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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Jerónimo espera luta de quem votou nos partidos da "troika"


O secretário-geral do PCP considerou, este domingo à noite, que "a luta social será inevitável" e envolverá, também, aqueles que votaram "nos partidos da troika" quando se sentirem "enganados" pelos partidos que "esconderam" as medidas que querem aplicar e, nomeadamente, pela campanha de "mentira" e "dissimulação" da Direita.
Não é preciso ser profeta para saber que essa luta se desenvolverá. E, nessa luta, podem contar com o PCP, com a CDU", afirmou Jerónimo de Sousa, comentando o reforço do número de eleitos da CDU, que conseguiu eleger pelo distrito de Faro.
Jornal de Notícias
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Foi o único discurso mobilizador que se ouviu ontem. Com o futuro parlamento transformado em caixa de ressonância da nova maioria da direita - uma simples Repartição Geral do governo - a luta vai desenrolar-se noutros palcos, quando os portugueses começarem a percorrer a via sacra desenhada pela troika. E é nessa luta que devem concentrar-se todas as energias. 

A declaração assassina que levou Sócrates à derrota!...

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domingo, 5 de junho de 2011

Notas do meu rodapé: Claro que o país vai mudar, mas para pior...


Relvas: "É clara a vontade de mudança do País"
O secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, reagiu esta tarde 'a quente' às projecções das televisões dizendo que "é inequívoco e claro a vontade de mudança do País".
O dirigente 'laranja' disse haver "o reconhecimento de um projecto de mudança" para o País, e agradeceu "a todos os portugueses" pelo resultado do seu partido.
Diário de Notícias
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Claro que o país vai mudar. E muito, mas para pior! Depois de ter saído da minha assembleia de voto, e prevendo a vitória eleitoral da direita, comentei para uma pessoa amiga que a maioria dos eleitores iria arrepender-se da decisão tomada no dia de hoje. Se é que já não está arrependida. É claro que estou a referir-me àqueles eleitores da classe média, que, constituindo a principal franja populacional, sobre a qual vai recair, com desmesurado impacto, o peso da crise, foi votar nos seus futuros carrascos. Enquanto o Partido Socialista, que José Sócrates transformou numa ruína ideológica, fazia uma larga curva para chegar a um objectivo impopular, o PSD vai pretender fazer esse mesmo caminho em linha recta. É certo que a governação não vai ser fácil, quando os portugueses, tal como os gregos, descobrirem a fraude de que estão a ser vítimas.
A democracia não se esgota num acto eleitoral. A democracia também se exerce na rua e nas empresas, quando os políticos exercem o poder em benefício de interesses alheios ao bem comum. E a aceitação humilhante da ingerência externa, a impor condições leoninas, como se Portugal fosse um protectorado da União Europeia, não é do interesse do bem comum. Por isso, é necessário combatê-la. 

Um Poema ao Acaso: O tempo do sol se pôr - André Domingues


O tempo do sol se pôr

Pedes-me que vá contigo ver a tarde rebentar, assistir a um
espectáculo único, em estreia absoluta numa praia bem afastada da
cidade e de toda a máquina de má-criação ocidental, um filme
propositadamente mudo projectado em céu aberto, com uma
narrativa demasiadamente linear e efeitos sonoros arcaicos, apesar
de apresentar um elenco de luxo, entre estrelas prematuras e luas
célebres pela sua perspicácia ornamental. Pedes: por favor, vem ver
comigo a tarde rebentar, a tarde rebentar, a tarde rebentar, o teu
telefone dá eco, mas o eco é só uma reflexão do som, nada mais,
não tem substância, sentido, não é nenhum indício de nada, eu é
que ouço tudo multiplicado, vejo tudo multiplicado, sinto tudo
multiplicado, agora, com o meu telefone a arder nas mãos e os uivos
transparentes do desejo que a tua voz adoça com coragem, agora
que tu pedes em demasia, agora que me amarras ao valor
acrescentado da tua chamada, pedaços de linhas trocadas e restos
de álcool nas sílabas onde o sol demora a entrar, agora que me
espancas com um convite apesar de tudo simpático, não fosse o
facto de ocultar a bomba atómica debaixo de tanta metáfora
desinteressada e um cheiro forte a ganância, realce e convicção.
A partir de determinada altura, já não pedes, persuades. A tua voz é
uma câmara fechada, onde o eco corrige as suas perfurações com
sangue e óleo de sândalo. A tua voz é perfeita, porque é
performática. A tua voz elabora um pão minúsculo, altamente
aliterado, que eu como, sílaba a sílaba, sem dar por nada. A a sua
assimilação é imediata e rapidamente entra o sol em circulação. O
pão tem a informação essencial que o teu pedido verbal transporta e
explora em metáforas, com a excepção de actuar directamente
sobre o meu sistema nervoso central, e suspender-me como uma
droga suspende os membros e a resposta mais provável.
As reticências não duram eternamente, a tarde vai-se afundando e é
preciso que eu diga qualquer coisa entretanto, mas eu continuo
calado, tão calado como um afogado entrevistado em plena acção,
Então? Anda lá. Passas primeiro por minha casa?, e eu, com a boca
cosida, cheia de palavras derrubadas, aftas, pequenos cadáveres
monumentais, eu murmurei qualquer coisa incompreensivelmente
cómica, numa língua que nunca soube falar. Foi então que tu
tomaste o meu grunhido como um sim (também o meu telefone dava
eco, disseste, para terminar) e incluíste no silêncio final um “Até
já” sonâmbulo, e foi também então que a chamada caiu
desamparada e os pontos que eu tinha nos lábios desapareceram,
sem mais, e o ser voltou ao seu lugar.
André Domingues
In blogue "Do Amor Mau"

La llorona-Chabuca Granda

sábado, 4 de junho de 2011

sexo no futuro

Agradecimento


O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento ao Rui Jesus, pela sua decisão de se inscrever como amigo deste blogue.

CP dá carros de luxo a gestores


Presidente da CP, José Benoliel, usa, segundo o relatório
do Governo da firma, um Mercedes E220CDI Elegance.
Fotografia e legenda do Correio da Manhã

A empresa do Estado tem um prejuízo de 195 milhões de euros, Mas cinco gestores tem frota automóvel de luxo que custa mais de 55 mil euros.
O "Correio da Manhã" escreve que cada um dos cinco administradores da CP - Combios de Portugal, empresa pública com um prejuízo superior a 195 milhões de euros e uma dívida hsitórica de 3,3 mil milhões de euros, tem um Mercedes da firma para utilização pessoal.
Os carros de luxo foram, segundo o relatório do Governo da Sociedade da CP de 2010, adquiridos em regime de renting em 2008, altura em que o prejuízo desta firma do Estado já ultrapassava os 190 milhões de euros. Em 2010, a CP (gastou) 55.720 euros com as rendas destes cinco automóveis.
Diário de Notícias (Revista da Imprensa)
***
Eu até concordo. Ficava muito mais caro construir ferrovias, até às residências de cada um dos administradores...

