sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Notas do meu rodapé: Anemia da economia portuguesa difícil de curar...


Exportações aumentam apenas 1,7%, importações crescem 3,3%
As exportações de bens aumentaram apenas 1,7% em termos acumulados e nominais no período de janeiro a novembro de 2014 face aos mesmos 11 meses de 2013, indicou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE). As importações engordaram 3,3%.
… Já as importações totais acumuladas até novembro mantiveram o ritmo na casa dos 3%. De janeiro a novembro de 2014 comparado com igual período do ano precedente, o aumento foi de 3,3%.
Assim, até novembro, Portugal exportou no total dos 11 meses em análise 44,4 mil milhões de euros, mas comprou ao estrangeiro 54,1 mil milhões de euros, o que coloca o défice comercial (diferença entre exportações e importações) nos 9,6 mil milhões de euros.
Ora, isto representa uma degradação da posição externa já que o mesmo défice de 11 meses em 2013 foi de 8,6 mil milhões. Há, pois, uma deterioração de mil milhões.

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O programa de ajustamento da troika partiu do enganador pressuposto de que a sustentabilidade da economia portuguesa seria conseguida, a médio prazo, com uma aposta vigorosa no aumento das exportações de bens e serviços e na desvalorização salarial (na altura, não assumida diretamente), através da aplicação musculada de uma apertada política de austeridade, que então foi anunciada como sendo de curta duração. A desvalorização salarial está a fazer o seu percurso, atingindo já os vinte por cento, e sabendo-se também que a ideia é atingir os trinta por cento, para que o respetivo nível salarial, terceiro-mundista, permita obter a competitividade que o nível modesto de desenvolvimento tecnológico não consegue. Mas, por sua vez, as exportações, depois de um período de euforia inicial, que serviu para fazer o festim da glorificação do governo, começaram a derrapar. Sem a Auto Europa e sem a Galp, a economia portuguesa, devido ao seu atraso tecnológico, que impede um aumento do valor acrescentado, não revela capacidade de ser competitiva, face ao exterior, mesmo beneficiando da desvalorização salarial em curso. Por isso, na perspetiva dos gestores, dos economistas neoliberais e dos políticos de direita, será necessário aplicar mais austeridade. Trata-se de impor ao país uma política de baixos salários, em vez de uma política de desenvolvimento, que é o que o país precisa. Asfixia-se o país, em vez de o desenvolver.
No desenho do programa de ajustamento, na avaliação da situação, foram cometidos dois erros. O primeiro diz respeito ao leviano otimismo, por parte da troika e do atual governo, em relação à evolução da economia europeia (principal destino das exportações nacionais), que outros políticos e economistas, não enfeudados ao sistema, contestavam. Hoje, a realidade mostra que a economia europeia está a passar por um período de recessão, ao mesmo que existe a ameaça de entrar num grave e longo período daflacionário, o que será um problema acrescido para Portugal e para a Grécia, países que vão ter, a médio prazo, grandes dificuldades de financiamento externo.
Nesta perspetiva, o horizonte para a próxima década apresenta-se muito sombrio para os portugueses, principalmente, para os trabalhadores,  desempregados e pensionistas.
AC

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