sexta-feira, 21 de junho de 2013

Uma Justiça comprometida com o poder dominante...

Imagem retirada da página do Facebook de Valdemar Nascimento
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Apesar de não ser comparável a complexidade e, naturalmente, a morosidade dos dois processos judiciais, o da gigantesca fraude do BPN e o daquele cidadão justiçado por eventuais insultos(?) ao Presidente da República, o que nos choca é a extrema lentidão da Justiça, quando os suspeitos ou os arguidos são políticos ou individualidades ligadas ao sistema económico e financeiro.Nenhum processo chega ao fim e ninguém vai para a cadeia. Oliveira e Costa (BPN) passeia-se calmamente pelas ruas de Lisboa e Rendeiro (BPP) goza calmamente a sua fortuna, sem sequer ser investigado o esquema especulativo da sua atividade como banqueiro, esquema esse, idêntico ao que Bernard Madoff montou nos Estados Unidos, mas de maiores proporções, e que lhe custou uma condenação a 150 anos de prisão. O contraste entre o sistema judicial americano e o português é esclarecedor e chocante.
Mas em Portugal é assim. Abusando da ingenuidade, da complacência e da ignorância dos portugueses, a democracia à portuguesa apoiou-se em mais um pilar, este não não institucional, mas de uma grande eficácia: a impunidade dos poderosos.

4 comentários:

Eu...Suzana disse...

Pois é Alexandre, assim com em Portugal ou aqui no Brasil tudo funciona igual. Quando são os grandes e poderosos a lentidão é de praxe, mas quando é alguém comum, do povo, no outro dia já está preso. Que mais posso dizer, o povo precisa é lutar para modificar, fazer valer e criar leis mais rígidas que sejam cumpridas igualmente por qualquer cidadão, independente de cargo, posição social ou riqueza, e que governantes sejam cobrados por seus atos de fraude e corrupção. Um grande abraço. Suzana Ferrão.

Alexandre de Castro disse...

Obrigado, Suzana Ferrão, pelo seu comentário.
A Justiça de um país é o melhor espelho do seu regime político. E o que se verifica, quer em Portugal, quer no Brasil, é a existência de uma grande impunidade para com os crimes de colarinho branco. Mas, no Brasil, com o enorme êxito das manifestações destes últimos dias, o povo agarrou bem o tema da corrupção. Foi um aviso muito sério para o poder político, que teve de recuar estrategicamente, para não atiçar mais os ânimos. Ficou provado que quando o povo está unido, ele nunca será vencido. O povo brasileiro deu um grande exemplo a todos os povos do mundo, apontando-lhes o único caminho para poderem assegurar os seus direitos.Por isso, eu digo: Obrigado Brasil!

José Gonçalves Cravinho disse...

Eu,um simples operário emigrante na Holanda desde 1964 e já velhote
(89 anos),pergunto se a razão desta Justiça de funil,será porque os Magistrados são «Filhos da mesma Escola»do tempo da Ditadura clerical-fascista do Estado Novo?!

Alexandre de Castro disse...

José Gonçalves Cravinho: Os tiques do fascismo não foram totalmente extirpados da sociedade portuguesa, e ainda persistem, ao nível do aparelho de Estado,muitos comportamentos desviantes ao processo democrático.
Obrigado pela sua participação no Alpendre da Lua, que será sempre bem vinda.