Bruxelas anuncia novo pacote de ajuda à Grécia


O novo pacote de assistência financeira à Grécia, confirmado hoje pelo presidente do eurogrupo, Jean-Claude Juncker, vai ser suportado por uma contribuição-base voluntária dos bancos credores do país. Por conhecer está o montante do novo empréstimo, mas já a certeza, também, de que Atenas vai receber a quinta tranche do actual pacote de ajuda.
As autoridades externas acabaram por aceder ao envio dos 12 mil milhões de euros no próximo mês, mas reclamando como contrapartida serem ainda acertadas agulhas quanto às modalidades do reembolso do empréstimo e mantendo a exigência de Atenas avançar rapidamente com um amplo processo de privatizações.
PÚBLICO
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Seria conveniente que o senhor Jean-Claude Juncker e os seus pares começassem já a pensar num novo pacote de ajuda (empréstimo suplementar) para o próximo ano e que o governo patriótico grego diligenciasse imeditamente a venda em pacote do Partenon e da Acrópole, como eu há dias aconselhei. Quanto ao povo grego, exportem-no para a Turquia. Assim, já ficarei a saber que, quando chegar a vez de Portugal, irei para Marraquexe, em Marrocos.

Marchas populares começaram “maratona” para conquistar público e júri no Pavilhão Atlântico

Fotografia do PÚBLICO

As mais de duas mil pessoas que assistiram ontem à noite às marchas populares não foram suficientes para ocupar todos os lugares do Pavilhão Atlântico, em Lisboa, mas bastaram para mostrar o entusiasmo das claques e acentuar o nervosismo dos participantes.
PÚBLICO
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Vá lá! A troika ainda deixou uma margem para o povo se divertir. Para o ano vai chorar.
http://publico.pt/Local/marchas-populares-comecaram-maratona-para-conquistar-publico-e-juri-no-pavilhao-atlantico_1497471

Psiquiatra acusado de violação suspenso por dois meses (!)


Se tivesse sido acusado de violar a doente numa instituição pública, o psiquiatra do Porto - que foi condenado a uma pena suspensa de cinco anos de prisão, em primeira instância, mas depois absolvido pelo Tribunal da Relação - seria, em princípio, expulso da função pública por infracção disciplinar (diz a Inspecção-Geral das Actividades de Saúde).
... (O médico)... Depois de ter sido condenado em primeira instância a cinco anos de prisão e a uma indemnização de 30 mil euros, foi posteriormente absolvido pela Relação do Porto, uma decisão que originou grande controvérsia, até porque um dos três desembargadores discordou.
PÚBLICO
***
E se a violação tivesse ocorrido numa instituição de saúde público-privada?
A partir daqui os médicos já ficam a saber que só podem "foder" as doentes nos seus consultórios privados, e, preferencialmente, no norte do país.

Um Poema ao Acaso: Um dentista - Gonçalo M. Tavares


Um dentista

Conheci num poema de Auden
um dentista reformado que se pôs a pintar montanhas.
Pintou trinta e três montanhas como os pintores de parede
pintam trinta e três paredes. Depois parou, limpou o suor da testa,
pediu um copo de vinho e uma mulher, e despiu-se, embriagado,
fazendo sexo como um dentista
e não como um pintor de montanhas.
E se pensas que uma e outra forma de tocar numa mulher
são idênticas, então deves ler mais poesia.
Gonçalo M. Tavares

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Não votar nos partidos do arco da traição é uma medida da Higiene Pública




Transcrevo um comentário que deixei num blogue de um amigo:
"Votar nos partidos do arco da traição significa legitimar a abjecta intervenção da troika e passar uma esponja por um passado de políticas erradas e erráticas, conduzidas por políticos desonestos e incompetentes. Votar no PS, PSD ou CDS é condenar Portugal à miséria e subordiná-lo à feroz ditadura do capitalismo financeiro internacional. Votar num desses partidos é repetir o filme da Grécia, cujo povo está condenado a um sofrimento atroz, sem um fim à vista, e que, isoladamente, não poderá libertar-se da chantagem da UE".
Alexandre de Castro

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Comissão Europeia gastou oito milhões de euros em festas e jactos privados

Durão Barroso terá gasto 28 mil euros numa estadia de 4 noites em Nova Iorque
Fotografia e legenda do PÚBLICO

Enquanto exige aos países da zona euro mais austeridade para reduzir o défice, a Comissão Europeia (CE) não tem refreado os seus próprios gastos. De acordo com uma investigação jornalística, os comissários europeus gastaram cerca de oito milhões de euros em jactos privados, festas e férias luxuosas.
PÚBLICO
***
A classe política das democracias dos países ocidentais herdou as taras da aristocracia europeia do tempo de Luís XIV. Era uma aristocracia insaciável na obtenção de prebendas e privilégios, enquanto povo se arrastava numa vida miserável, e que perseguia obstinadamente a ideia de imitar a vida luxuosa do Rei Sol. A ultrapassar os dirigentes políticos das instituições europeias, neste espectáculo indecente de ostentação perdulária, à custa do erário público, apenas se conhecem os boçais ditadores africanos, quando visitam a Europa ou os EUA, mas que ainda não perderam o hábito de cuspir para o chão,  tal como o faziam quando viviam na palhota. e exibindo uma superior indiferença pela conspurcação provocada nos ladrilhos de mármore e nos tapetes persas dos seus palácios. Os dirigentes das instituições europeias não viveram na palhota. Também já não cospem para o chão. Agora cospem para o ar e assobiam para o lado, dizendo que os gregos, os portugueses e os irlandeses vivem acima das suas possibilidades.

