quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Poema: Oito poemas na rebentação das mãos_ Afinal_ por maria azenha


Oito poemas na rebentação das mãos_

Afinal_

Gosto de me sentar imóvel
sem pensar em nada

a página é o meu observatório humano
aí faço anotações do quotidiano
falo em voz baixa
e escrevo algumas palavras de ofício
algumas resistem outras apagam-se
quase sempre a folha de papel em branco
se me perguntam porque o faço
respondo: “ não sei”
afinal é isso o que conta

© maria azenha

in REVISTA TRIPLOV de Artes, Religiões e Ciências
Nova série | número 47 | agosto-setembro | 2014
© Maria Estela Guedes PORTUGAL

***«***
Quem és tu, romeiro?
Ninguém!
Assim soa, com esta profundidade enigmática, mas literariamente grandiosa, a frase do remate deste poema: “não sei”. E, pelo caminho, ficam os rastos da imobilidade, do vazio purificador e do silêncio (fecundo) do pensamento. Fica “a folha branca do “papel em branco”.

A "poeta" maria azenha colabora regularmente no Alpendre da Lua.

1 comentário:

mariagomes disse...

como sempre, um belíssimo poema!