quinta-feira, 16 de maio de 2013

Poema: De cada vez que escrevo uma palavra - maria azenha

Imagem selecionada pela autora

De cada vez que escrevo uma palavra

de cada vez que escrevo uma palavra
trago-te flores
e tremo muito

de cada vez que escrevo uma palavra
abro os pulsos 
e sinto o sangue entrar numa gruta 

de cada vez que escrevo uma palavra esqueço tudo
- tem chovido muito –

ao acordar luto contra a escuridão

maria azenha

In NO TEMPO DOS ESPELHOS
Nota: Não foi apenas com uma palavra, mas apenas foi suficiente uma meia dúzia para que o poema ganhasse luz, embora seja de escuridão que se fala. O encantamento metafórico centra-se nos versos: “abro os pulsos/ e sinto o sangue entrar numa gruta” e “ao acordar luto contra a escuridão”.  E, antes disso, toda a fragilidade e timidez da mulher que ama, e que treme quando leva flores. Num pequeno poema, Maria Azenha consegue, com um pequeno artifício, escrever um lindo hino ao amor.
AC

A “poeta” Maria Azenha colabora neste blogue, publicando-se um poema seu, às quintas-feiras.

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