Conto: ESCREVER (AS AGONIAS DE) - Carlos Teixeira Luís


ESCREVER (AS AGONIAS DE)

Se não contas nenhuma história, de que falas? Se contas uma história, onde estão os personagens? Quem são eles? São só personagens? Não são pessoas? Então porque achas que alguém te vai ler? Se for teu amigo, vai ler-te ou não, vai felicitar-te mas não vai continuar a ler-te, vai apenas continuar a ser teu amigo, não achas? Os melhores leitores são sempre as pessoas que não nos conhecem, porque os que nos conhecem, porque haverão de nos ler, se já nos conhecem, não é verdade? Porque haveremos de vender livros aos amigos se eles não nos lêem?
Se não consegues fazer uma frase perfeita, porque não fazes duas quase perfeitas? Se escreves uma metáfora em dois segundos, porque carga de água achas que ela nunca foi escrita? Se te achas um génio da escrita, então não sabes que génio é alguém que é diferente e consegue fazer coisas que a grande maioria não consegue, e que surge só de vez em quando, assim de cem em cem anos? Se te achas um génio, não será isso, uma evidência que não o és? Vê a história, todos os Cristos que se diziam Cristos, nenhum deles era Cristo, e só houve um e nunca se identificou a si próprio mas foram os outros que o fizeram, não consegues tirar uma lição disto? Porque não vais para casa e escreves menos mas melhor? Se não sai nada de jeito porque insistes em ser poeta ou escritor se não o és, na realidade? Porque insistes? Ao menos, sê feliz.
Carlos Teixeira Luís
(Jan. 11)

O desfile carnavalesco da barbárie?!

Jovem agredida com violência em Benfica (vídeo)
*
Espancamento a fuzileiro na Escola de Fuzileiros gravado em video !!!
*
Que tipo de país é este? Que tipo de sub-cultura está a contaminar os jovens portugueses? Perante o assombro e a indignação, os portugueses interrogam-se sobre o novo fenómeno da violência gratuita entre os jovens e a sua mediatização. Alguma coisa está errada na sociedade. Teoricamente, muitas serão as causas deste anormal comportamento. É urgente identificá-las.

Enfermeiros querem poder receitar alguns medicamentos e exames

Bastonária da OE Maria Augusta Sousa

A Ordem dos Enfermeiros (OE) vai propor ao poder político que os profissionais de enfermagem possam receitar medicamentos, exames complementares de diagnóstico e ajudas técnicas em determinadas circunstâncias, à semelhança do que já acontece em vários países, como Espanha, Estados Unidos e Inglaterra.
PÚBLICO
***
Que me desculpem os meus amigos enfermeiros, que são muitos, mas eu discordo em absoluto com a proposta da Bastonária da O.E, que aponta para a possibilidade de se outorgar capacidade de prescrição de medicamentos aos enfermeiros . A não ser que se pretenda transformar estes profissionais em médicos de 2ª classe, o que seria pouco dignificante.
Os enfermeiros são hoje profissionais altamente qualificados, cujo trabalho é imprescindível na área da prestação de cuidados de saúde. A sua profissão tem especificidades próprias, que as outras profissões da área da saúde não possuem, e são estas especificidades que devem ser valorizadas e dignificadas, para que esta nobre profissão obtenha o reconhecimento público que merece. Fazer diagnósticos clínicos e prescrever medicamentos são competências que se adquirem nos cursos de Medicina e nos internatos médicos das diversas especialidades médicas, e que se revestem de uma grande complexidade técnica e de uma grande responsabilidade deontológica, que não pode ser banalizada. Partilhar as competências de decidir sobre a "necessidade de reavaliação do diagnóstico", como afirma a Bastonária, e de prescrever medicamentos, significa promover a diluição das responsabilidades deontológicas e provocar o desencadeamento de um desnecessário conflito de interesses profissionais.
Afirmou a Bastonária, "Se o enfermeiro verifica que a terapêutica de um doente crónico está de acordo com a prescrição médica e não há necessidade de reavaliação do diagnóstico, faz sentido que [o paciente] tenha que ir de novo a uma consulta?", pergunta à qual eu respondo com outra pergunta: O que está lá a fazer o médico?
Espero que, no futuro, os auxiliares de enfermagem não venham reivindicar o exercício de algumas funções, que pertencem em exclusivo ao múnus da enfermagem.
Presumo que as grandes preocupações profissionais dos enfermeiros não sejam as de pretender prescrever medicamentos.
http://publico.pt/Sociedade/enfermeiros-querem-poder-receitar-alguns-medicamentos-e-exames_1497118

Na vida dos hominídeos eles ficavam, elas vinham, sugere estudo da Nature


Fotografia do PÚBLICO

Há mais de um milhão de anos, na savana situada no que é hoje a África do Sul, os grupos de hominídeos teriam uma história de vida diferente consoante fossem machos ou fêmeas. Um estudo publicado esta quarta-feira na Nature sugere que enquanto os hominídeos masculinos mantinham-se no mesmo habitat desde que nasciam até à morte, as fêmeas teriam crescido num local diferente e acabavam por morrer noutra região.
PÚBLICO
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Bem me parecia que elas foram sempre muito vadias!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Leonard Cohen vence Prémio Príncipe das Astúrias das Letras



Leonard Cohen foi distinguido com o Prémio Príncipe das Astúrias das Letras. O compositor e intérprete canadiano foi também nomeado para o Prémio Príncipe das Astúrias das Artes pelo seu trabalho como músico.
O júri constituído pelos escritores Andrés Amorós, Juan José Armas Marcelo, Fernando Sánchez Dragó e Berta Piñán e pela directora do Instituto Cervantes, Cármen Cafarell, destacou a riqueza das letras das músicas de Cohen, assim como os seus trabalhos e livros publicados.
PÚBLICO
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A minha singela homenagem a Leonard Cohen
"De uma carta que escrevi a uma amiga sobre Leonard Cohen:
O percurso de Leonard Cohen é apaixonante, e eu, confesso, não o conhecia. Judeu, canadiano, educado por mulheres, um pai ausente, brilhante aluno no liceu, culto e inteligente, iniciou a sua actividade intelectual como poeta, atingindo alguma notoriedade. Depois, abandonou os poemas, que não lhe sustentavam a vida, e inicia a sua brilhante carreira musical, como compositor e intérprete. Viciou-se nas drogas e amou obsessivamente algumas mulheres, principalmente Marianne, a quem dedicou uma das suas emblemáticas canções".

