sábado, 24 de novembro de 2012

Gasóleo: É tudo igual ao litro e a diferença apenas está no preço

A Deco diz que há uma “acção enganosa” e “prática comercial desleal”

Deco diz que gasóleo premium ou low cost é todo igual
Associação de Defesa do Consumidor testou quatro marcas de gasóleo em quatro automóveis. Os consumos foram “muito idênticos”.
O gasóleo vendido em Portugal é todo igual. Não há diferença entre as gamas premium e as mais baratas. A conclusão é da Deco – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, que anunciou que vai denunciar o caso às autoridades e enviar um abaixo-assinado ao Ministério da Economia.
PÚBLICO
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Esta indecorosa história, reveladora da mentalidade cleptocrata e cleptomaníaca dos grandes capitalistas portugueses, faz-me lembrar uma outra, posta em prática nos anos seguintes ao da privatização da banca, e que, embora não possa ser considerada formalmente ilegal, evidencia bem a imoralidade de certas práticas comerciais, destinadas, à custa dos clientes, a engordar as receitas e os lucros das empresas que as concebem e põem em prática.
Os bancos, a troco de um insignificante prémio anual, começaram, a partir de um determinado momento, a vulgarizar os seguros de acidentes pessoais, associados à abertura de contas por particulares, e aos quais os clientes facilmente aderiam, por, nessa altura, ainda ingenuamente, acreditarem na bondade daquelas instituições. Distraído como sou, dei-me conta que já tinha uns cinco seguros de acidentes pessoais, dois associados às minhas duas magras contas bancárias, e os outros três agregadas à minha condição de membro de três associações. Resolvi acabar com todos aqueles seguros, acreditando que a divina providência me protegeria dos riscos associados à minha própria existência. Só que a divina providência não conseguiu proteger-me da manhosice do banco, que teimou em não abdicar daquela módica receita anual, a que já estava habituado. Para minha surpresa, no ano seguinte, num extrato bancário, apareceu-me debitada, sob a designação de uma comissão qualquer, uma importância do mesmo valor da do prémio do seguro, do qual já desistira, e que estava prefigurada para ser cobrada anualmente. Reclamei, puxando pelos meus galões de cliente modesto. Ameacei, dizendo que ia mudar de banco. Aquela importância foi-me creditada, embora saiba que ela acabou por vir a ser integrada em posteriores comissões criadas, sob várias designações (recentemente descobri que o banco onde tenho domiciliada a minha conta ordenado começou a cobrar-me trimestralmente trinta euros por despesas de manutenção).
Lembro-me de, na altura, ter feito um pequeno exercício. Multipliquei o valor daquela comissão, abusivamente cobrada, por um milhão de contas de clientes particulares, abertas naquele banco. Sem dúvida, uma pequena fortuna para o banco, mas que, para mim, seria grande, pois poderia vir a fazer a minha felicidade vitalícia, se é que é verdade que o dinheiro traz felicidade.
Aproveite o leitor o exemplo, se consome gasóleo para a sua viatura, e faça as contas. Eu não as vou fazer porque o empresário da oficina, que presta assistência à viatura em que ando montado, a uma pergunta minha, aconselhou-me a consumir gasóleo normal. E acrescentou, "anormais são eles", referindo-se aos donos e administradores das empresas petrolíferas nacionais. E ladrões também, acrescento eu, agora.