sexta-feira, 7 de junho de 2013

Notas do meu rodapé: Ao saque através da da dívida especulativa, segue-se a chantagem e as privatizações forçadas de bens públicos...

Amabilidade da minha irmã Helena
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Já aqui dissemos que as instituições europeias (Comissão Europeia, Banco Central Europeu, etc.) são o braço político não democrático do imperialismo financeiro europeu, comandado pela Alemanha, o que facilita a imposição de medidas políticas impopulares, que os governos da União, apesar de comprometidos com os mesmos objetivos predadores do grande capital, não poderiam arriscar tomar, sem evitar o desmascaramento da sua democracia de fachada.
Esgotado que está o tempo do encantamento, com a promoção da abundância, através de um estímulo à criação de dívida, por parte dos Estados, das empresas (bancos dos países periféricos incluídos) e das famílias (uma situação de inferioridade e de dependência), chegou o tempo da chantagem com essa própria dívida, impondo condições draconianas para o seu pagamento, através dos ditos planos de ajustamento (palavra de uma grande inocência!). E isto, depois de se ter desencadeado uma gigantesca manobra, através das agências de rating, para empolar os problemas estruturais das economias dos países devedores, que assim se viram obrigados a assumir uma governação tutelada, embora escondida sob um certo disfarce.
Todos sabiam que, com aquelas medidas draconianas, baseadas numa brutal austeridade, a sacrificar exclusivamente salários, pensões e os apoios sociais, o crescimento económico ficaria comprometido, não havendo, pois, margem de manobra para a criação de excedentes ao nível do saldo comercial com o exterior e ao nível da balança de pagamentos, condições necessárias para pagar a gigantesca dívida, que, entretanto, irá crescendo. É isto que o capitalismo europeu pretende. Ao saque, através da austeridade, que serve para ir pagando juros exorbitantes e especulativos, vai seguir-se o resgate do capital da dívida, através da privatização forçada, a preços de saldo, das empresas nacionais estratégicas, de grande rentabilidade e a exigirem investimentos mínimos. É o caso da água, como a peça visionada demonstra, onde o processo de privatização já começou, com alguns municípios (entre os quais aquele em que serei candidato à câmara municipal, pela CDU, nas próximas eleições autárquicas) a alienarem a captação e o abastecimento de água a multinacionais francesas e alemãs. A gestão de um bem público, como é a água, fica assim na posse de mãos estranhas e perigosas, longe de um qualquer escrutínio democrático, que contrarie o cortejo especulativo sobre o seu preço e o controlo sobre a sua qualidade. 
E esta estratégia, ao nível da privatização da água pelas grandes multinacionais, que, afinal, tem uma ambição continental (outros bens públicos se seguirão), tem por objetivo colmatar a perda da liderança económica dos países ricos europeus, a nível mundial, como as estatísticas sobre o crescimento económico demonstram (o crescimento económico tem sido raquítico, não ultrapassando as décimas). Perdendo posições a nível da indústria, a favor dos países asiáticos, principalmente da China, e não podendo repetir a manobra altamente lucrativa, porque especulativa, através da formação de novas dívidas às famílias dos países periféricos (foi chão que deu uvas), o capitalismo europeu (que já provocou duas guerras mundiais) prepara-se para um segundo saque, em larga escala, da riqueza dos países mais pobres da Europa, onde se encontra Portugal.
Quando, daqui por alguns anos, se fizer o balanço entre os ganhos e as perdas com a adesão à mítica União Europeia, que deslumbrou tantos portugueses ingénuos, talvez se chegue à conclusão, e esta é a minha prévia e premonitória opinião, que Portugal perdeu mais uma oportunidade, por ter jogado, sem condições de salvaguarda, no tabuleiro errado. Se somarmos a esta oportunidade perdida os custos de uma Guerra Colonial injusta e a consequente perda do Império Colonial, há menos de meio século, poderemos concluir que está em perigo a sustentabilidade e a independência de um país com mais de oito séculos de História. É difícil sobreviver ao falhanço na África e ao falhanço na Europa.