quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Catalunha: Artur Mas diz que Estado não mete medo aos catalães


O presidente do governo regional da Catalunha, Artur Mas, afirmou hoje que os catalães não têm medo das ações do Estado espanhol, advertindo que uma eventual ação do Ministério Público contra a consulta popular de domingo será uma "imagem dramática".

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A Catalunha, ao realizar com estrondoso êxito a consulta popular sobre a sua eventual independência, não criou um problema do foro da Justiça, e isto porque o problema é eminentemente político e deriva do percurso histórico do povo catalão, que nunca aceitou a sua subordinação a Madrid.
A minha permanência em Barcelona, durante alguns meses, em 1971, ainda sob o regime franquista, mostrou-me à evidência o profundo nacionalismo dos catalães, bem expresso nas grandiosas manifestações, a que assisti, e que eram barbaramente reprimidas pela polícia de choque. As pessoas do meu círculo de relações apontavam-me frequentemente o abismo cultural que as diferenciava de uma Espanha dominada por uma cultura política caudilhista, entranhadamente monárquica e reacionária, retintamente fascista, devotadamente católica, e claramente atrasada no seu tempo histórico (tal como o Portugal de Salazar e Caetano). 
Tenho de dizer aqui que foi em Barcelona que tomei o meu primeiro banho de civilização. Quando regressei a Lisboa, o choque foi brutal. Pareceu-me ter recuado um século, no calendário da História.

1 comentário:

Alexandre de Castro disse...

Em Barcelona, a vida cultural é muito intensa, e envolve transversalmente todas as classes sociais, a tal ponto que até se manifesta em algumas tradições populares, como é aquela que se realiza no dia S. Jorge, em 23 de Abril, e cuja origem se perde no tempo, embora, com certeza, essa origem tenha surgido em data posterior a 1436, ano em que a Generalidade da Catalunha propôs nas cortes a celebração oficial e obrigatória do Dia de São Jorge.
Nesse dia, a rapariga oferece ao rapaz, seu conhecido, uma rosa, o que obriga o rapaz a ir comprar um livro, para retribuir. Assim ficou institucionalizado o lema "23 de Abril: Dia de São Jorge, do livro e da rosa".
Tenho saudades desse dia,o dia 23 de Abril de 1971, pois também fui surpreendido pela oferta de uma rosa. E a moça era lindíssima!... Foi com grande prazer que lhe ofereci um livro.