quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O perdão de 50 por cento da dívida soberana grega é uma enorme fraude

Polícia grega carregando sobre os manifestantes
Os dirigentes europeus e a imprensa ocidental lançaram foguetes de satisfação com a notícia de que teria sido decidido  uma redução de 50 por cento da dívida soberana grega aos credores particulares (bancos),  que totaliza o valor de 100 mil milhões de euros. Por outro lado, pretendeu-se dar um sinal para o exterior, para consumo das opiniões públicas, de que do principal centro de decisão da União Europeia, o Conselho Europeu, também saíam orientações solidárias para com a Grécia, que tão massacrada está a ser com as brutais medidas de austeridade.
No entanto, as coisas não são bem assim. No acordo que saiu da cimeira da UE, verifica-se que se  procedeu à transferência dos créditos dos bancos para a troika (FMI-BCE-UE), através de uma manobra de engenharia financeira. Foi o Financial Times, citado pelo blogue Ladrões de bicicletas, que descobriu esta manobra. Segundo aquele jornal, o acordo firmado prevê que a troika concederá um empréstimo adicional ao estado grego no valor de 60 mil milhões de euros, a somar a todos os outros já concedidos através do memorando de entendimento, acordado em Maio de 2011, sendo que, dessa verba, são retirados 30 mil milhões de euros para entregar aos bancos credores e outros 30  milhões de euros destinam-se a recapitalizar os brancos gregos, a título de compensação de perdas, devido a este a este procedimento. Feitas as contas, o perdão da dívida soberana grega é apenas de 40 por cento. Os sortudos dos bancos privados é que ficaram a ganhar, recebendo antecipadamente o reembolso da amortização da dívida, embora, para a opinião pública, tivessem deixado passar uma falsa imagem filantrópica Os bancos credores não perderam nada com o negócio. 
http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/2011/11/do-perdao-grego-ou-de-algumas-razoes.html