do blogue elasticidade
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Paul Krumam é outro economista de renome que, embora sob uma outra perspectiva, vem denunciar a irracionalidade económica dos planos de ajuda (empréstimos) aos países da zona euro (Grécia, Portugal e Irlanda) que se debatem com problemas orçamentais, alinhando assim pelas posições de Amartya Sen e Joseph Stiglitz, que aqui, no Alpendre da Lua, temos vindo a citar. Todos eles são unânimes em admitir a impossibilidade de fazer crescer a economia daqueles países (para poderem pagar a dívida), impondo-lhes severos planos de austeridade. Se em períodos de contracção económica, com os privados a retraírem-se por falta de confiança, o Estado se demite de intervir na economia, por imposição do aperto orçamental, o período de recessão prolonga-se indefinidamente. Já a propósito dos sucessivos PEC, lançados pelo governo de José Sócrates, a questão aqui colocada, com frequência, incidia precisamente sobre a incerteza gerada ao nível do necessário crescimento económico do país, que não podia ser obtido apenas com o aumento das exportações.
Quando se cortam as pernas a um homem, ele jamais poderá andar, nem sequer de muletas. Os dirigentes da UE, no meio desta tempestade que ameaça o euro, lançaram uma bóia de salvação aos três países com dificuldades, ao mesmo tempo que lhes mergulham a cabeça para dentro de água, para não poderem respirar. Assim não salvam nada nem ninguém. Assim, talvez seja o grande barco da Europa a afundar-se. 

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