segunda-feira, 10 de junho de 2013

A mulher de vermelho

 

De vestido de algodão vermelho, colar e saco de pano ao ombro, era apenas uma das jovens manifestantes do Parque Gezi em Istambul, mas facilmente se tornou um símbolo da resiliência turca, neste que já é um dos movimentos sociais que certamente alterará o panorama político da Turquia. Esta mulher de vermelho, que com toda a frontalidade estava na linha da frente do protesto, bombardeada com gás lacrimogéneo, e mesmo assim de pé, sem abdicar da sua luta, é hoje um rosto desta manifestação. Como ela, são muitas as que enchem neste momento a Praça Gezi, e que sonham com uma Turquia livre, longe da ditadura de Erdogan. Contudo a mulher de vermelho não representa apenas um símbolo do que se está a passar na Turquia, representa acima de tudo a face visível de quem combate a escassez de democracia que assombra o mundo.
Porque esta mulher não tem idade, veste-se como quer, é dona de si própria, é pro-ativa e combativa, é a mulher do progresso, do hoje e do amanhã, num claro combate à sociedade machista e patriarca em que vivemos, numa procura incansável pela democracia e justiça social.
Neste momento mais do que o destino do Parque Gezi discute-se o destino da mulher e da democracia na sociedade turca e quem sabe no mundo islâmico. Não fiquemos indiferentes a isso. Onde houver um governo autoritário, uma troika, um fanático religioso, um fascista, um capitalista, haverá sempre uma mulher de vermelho. Porque no final de contas, nós crescemos ao ritmo da vossa violência, seja sob que forma for.
André Moreira
In ESQUERDA NET