quinta-feira, 8 de julho de 2010

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O capitalismo está a entrar em contradição outra vez. Se, no sistema actual, o nível de empregabilidade de uma nação é uma medida do bem-estar da população, há um factor, muitas vezes ignorado, que destrói o bem-estar das populações: a mecanização do trabalho. A mecanização do trabalho, não só vai tirando o emprego a muitas pessoas, como também torna os processos de produção mais eficientes e mais lucrativos (as máquinas não precisam de férias, seguros, subsídios,...). É portanto evidente que a mecanização conduz a uma maior desigualdade de rendimentos. Os empresários, ignorando os efeitos das suas acções a nível global, avançam para a mecanização, e depois surpreendem-se que os seus produtos, produzidos super-eficientemente, não têm escoamento nos mercados, já que o poder de compra dos trabalhadores é reduzido à medida que a mecanização avança. O primeiro alvo da mecanização foi a agricultura, o que levou os trabalhadores para a manufactura. Depois foi a manufactura, transportando a mão-de-obra para o sector dos serviços. Neste momento o alvo da mecanização são os serviços. Resta saber se desta vez vai ser inventado algum novo sector para colocar as pessoas que estão e vão ficar desempregadas com a mecanização dos serviços. Para deixar claro, eu não sou contra a mecanização do trabalho, muito pelo contrário. Sou é contra o sistema actual, onde a inovação e o avanço das tecnologias, em vez de criar prosperidade, cria crises e sofrimento.

João Mota

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