Dance me to the end of love, LEONARD COHEN

Um Poema ao Acaso: Qualquer sistema - Leonard Cohen


Qualquer sistema

Qualquer sistema que façam sem nós
será derrubado
Já os avisamos antes
e nada do que construíram ficou de pé.
Ouçam enquanto se debruçam sobre os vossos planos
Ouçam enquanto arregaçam as mangas
Ouçam mais uma vez
Qualquer sistema que façam sem nós
será derrubado
Têm os vossos medicamentos
Têm as vossas armas
Têm as vossas Pirâmides, os vossos Pentágonos
Com toda a vossa erva e balas
já não podem caçar-nos
Tudo o que revelaremos sobre nós
será este aviso
Nada do que construíram ficou de pé
Qualquer sistema que façam sem nós
será derrubado
Leonard Cohen, Poemas e Canções

O Partenon já está à venda!


Na Grécia, a situação vai de mal a pior, e já se fala numa intervenção externa para gerir o processo das privatizações e o problemático sistema fiscal. Trata-se de um colonialismo de novo tipo, que prefigura um grave recuo civilizacional. Se a situação não fosse tão trágica para o povo grego, eu atrever-me-ia a ironizar a situação, aconselhando o governo de Atenas a vender o Partenon e a Acrópole aos alemães. É certo que daqui por dois anos, Portugal também terá de vender o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém, o Cristiano Ronaldo e o Mourinho. Por isso, não podemos ficar descansados e pensar que o mal só acontece aos outros.

Estatística do Alpendre da Lua - Maio de 2011

Clicar duas vezes na imagem
Nº de visitas mensais
 
Visitas diárias de MAI 11

Visitas dós últimos sete dias de MAI 11 

O Alpendre da Lua registou neste mês de Maio mais um record de visitas (6.254), verificando-se um ligeiro crescimento em relação aos dois meses anteriores. A quinze dias de completar dois anos de adesão ao sitemeter, o Alpendre da Lua já recebeu, até ao final do dia de ontem, 56.168 visitas. Estes resultados são considerados satisfatórios e traduzem bem a adesão dos leitores a este projecto editorial, adesão essa que se agradece.
O Editor

terça-feira, 31 de maio de 2011

Um Poema ao Acaso: Discussão - Mário Henrique Leiria


Discussão

- Desconfio que a democracia não resulta. Juntam-se astronautas,
bodes, camponeses, galinhas, matemáticos e virgens loucas e
dão-se a todos os mesmos direitos.
Isso parece-me um erro cósmico. Desculpa.

Desculpei mas fiquei ofendido. Que a democracia era aquilo
mesmo, e ainda com conversa fiada como brinde, isso sabia eu.
Que mo viessem dizer, era outra coisa.
Fiquei ainda mais ofendido, até porque não gosto de erros cósmicos.
Acho um snobismo.

- Eu sou democrático - rugi entre dentes, como resposta. - Tenho
amigos no exílio, todos democráticos.
Foram para lá por serem democráticos.
É um sacrifício que poucos fazem, ir para o exílio e ser professor
universitário exilado e democrático.
Eras capaz de fazer isso ?

- Não sou democrático.

Não havia resposta a dar. Nenhuma. Ele não era democrático, não
sabia de democracia.

Eu sim, sou democrático, até já quis ir à América, que me
afirmaram que lá é que é a democracia.

Recusaram-me o visto no passaporte, disseram
que eu era comunista!
Viram isto ?

Mário Henrique Leiria
Contos do Gin-Tonic

Jovem muçulmana apedrejada até à morte


Katya Koren, uma jovem muçulmana, foi apedrejada até à morte por ter participado num concurso de beleza na Ucrânia. Os alegados autores do crime justificam o acto dizendo que a jovem violou as leis islâmicas.
Jornal de Notícias
***
Daqui a uns anos acabam-se os concursos de beleza na Europa, a não ser que as mulheres comecem a desfilar de burka e mostrando apenas o a ponta do tornozelo, o que deve ser muito excitante para os seguidores do profeta.
Que eu saiba, esta é a primeira lapidação de uma mulher em território europeu. 
Eu já escrevi aqui que ainda iria ver a raínha Isabel II, vestida com a burka.

Portugal: Duas em cada cinco crianças vivem em situação de pobreza

Percentagem de crianças em agregados familiares pobres, OCDE
 Portugal é um dos países da OCDE onde a percentagem de
crianças em agregados familiares pobres é mais elevada

Não são apenas as crianças que vivem com rendimentos abaixo do limiar de pobreza que são pobres. São também aquelas cujo bem-estar é afectado por condições de vida "deficientes" - e que, por isso mesmo, se considera que estão "em privação". É com base nesta abordagem que uma equipa de investigadores do Instituto Superior de Economia e Gestão, da Universidade Técnica de Lisboa, conclui que cerca de 40 por cento das crianças portuguesas vivem em "situação de pobreza".
Mas vamos por partes: uma em cada quatro crianças (23 por cento) estava, em 2009, inserida em famílias com rendimentos abaixo do limiar de pobreza; 27 por cento viviam uma situação de privação, tendo em conta 12 indicadores (ver entrevista). E mais de uma em cada dez (11,2 por cento) acumulava a forma mais gravosa de pobreza - estava em privação e, ao mesmo tempo, os seus agregados dispunham de rendimentos abaixo do limiar de pobreza.
PÚBLICO
***
Um dos méritos do estudo, efectuado pelos investigadores do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), reside no facto de ter alargado o conceito da pobreza infantil, não a confinando apenas às condições económicas e monetárias. O estudo valorizou também, através de doze parâmetros, as situações de privação, que apanham aquelas crianças de famílias que (ainda) não se encontram abaixo do limiar de pobreza. E aqui, vista desta perspectiva, a situação é aterradora.
A pobreza infantil aumentou ao longo da primeira década deste século, acompanhando o declínio da economia, mesmo apesar dos específicos programas das políticas sociais implementados pelo governo. Com a suspensão destes apoios, principalmente ao nível do abono de família, e com o esperado empobrecimento da população mais vulnerável, incluindo a da classe média baixa, resultante da aplicação cega das medidas draconianas, impostas pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional, o futuro de cerca de 40 por cento das crianças portuguesas vai ser dramático. Se, neste domínio, a posição relativa de Portugal, ao nível da classificação da OCDE, já não é famosa, nos próximos anos ela tenderá a agravar-se, sem que isto venha a constituir qualquer escândalo para os políticos e ara a sociedade em geral.
Já aqui escrevi que um país que não sabe tratar das suas crianças e dos seus idosos não merece existir. E Portugal aproxima-se a passos largos do limiar dessa vergonhosa condição.
Seria saudável que os dirigentes dos partidos do arco da traição, de onde irá sair o que vai executar o programa de governo da troika, lessem atentamente o estudo do ISEG e anunciassem aos portugueses como pensam lidar com esta situação.
http://publico.pt/Sociedade/duas-em-cada-cinco-criancas-vivem-em-situacao-de-pobreza_1496617

Portugal recebe hoje 1,75 mil milhões de euros de Bruxelas


Portugal recebe hoje a primeira tranche da União Europeia, no valor de 1,75 mil milhões de euros e na quarta-feira recebe mais 4,75 mil milhões de euros.
PÚBLICO
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Os dirigentes políticos dos partidos do arco da traição suspiraram de alívio. Já há dinheiro para a renovar a frota de automóveis topo de gama para os ministros do novo governo.

