sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Carta aberta: “Acordámos, senhora Merkel. Seja mal-vinda a Portugal”


Carta aberta dirigida a Angela Merkel contesta a visita da chanceler alemã a Portugal no dia 12 de Novembro e lamenta que o Governo português, “fraco e débil, a receba entre flores e aplausos”.
Com 109 assinaturas de cidadãos portugueses e estrangeiros, a mensagem baseia-se num fundamento muito claro: Angela Merkel não foi eleita por nenhum português, ou, como seja, por nenhum outro europeu que não o povo alemão. Por essa razão, os subscritores não aceitam que a chanceler alemã venha a Portugal no dia 12 de Novembro para interferir nas decisões do Estado, principalmente quando a acompanhá-la viaja uma comitiva de grandes empresários alemães, que sob o “disfarce de ‘investimento estrangeiro’”, vêm comprar “a preço de saldo” o património português privatizado.
PÚBLICO
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Ao associar-me a esta iniciativa, julgo que, além de manifestar individualmente a minha oposição categórica em relação à aplicação cega das políticas de austeridade, também estou a interpretar o sentimento de frustração dos milhões de portugueses que estão a sentir na carne os devastadores efeitos daquelas bárbaras políticas.
Angela Merkel é a inspiradora desta política assassina, É a alma e o rosto da austeridade. Cínica e extremamente cruel, com um distorcido perfil teutónico, a lembrar antigas selvajarias das idades medievas, Angela Merkel recupera os tiques imperiais da Alemanha. Está a condenar à extrema miséria milhões de pessoas, com a mesma insensibilidade que Hitler revelou, ao enviar judeus, comunistas e ciganos para os campos de concentração e para os sofisticados fornos crematórios. A sua vinda a Portugal é um insulto à nossa dignidade. E o governo que a recebe de joelhos, e que vai sair do seu bafiento bunker, onde se refugiou, para subservientemente lhe prestar uma humilhante vassalagem, ofende a memória histórica dos portugueses, que sempre lutaram, ao longo de séculos, pela independência do seu país.