segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Hoje, senti o fogo a rondar-me a casa...

Incêndio  num prédio na Av. Almirante Reis
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Um dia acontece-(nos) a nós o que acontece aos outros. Todos os dias nos esquecemos desta verdade elementar. Não fui vítima, mas senti a ameaça do fogo devorador, a quinze metros de distância. Se não fosse a rápida e eficiente intervenção dos bombeiros (ainda há coisas boas no nosso país), o fogo teria alastrado para o prédio onde habito, que, no vídeo, e em contiguidade, se vê à direita do prédio em chamas.
Toda a minha vizinhança entrou em pânico, e é curioso ver a disparidade de comportamentos das pessoas nestas situações aflitivas, em que se faz um apelo dramático ao instinto de sobrevivência. Poucas pessoas mantêm intacta a racionalidade e exibem um sangue frio exemplar. Houve pessoas que gritavam histericamente; pessoas que ficaram paralisadas pelo choro, e que se mostravam incapazes, tal era a inação, de, sozinhas, obedecerem à ordem de retirada. Pessoas houve que entraram novamente em casa para ir salvar anéis, colares de ouro e poupanças, aí amealhadas; outras que fugiram precipitadamente em pijama e descalças. Foi necessário fazer insistentes apelos à calma e ao bom senso. 
No prédio sinistrado, pelo menos uma família ficou sem teto, a que vivia no último andar. Mais uma família que vê somar uma desgraça à desgraça que a crise financeira está a provocar.