sábado, 5 de novembro de 2011

Cimeira do G20 acaba sem compromisso de apoio ao fundo de resgate europeu


O fundo de resgate europeu não será reforçado com a ajuda dos países emergentes, como chegou a ser discutido pelos representantes das principais economias mundiais. A cimeira do G20 chegou ao fim, ao final da tarde desta sexta-feira, sem acordo para ajudar a resolver a crise das dívidas soberanas.
Em Cannes, os chefes de Estado e de Governo deram conta do seu apoio aos países europeus em dificuldades. Mas recusaram ajudar com dinheiro. “Quase nenhum país aqui disse estar disposto a participar no fundo de resgate da zona euro”, observou a chanceler alemã, Angela Merkel, numa conferência de imprensa.
A China e o Brasil eram vistos como potenciais investidores, mas a resposta destes dois países foi cautelosa. Exigem ambos mais detalhes sobre o plano de resgate. A primeira-ministra australiana, Julia Gillard, foi mais lacónica: “A Europa terá de pôr a própria casa em ordem”. “Não vemos nenhuma razão para que o Canadá – ou, com franqueza, qualquer outro país – contribua para este apoio financeiro”, concordou o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper.
PÚBLICO
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As declarações da chanceler alemã, Angela Merkel, no final da reunião do G20, traduzem claramente a dimensão do grande fracasso da União Europeia  e, principalmente, da moeda única. Foi a declaração da impotência, perante a tragédia que se avizinha, e que as decisões assumidas nos últimos três anos pelos dirigentes políticos europeus, devido à sua irracionalidade, não vão conseguir evitar. Ninguém quer emprestar dinheiro à Europa, porque já ninguém acredita na Europa. O triunfalismo exibido publicamente, no final de cada reunião dos líderes europeus, em que se declarava sempre ter sido encontrada a solução milagrosa para os problemas financeiros que afectavam o euro, foi sempre desmacarado no dia seguinte pela crua realidade. O folclore não conseguiu iludir a razão e a verdade.