A Ratolândia: uma fábula exemplar

Mouseland, legendado em português
***
Este vídeo e o texto transcrito em baixo já foram objecto de publicação no Alpendre da Lua, no passado 23 de Abril, mas com tradução em castelhano. Volto agora a publicá-lo, com tradução portuguesa, na esperança de esclarecer melhor aqueles portugueses que, segundo as mais recentes sondagens, se preparam para votar maioritariamente nos partidos do arco da traição. É importante que eles compreendam a diferença, ou a ausência dela, entre os gatos brancos, os gatos pretos e os gatos malhados. A fábula é de uma exemplaridade única, e cada vez mais retrata melhor a realidade política do país.
*** 
Em Portugal, já fomos governados pelos gatos brancos, pelos gatos pretos e pelos gatos malhados. Os gatos destas duas cores até já fizeram uma coligação. Pouco a pouco foram alargando a portinha por onde se podia fugir, dizendo-nos sempre que seria para nosso bem. O que é certo é que eles já podem meter as quatro patas, para nos assaltar a bolsa.
Com esta fábula paradigmática e profundamente didáctica, Thomas (Tommy) Douglas, que exerceu cinco mandatos como primeiro-ministro do Canadá, fez uma arrasadora sátira ao sistema partidário das democracias ocidentais, e que tem a sua máxima expressão no bipartidarismo dos EUA. O poder muda de actores, mas, contudo, não muda de mãos. A sede do poder continua a residir na oligarquia financeira.
Julgo que Tommy Dougalas nem sequer tinha ideologia. Para ele a política era um meio para promover o bem-estar de toda a população. Foi por sua iniciativa que o Canadá instituiu o primeiro sistema de saúde universal e gratuito. Ele pertencia àquela estirpe de políticos que, abnegadamente, serviam o bem público sem se servirem a si próprios, o que nos tempos de hoje já é uma raridade, principalmente em Portugal.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Assim, também vou começar a fazer Yoga...

Yoga for Wine Lovers
Amabilidade da minha irmã Maria Helena e com uma dedicatória para a Renata
***
... mas prefiro utilizar um garrafão de 5 litros.

Passos Coelho não quer “tragédia grega” em Portugal


O presidente do PSD dramatizou hoje o discurso por causa da Grécia, para dizer que não quer para Portugal “a tragédia” que está a acontecer naquele país por não ter conseguido cumprir o acordo com a troika da União Europeia, BCE e FMI.
PÚBLICO
***
Que Portugal já é uma tragédia grega, e que irá ter um final trágico, nada épico, já é universalmente admitido. Falta só saber se também irá ser uma comédia. Com os actores da camarilha de Passos Coelho no governo,  até poderá vir a ser um circo de feira. Palhaços e macacos não faltarão. Eu levarei os amendoins.

Conto: UM GRANDE PORTUGUÊS - Fernando Pessoa (Ficções)


UM GRANDE PORTUGUÊS

Vivia há já não poucos anos, algures, num concelho do Ribatejo, um pequeno lavrador, e negociante de gado, chamado Manuel Peres Vigário.
Da sua qualidade, como diriam os psicólogos práticos, falará o bastante a circunstância que dá princípio a esta narrativa.
Chegou uma vez ao pé dele certo fabricante ilegal de notas falsas, e disse-lhe: «Sr. Vigário, tenho aqui umas notazinhas de cem mil réis que me falta passar. O senhor quer? Largo-lhas por vinte mil réis cada uma.». «Deixa ver», disse o Vigário; e depois, reparando logo que eram imperfeitíssimas, rejeitou-as: «Para que quero eu isso?», disse; «isso nem a cegos se passa.» O outro, porém, insistiu; Vigário cedeu um pouco regateando; por fim fez-se negócio de vinte notas, a dez mil réis cada uma.
Sucedeu que dali a dias tinha o Vigário que pagar a uns irmãos, negociantes de gado como ele, a diferença de uma conta, no valor certo de um conto de réis. No primeiro dia da feira, em a qual se deveria efectuar o pagamento, estavam os dois irmãos jantando numa taberna escura da localidade, quando surgiu pela porta, cambaleando de bêbado, o Manuel Peres Vigário. Sentou-se à mesa deles, e pediu vinho. Daí a um tempo, depois de vária conversa, pouco inteligível da sua parte, lembrou que tinha que pagar-lhes. E, puxando da carteira, perguntou se se importavam de receber tudo em notas de cinquenta mil réis. Eles disseram que não, e, como a carteira nesse momento se entreabrisse, o mais vigilante dos dois chamou, com um olhar rápido, a atenção do irmão para as notas, que se via que eram de cem.
Houve então a troca de outro olhar.
O Manuel Peres, com lentidão, contou tremulamente vinte notas, que entregou. Um dos irmãos guardou-as logo, tendo-as visto contar, nem se perdeu em olhar mais para elas. O Vigário continuou a conversa, e, várias vezes, pediu e bebeu mais vinho.
Depois, por natural efeito da bebedeira progressiva, disse que queria ter um recibo. Não era uso, mas nenhum dos irmãos fez questão. Ditava ele o recibo, disse, pois queria as cousas todas certas. E ditou o recibo — um recibo de bêbado, redundante e absurdo: de como em tal dia, a tais horas, na taberna de fulano, e «estando nós a jantar» (e por ali fora com toda a prolixidade frouxa do bêbado...), tinham eles recebido de Manuel Peres Vigário, do lugar de qualquer coisa, em pagamento de não sei quê, a quantia de um conto de réis em notas de cinquenta mil réis. O recibo foi datado, foi selado, foi assinado. O Vigário meteu-o na carteira, demorou-se mais um pouco, bebeu ainda mais vinho, e daí a um tempo foi-se embora.
Quando, no próprio dia ou no outro, houve ocasião de se trocar a primeira nota, o que ia a recebê-la devolveu-a logo, por escarradamente falsa, e o mesmo fez à segunda e à terceira... E os irmãos, olhando então verdadeiramente para as notas, viram que nem a cegos se poderiam passar.
Queixaram-se à polícia, e foi chamado o Manuel Peres, que, ouvindo atónito o caso, ergueu as mãos ao céu em graças da bebedeira providencial que o havia colhido no dia do pagamento. Sem isso, disse, talvez, embora inocente, estivesse perdido.
Se não fosse ela, explicou, nem pediria recibo, nem com certeza o pediria como aquele que tinha, e apresentou, assinado pelos dois irmãos, e que provava bem que tinha feito o pagamento em notas de cinquenta mil réis. «E se eu tivesse pago em notas de cem», rematou o Vigário, «nem eu estava tão bêbado que pagasse vinte, como estes senhores dizem que têm, nem muito menos eles, que são homens honrados, mas receberiam.» E, como era de justiça, foi mandado em paz.
O caso, porém, não pôde ficar secreto; pouco a pouco se espalhou. E a história do «conto de réis do Manuel Vigário» passou, abreviada, para a imortalidade quotidiana, esquecida já da sua origem.
Os imperfeitíssimos imitadores, pessoais como políticos, do mestre ribatejano nunca chegaram, que eu saiba, a qualquer simulacro digno do estratagema exemplar. Por isso é com ternura que relembro o feito deste grande português, e me figuro, em devaneio, que, se há um céu para os hábeis, como constou que o havia para os bons, ali lhe não deve ter faltado o acolhimento dos próprios grandes mestres da Realidade — nem um leve brilho de olhos de Macchiavelli ou Guicciardini, nem um sorriso momentâneo de George Savile, Marquês de Halifax.
Fernando Pessoa
1926
Ficção e Teatro. Fernando Pessoa. (Introdução, organização e notas de António Quadros.) Mem Martins: Europa-América, 1986

