domingo, 25 de janeiro de 2015

Syriza ganhou as eleições e pode chegar à maioria absoluta. Neonazis prestes a assumir-se como 3.ª força


A coligação da Esquerda Radical (Syriza), que esteve sempre à frente das sondagens, é a vencedora das eleições de hoje. O Aurora Dourada (extrema-direita) está em terceiro lugar quando estão 52,59% dos votos apurados.

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A agressiva política de austeridade, concebida pela Alemanha e servilmente executada pela UE, sofreu uma clamorosa derrota. E logo, pela via eleitoral, o que não deixa margem de manobra aos austeritários do costume, que já não podem diabolizar quem não se perfila, em rigoroso respeitinho, perante o seu totalitário pensamento único. É certo que nós ainda não sabemos se Alexis Tsipras será capaz de manter a firmeza necessária para, sem tibiezas e manobrismos, dar a cara pelos desafios que as suas promessas eleitorais exigem, e que são difíceis. O povo grego vai querer resultados palpáveis, ao nível das questões centrais, a renegociação da dívida e o fim da penosa austeridade, uma austeridade selvagem e humilhante, que levou ao enriquecimento dos mais ricos e ao empobrecimento dos segmentos populacionais mais vulneráveis, incluindo as classes médias, que já vivem no limiar da pobreza. A fome, na Grécia, não é uma metáfora. É uma realidade brutal, em expansão. Os jornais já noticiaram os casos de mulheres grávidas sub-alimentadas e crianças que vão em jejum para a escola.
O fracasso ou o êxito de Alexis Tsipiras será também o fracasso ou o êxito daquela parte da Europa que está a lutar contra as políticas da austeridade, o que quer dizer que o futuro primeiro-ministro grego tem uma dupla responsabilidade. Perante o povo grego, que o elegeu, e perante os europeus da verdadeira esquerda (sem rebuços, excluo da definição de esquerda o PS e todos os partidos filiados na Internacional Socialista, pela simples razão de que fazem parte do problema e não da sua solução), que nele depositaram muitas expectativas.

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