domingo, 9 de novembro de 2014

Pintura: A dança das linhas e das curvas - Afonso Armada de Castro

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Afonso Armada de Castro _ mancha negra

Afonso Armada de Castro _ figuras no escuro

Afonso Armada de Castro _ cabos vermelhos

Se, nos anteriores trabalhos de Afonso Armada de Castro, meu filho, aqui publicados, ele privilegiou a exuberante abordagem policromática, de que é exemplo a pintura “Índio”, o que levou uma leitora a dizer «Perco-me no meio de tanta criatividade», nestes trabalhos, agora aqui apresentados, a opção virou-se para um processo de uma apurada estilização extrema – a máxima que é possível na nossa imaginação – refletida naquilo que eu chamo a “pureza e a elegância das linhas”. A simplicidade beneficiou o autor, que resistiu à tentação de encher a tela com muitos e variados elementos pictóricos. Utilizou apenas as linhas retas, em “cabos vermelhos”, e uma variedade de figuras geométricas, em “figuras no escuro”, o que será, tecnicamente, fácil de executar, mas que é naturalmente muito difícil de conceber, para que se alcance aquele patamar, em que a obra consiga entrar no universo do que aceitamos ser “Arte”.
Em “figuras no escuro” e “cabos vermelhos” consegue-se um equilíbrio e uma harmonia, através de um muito bem estudado ordenamento das linhas e das figuras geométricas, às quais a opção de um fundo monocolor deu relevo.
Em “mancha negra”, para mim, o melhor trabalho desta série, deparei-me com aquilo que eu mais admiro em qualquer obra de arte (pintura, arquitetura, escultura, literatura, cinema, etc.), e que se constituiu num elemento importante e decisivo do meu processo analítico, e que defino assim: “A obra de arte, em todas as artes, tem de superar a realidade visível, que exibe, e obrigar o pensamento a migrar para outros horizontes, quanto mais misteriosos e enigmáticos melhor, e que a obra não refere explicitamente. E, ao olhar pela primeira vez para “mancha negra”, o meu pensamento deslocou-se da tela e voou ao sabor da imaginação, à procura do significado daquela mancha, sustentada, num equilíbrio delicado, por frágeis suportes, as curtas linhas retas cruzadas, e que dão ao conjunto um enquadramento esteticamente perfeito.
Alexandre de Castro

Poderá ver aqui os trabalhos do Afonso, publicados anteriormente, assim como a minha abordagem crítica e três comentários de leitores.