Póstroika


Amabilidade do Joaquim Monteiro (Kitó)

domingo, 29 de maio de 2011

Casualidade, causalidade - Opinião de Manuel António Pina



Casualidade, causalidade

Talvez tenha visto mal mas não me apercebi de que, como vem sendo feito na Net, algum jornal se tenha ainda interrogado sobre a sucessão de três notícias em pouco mais de dois meses que, isoladas, talvez só tivessem lugar nas páginas de Economia mas que, juntas, e com um director ou um chefe de redacção curiosos de acasos, até poderiam ter sido manchete.
A primeira, de 16 de Março, a da renúncia - dois anos antes do termo do seu mandato - de Almerindo Marques à presidência da Estradas de Portugal (para que fora nomeado em 2007 pelo então ministro Mário Lino), declarando ao DE que "no essencial, est[ava] feito o [s]eu trabalho de gestão".
A segunda, de 11 de Maio, a de uma auditoria do Tribunal de Contas à Estradas de Portugal, revelando que, com a renegociação de contratos, a dívida do Estado às concessionárias das SCUT passara de 178 milhões para 10 mil milhões de euros em rendas fixas, dos quais mais de metade (5 400 milhões) coubera ao consórcio Ascendi, liderada pela Mota-Engil e pelo Grupo Espírito Santo. Mais: que dessa renegociação resultara que o Estado receberá, este ano, 250 milhões de portagens das SCUT e pagará... 650 milhões em rendas.
E a terceira, de há poucos dias, a de que Almerindo Marques irá liderar a "Opway", construtora do Grupo Espírito Santo.
O mais certo, porém, é que tais notícias não tenham nada a ver umas com as outras, que a sua sucessão seja casual e não causal.
Manuel António Pina
2011-05-26
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Comentário: O compadrio, a promiscuidade entre o Estado e os negócios privados e a corrupção a eles associada constituem verdadeiros cancros da vida pública do país, e que o documento da troika não inventariou como uma das principais causas estruturais do descalabro a que se chegou, como muito bem afirmou Jerónimo de Sousa. Não há nenhum grande projecto, onde não apareçam fumos de corrupção, associados ao favoritismo político. Mais. A opção por alguns  desses grandes projectos obedece mais à lógica da satisfação dos interesses particulares dos intervenientes do que à nobre causa do bem público. E nenhuma economia resiste, quando os dinheiros públicos são desbaratados desta maneira escandalosa. O problema já é antigo, mas começou a ganhar uma grande dimensão com a entrada dos primeiros fundos da então CEE, tendo-se agravado na última década, com a chegada ao poder dos aventureiros políticos sem escrúpulos, cujo principal objectivo é promover o seu próprio enriquecimento pessoal, muito bem escondido nas malhas dos off shores.
Com este tipo de comportamento, que ofende a Ética e a Moral, Portugal não conseguirá sobreviver nem integrar-se no círculo dos países civilizados.

Falta uma discussão séria sobre as causas da crise...


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Inquérito às causas da crise seria "muito útil" mas sem nomear culpados
O economista-chefe do Deutsche Bank, Thomas Mayer, considera que seria “muito útil” uma investigação em Portugal às causas da crise, mas recusou um inquérito em que sejam apontados culpados.
Para Thomas Mayer, a actual situação portuguesa é o resultado de “problemas estruturais” sobretudo após a adesão de Portugal à zona euro, quando o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu à taxa média anual de cerca de um por cento.
Recentemente, um membro do Banco Central da Islândia, Gylfi Zoega, defendeu que Portugal deve investigar quem está na origem do elevado endividamento do Estado e bancos, e porque o fez.
Também o presidente da Comissão de Inquérito à crise financeira (FCIC, na sigla inglesa) do Estados Unidos, Phil Angelides, aconselhou uma investigação semelhante em Portugal e na Europa, como forma de apurar os factos que levaram à actual crise.
Em entrevista à agência Lusa, Phil Angelides considerou que a decisão de realizar a investigação sobre as causas da crise portuguesa teria utilidade para determinar com rigor a história e as responsabilidades na crise e para estimular o debate informado.
Jornal de Negócios
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A crise tem causas, como não podia deixar ser. Umas próximas, outras remotas. E também tem culpados. Uns mais do que outros. Falta em Portugal uma discussão séria e desapaixonada sobre tudo aquilo que foi feito e correu mal. E os partidos do arco da traição (PS-PSD-CDS), porque estão comprometidos, não se atrevem fazer esse trabalho. A sociedade civil, remetida ao silêncio, não reage, excluída que está da exposição mediática das televisões, que correm atrás do osso, ignorando a carne. Os portugueses vão votar no próximo domingo sem saberem as razões concretas que conduziram o país a este abismo, com o risco acrescido de votarem maioritariamente naqueles partidos que, por muitas e variadas razões, algumas bem pouco edificantes, não souberam tomar as medidas certas no tempo certo. Vamos dar o remédio ao doente sem conhecer a doença de que padece.

sábado, 28 de maio de 2011

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento à Maria Correia, pela sua decisão de se inscrever como amiga deste blogue.

