quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Amnistia Internacional Portugal condena carga policial


A Amnistia Internacional Portugal condenou hoje o "uso excessivo e desproporcional de força" da polícia na carga policial para dispersar os manifestantes que protestavam "pacificamente" em frente ao parlamento na quarta-feira e pediu um inquérito ao Governo.
"Com base em testemunhos recolhidos pela Amnistia Internacional Portugal e informação obtida junto de meios de Comunicação Social e através das redes sociais, a AI considera que elementos do corpo de intervenção da PSP actuaram de forma desproporcional".
A Aministia Internacional Portugal acusa as forças de segurança de recorrerem "indiscriminadamente ao bastão, não só para dispersar, mas, também, para perseguir manifestantes que protestavam pacificamente, tendo atingido várias pessoas com violência, sobretudo na cabeça, no pescoço e nas costas", salienta-se no documento.
A Amnistia Internacional Portugal não deixa, porém, de assinalar a ocorrência, reprovável, de comportamentos violentos por parte de um pequenos grupo de manifestantes, como o arremesso de pedras e de petardos contra elementos das forças policiais", acrescenta-se, requerendo-se ao Ministro da Administração Interna que ordene a abertura de um inquérito às circunstâncias em que decorreu a actuação policial.
A AI Portugal pretende ainda que sejam apurados "os termos em que foram efectuadas detenções, nomeadamente se foram observados todos os direitos constitucionalmente garantidos dos detidos, como o esclarecimento sobre os motivos da detenção e o acesso imediato a um representante legal".
Diário de Notícias
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Começou a época do terror. Pressentindo que os próximos tempos vão ser marcados por muitas manifestações espontâneas de protesto e de revolta, devido às políticas assassinas que vai continuar a aplicar, o governo aproveitou bem o incidente das pedradas, que um pequeno grupo de jovens protagonizou ontem, junto ao edifício da Assembleia da República. Tal como vem procedendo em relação à enorme crise financeira, que é incapaz de debelar, o governo, também aqui, no domínio da sublevação social, vai seguir a tática de primeiro amedrontar e, depois, desmoralizar. É de estranhar que os jovens que arremessaram pedras à polícia (sem terem provocado qualquer dano às forças de segurança), tenham vindo a ser presos na estação do Cais do Sodré, como se fosse possível a sua correta identificação, depois de toda aquela grande confusão. A urgência de cumprir imperativas ordens superiores, para que a farsa parecesse credível, a polícia acabou por prender pessoas que não tiveram nada a ver com o que se passou na manifestação e que apenas estavam no Cais do Sodré para apanhar o comboio, como afirmou ao Diário de Notícias a advogada Lúcias Gomes, a quem foi negado por um comandante da polícia, e à revelia da lei, o acesso aos presos, para a correspondente assistência jurídica.
Como se pode ver, é a própria polícia a arremessar pedras à lei. E com total impunidade! 
Nota: Declarações de uma advogada ao DN: Segundo Lúcias Gomes, dos 15 detidos, há pessoas "que não têm nada a ver com o que se passou junto ao Parlamento e apenas estavam no Cais do Sodré para apanharem o comboio". A advogada referiu que "um comandante da PSP já disse aos advogados que teremos acesso aos clientes, mas até agora nada".
Amnistia Internacional condena carga policial - Economia - DN
http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2886765