Ministério da Educação paga em duplicado à Parque Escolar



Para além das escolas, também os serviços centrais do ME estão a pagar rendas à empresa.
O Ministério da Educação está a pagar rendas à empresa pública Parque Escolar pela ocupação dos edifícios da Avenida de 24 de Julho, em Lisboa, que há três anos eram sua propriedade. A Parque Escolar é uma empresa tutelada pelo ME, que foi criada em 2007 para gerir um programa de modernização das escolas secundárias. Este ano, o ministério vai pagar-lhe também cerca de 50 milhões de euros em rendas pelas 103 escolas que já foram objecto de remodelação.
PÚBLICO
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Confesso que não consigo entender esta triangulação negocial entre o Ministério da Educação, a Estamo, uma empresa pública destinada a vender a privados edifícios do Estado, e a Parque Escolar, uma empresa também de capitais públicos, constituída para requalificar e reconstruir as escolas secundárias, mas que agora aparece também como proprietária dos edifícios do Ministério da Educação, na avenida 24 de Julho. Não entendo, sobretudo, a necessidade de o Ministério da Educação alienar património à Estamo, e esta, por sua vez, fazer a mesma operação a favor da empresa Parque Escolar, passando o Estado a pagar rendas por aqueles mesmos espaços, ao mesmo tempo que vai investindo as verbas do Orçamento de Estado e da União Europeia, estas ultimas consignadas em finais de 2008, para ajudar as economias dos estados europeus a prevenir o contágio da crise dos bancos americanos. 
No entanto, já se começa a saber que a adjudicação destas obras tem apresentado muitas irregularidades, beneficiando-se certas construtoras, certos gabinetes de arquitectura e certos fornecedores. Algumas obras são faraónicas e luxuosas e de manutenção caríssima, como se pode concluir, através dos depoimentos insertos no vídeo.
Ou eu me engano muito, ou estamos perante uma complexa e bem disfarçada operação, de contornos ainda pouco claros, e que se destina a promover no futuro a privatização das escolas intervencionadas. Já agora, privatizem também o Ministério da Educação e o próprio governo. Mas despeçam o primeiro ministro e o ministro das Finanças com justa causa.

É necessária uma mudança revolucionária!...


Conto: Lar de putas (revisitado) - por Pastor Flores


Lar de putas (revisitado)



Nas casas de putas sentia-me sempre como se estivesse em casa. O pior era sempre ter odiado estar em casa. Seria fácil dizer que me sentia nela como se estivesse numa casa de putas. Mas não era verdade. Era mais como se não sentisse nada.
Onde sentia alguma coisa de verdadeiro era na casa da Madame L., a dona do meu lar de putas favorito. Raro era o dia em que não lá ia, nem que fosse para me sentar um pouco na sala de espera, naqueles sofás de veludo dos anos oitenta, a ver telenovelas brasileiras com rameiras de todas as nacionalidades.
Claro está que eu tinha por lá uma namorada. Saía-me bem cara. Apesar de manter intacto o sentido do ridículo, apurado por muitos anos de gim puro em noites impuras, estou certo de que ela apreciava a minha companhia.
Sorria sempre que me via.
- Oi! Estás por cá hoje? Sempre vieste? E eu ia sempre. Estava sempre por lá. Quando estava mais alegre, tratava-me por amor. E eu dizia-lhe que um dia casaríamos os dois, mas ela nunca alimentava essas brincadeiras.
Não só os putanheiros têm códigos. As putas também têm. E a primeira delas é nunca casar com putanheiros. O nome dela era Cyndie. Era com ela que eu gastava os meus princípios de noite e finais de ordenado. Ia sempre com ela, assim ela não estivesse ocupada. Mas, por vezes, ela estava mesmo ocupada e eu tinha que voltar ao sofá e às novelas brasileiras, acompanhado pelas outras putas em espera e pela Madame L., com quem trocava as conversas mais familiares.
Uma certa vez, porém, a Cyndie não estava disponível por ter ido para o quarto principal com três japoneses. Três japoneses. Não sei se foi da falta do gim, mas aquilo bateu-me. Incomodou-me. Senti verdadeiros ciúmes e reconheci-me num papel meu já quase esquecido. Era tudo familiar para mim. Mas, ainda assim, consegui domesticar os sentimentos e manter-me focado.
Para me vingar, resolvi traí-la também. Fui com uma das suas melhores amigas. Como não gosto de incomodar, esperei até que acabasse a telenovela e fui com ela para o quarto dos fundos, ouvindo risos a quatro, ao passar pelo quarto principal.
Podem gozar, mas não fui capaz de fazer mais do que falar. A privação do gim sempre me deu para falar. E aparentemente também me deu para a emoção, porque dei comigo a chorar. Ela ouviu-me por respeito, pois eu não era um qualquer por ali, mas nada tinha para dizer. Não fiquei sequer meia hora e saí cá para fora.
No quarto principal não se ouvia nada, agora. Abrandei o passo ao passar por ele e apurei os ouvidos. Nada. Silêncio.O pior foi depois, quando fui pagar. Sim, eu tinha regalias especiais por jogar em casa, podia pagar no fim e não no início. No fundo era como as relações normais entre namorados.
Só que nesse dia, entretanto virado noite, esse privilégio transformou-se num problema. O cartão multibanco deu de si. Não deu dinheiro. E eu já tinha consumido o que lá tinha ido consumir, ainda que, neste caso, sem qualquer consumação.
Disfarcei, dizendo que não era por falta de dinheiro. Era por causa de tudo, menos por falta de dinheiro. Era por culpa dos bancos, da crise económica mundial, do subprime, mas não por falta de dinheiro. É que a segunda regra das putas é muito clara: não dar crédito aos putanheiros que não tenham dinheiro.
Mas a Madame L. não se impressionou. Essa é a terceira regra das putas. Nunca se impressionarem. Deu-me duas opções. Ou ia, com alguma das suas putas levantar dinheiro, ou deixava lá algum documento para servir de garantia de que voltava, depois de levantar dinheiro. É bom ter opções. O mal é quando não tens opções. Quando tens opções tens tudo. Assim tenhas dinheiro.
Procurei pois alegar, que era um cliente habitual, recorrendo a uma intimidade que ela parecia desconhecer. A frieza do discurso dela fez-me perceber que não era a primeira vez que ela o aplicava. Não era propriamente virgem neste tipo de situação. E tesos entesados é que não faltam neste mundo de gajos marados e sem lar.
- Mas eu alguma vez deixei de cá vir? - perguntei-lhe, pensando que, talvez, desta feita, não voltasse mesmo, porque não tinha já dinheiro na conta, nem crédito no cartão. Mas ela não me passou cartão nem me deu crédito, também.
Havia uma certa coerência em toda a situação, reconheço.
- É como te digo! Tens duas opções. E nem é por mim. São as regras da casa. E daqui não sais sem pagar - disse a Madame L., seca e fria como as suas próprias peles.
Era assim que me tratavam, logo ali, logo em casa? E foi então que lhe disse:
- O pior é alguém convencer-se de que está em casa e depois alguém o lembrar de que não está! Aí a Madame L. voltou a sorrir e disse-me que eu podia não estar em casa, mas que, se cumprisse as regras, seria sempre muito bem-vindo.

Pastor Flores, In Nunca Nada Ninguém

Protestos populares conta Sócrates num comício do PS em Faro

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Para José Sócrates, protestar já é antidemocrático! É um mau sinal.

Carlos Coelho no Prós e Contras - Maio 2011

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Trata-se de um discurso muito idealista, este, o de Carlos Coelho, mas não deixa de ser cáustico para com um Estado que se distancia cada vez mais do cidadão, e que vive sobre si próprio, com regras muito próprias, como se não fizesse parte do corpo social. Neste sentido, e embora legitimado por sucessivas eleições, cujas campanhas assentam na desinformação e no espectáculo circense, onde não faltam os gladiadores, poder-se-á falar de um Estado cada vez mais totalitário, que no seu afã de querer controlar tudo, acaba por não controlar nada. Mas o mais dramático, é aquela ideia difusa, que começa a tecer as dúvidas dos portugueses, de que o Estado já foi capturado pelas diferentes corporações e pelos grandes grupos económicos e financeiros, numa teia muito complexa de cumplicidades e de interesses cruzados, altamente lucrativos para os intervenientes, o que leva inexoravelmente à degradação da democracia.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Estado volta a "congelar" juros dos Certificados do Tesouro a subscrever em Junho


O Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP) anunciou hoje as taxas de juro de remuneração dos Certificados do Tesouro (CT), para as subscrições a fazer em Junho, continuam "congeladas". Esta decisão, de certa forma já esperada, mantém inalterados os juros do produto de poupança do Estado pelo terceiro mês consecutivo.
Assim, tal como já aconteceu em Abril e Maio, a taxa máximo, para aplicações a 10 anos, fica nos 7,10 por cento (ilíquidos). Para o prazo de cinco anos mantém-se em 6,80 por cento e entre o primeiro e quinto ano a remuneração é de 2,10 por cento.
Os CT foram criados para acompanhar a evolução dos juros no mercado secundário da dívida pública, que têm continuado a subir, mas o IGCP alegou, em finais de Março, o "congelamento" da taxa de remuneração, alegando que o mercado estava a funcionar de forma “disfuncional.
No mercado secundário, as taxas a 10 anos estão próximas dos 10 por cento e a cinco anos estão acima dos 11 por cento.
PÚBLICO
***
O Estado não é uma pessoa de bem. Quando a situação não lhe é favorável, muda de regras a meio do jogo. Se as taxas de juro corressem em sentido inverso, ou seja, se descessem, rapidamente oa zelosos dirigentes do Instituto de Gestão do Crédito Público decretariam a correcção em baixa da retribuição daqueles instrumentos de poupança (crédito ao Estado), destinado a particulares.
Percebe-se, e o mesmo se passa com os populares certificados de aforro, que o Estado pretende defender os interesses dos bancos, estimulando a tranfarência para aquelas instituições financeiras das poupanças dos portugueses, que estavam à sua guarda. Mais um caso de nepotismo execrável deste governo, que não respeita a sua palavra, vertida na lei.
http://economia.publico.pt/Noticia/estado-volta-a-congelar-juros-dos-certificados-do-tesouro-a-subscrever-em-junho_1496314

Ainda se foi a tempo de evitar a bancarrota!...


Cheque do FMI relativo à primeira tranche do empréstimo a Portugal ainda foi assinado por Dominique Strauss-Kahn. Que sorte!
Amabilidade do João Fráguas 

AVISO SÉRIO - BURLA NO MODELO E JUMBO

A polícia ainda não conseguiu identificar as autoras deste crime e não se sabe se são sempre as mesmas

Com a indicação de publicação urgente, um meu amigo enviou-me por email esta mensagem, cujo conteúdo é de arrepiar:

Cuidado, que não vos aconteça como já me aconteceu a mim.
Aviso-vos de uma burla que estão a fazer por estes dias e na
qual está a cair bastante gente. Fazem-na nos parques de
estacionamento do Continente, do Jumbo e de outras grandes
superfícies.
O truque funciona assim: duas miúdas muito giras, entre os 20
e os 25 anos, aproximam-se do carro enquanto guardas as tuas
compras no porta-bagagens. Começam então a limpar-te o
pára-brisas com esponjas deixando sair dissimuladamente uma
mama das suas camisas muito apertadas.
Quando, no final, para lhe agradeceres, tentas dar-lhes uma
gorjeta, elas recusam e pedem em troca que as leves a algum
local perto. Se aceitas, elas entram no carro e sentam-se nos
bancos traseiros. Enquanto conduzes, começam entre elas a
fazer jogos lésbicos. Quando chegas ao local, uma delas,
fazendo-se de agradecida, entra para o banco da frente,
despe-se, beija-te, acaricia-te e pratica sexo oral contigo
enquanto a outra, sem que te dês conta, te rouba o pão e
os iogurtes que estão no porta bagagens.
Com este esquema engenhoso, já me roubaram as compras na
sexta-feira passada, no sábado, no domingo, 2 vezes na
segunda-feira, esta manhã e muito provavelmente também
amanhã à tarde, se eu tiver tempo...
Depois não digam que eu não vos avisei!!!!!!!!!!
É QUE O PERIGO REAL, ANDA MESMO À SOLTA!!!
PROTEJAM-SE!!!