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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O Islamismo- por F. Fernandes

A integração dos muçulmanos

Existem aproximadamente vinte milhões de muçulmanos na Europa. Estes representam todo o espectro de atitudes religiosas possíveis, desde a indiferença até ao fanatismo.
Os muçulmanos europeus tendem a viver agrupados em comunidades, quase sempre mal integrados, seja nos subúrbios das grandes cidades, como em França, ou em bairros abandonados pela população autóctone, como em Bruxelas ou Londres. São mais pobres, sofrem uma taxa de desemprego elevada. A maioria chegou à Europa em vagas desde a Segunda Guerra, numa altura em que estes precisavam de emprego e a Europa devastada pela guerra, precisava de mão-de-obra para a sua reconstrução. Pela primeira vez na sua história, a Europa encontra-se na difícil situação de ter que integrar uma enorme massa de imigrantes não europeus. Um desafio difícil que custa levar a bom termo.
A maioria dos muçulmanos europeus, concorda com a emancipação da mulher, com o papel que a esta cabe na sociedade, é a favor de um Islão moderado e não considera os europeus hostis ao Islão. Mas não nos enganemos, o Islão continua a ser o principal pólo identitário dos muçulmanos. A integração destas comunidades na Europa não é realmente um êxito. Apesar de milhões de muçulmanos viverem a sua vida sem causarem problemas no país de acolhimento, nem por isso se fundem na cultura que os rodeia. De nada serve ignorar o problema da integração, ele existe.
Na Europa existem dois modelos de integração, o modelo republicano francês e o comunitário britânico. O primeiro tenta integrar as identidades estrangeiras, transformando os imigrantes em franceses. O segundo aposta em preservar as identidades estrangeiras num mosaico de muçulmanos. Nenhum dos dois resulta. Sustentados por sólidas muralhas ideológicas, as tragédias recentes – o assassinato de Theo van Gogh em Amesterdam, os atentados de Londres, e os tumultos nos subúrbios franceses - derrubaram as muralhas e mostraram o fracasso de tal ideologia. Há que reconhecer: os modelos, cada um, com suas incongruências, acabaram por criar guetos. O multiculturalismo é uma gafe?
A ideologia multiculturalista é ambígua, serve para cobrir com roupagens novas o velho racismo. - Cada um em sua casa e deus na de todos… A ideologia multiculturalista parte quase sempre de uma boa intenção; peca então por ingenuidade. Não existem critérios para determinar o famoso limite de tolerância, mas, queiramos ou não, o multiculturalismo conduz ao gueto. Uma coisa é certa, estão melhor integrados os avós e os pais, do que os filhos, porque será?
A capacidade de integrar, e proporcionar a cidadania a milhões de cidadãos alienados, de criar as condições de autêntica pertença a esse princípio espiritual que é a Nação, é necessariamente geradora de frustração, de isolamento comunitário, da busca de sentido onde haja uma possibilidade de o encontrar. Nem por isso se convertem todos em fanáticos dispostos a matar, mas reúnem-se as condições para que alguns o façam. Uma integração harmoniosa não é só por si, uma garantia contra o fanatismo assassino, mas a capacidade de recrutar adeptos ficaria minorada.
Efectivamente, do trabalho de socialização que o estado se mostra incapaz de realizar, se encarrega o Islamismo. Financiado com dinheiro saudita, através dos irmãos muçulmanos, uma enorme rede de organizações, realiza um incrível trabalho de islamização profunda das comunidades muçulmanas. As mesquitas, associações, instituições caritativas e educacionais, em princípio, não são instituições terroristas. A sua estratégia a longo prazo, tem quatro objectivos bem definidos: assegurar o monopólio da representação das comunidades muçulmanas, impedir a assimilação dos muçulmanos da Europa, preservando e afirmando a sua identidade; reforçar a sua própria capacidade de influência na política nacional nos centros de decisão, e transformar paulatinamente o Islamismo numa força política decisiva na Europa.
Publicado no Diário Ateísta, 3 OUT 2009

中川財務相 眠そうな記者会見 - Tradução: Grande bebedeira!...





Nakagawa na cimeira do G7

Shoichi Nakagawa, que apareceu embriagado numa cimeira do G7, foi encontrado pela mulher deitado, em casa.
O que fez Shoichi Nakagawa nos últimos minutos da sua vida? O que causou a morte do político que ganhou fama pelas suas bebedeiras? A resposta às perguntas é a chave para resolver o caso que está a dar que falar no Japão.
O pouco que se sabe alimenta o mistério. A polícia confirmou a morte do velho liberal mas não desvenda pormenores até estar concluída a autópsia. Os media japoneses revelaram que Nakagawa, 56 anos, foi encontrado pela mulher, deitado de barriga para baixo na cama, na sua casa em Tóquio.O cadáver não tinha ferimentos visíveis, o que dá força à tese de que o álcool esteve por detrás da morte.
Nakagawa é conhecido no Japão e no mundo por não saber resistir ao prazer da bebida. O ex-ministro das Finanças do último Governo de maioria liberal fez notícia, em Fevereiro, quando apareceu embriagado numa cimeira do G7 - grupo das sete maiores economias do mundo - em Roma.

Do Público online

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Mercedes Sosa, "La Negra": Calou-se a voz mestiça da liberdade!...




Morreu Mercedes Sosa, La Negra, cujas canções emocionaram a América Latina e o mundo. Integrou, no início da década de sessenta, o movimento musical, Nueva Canción, onde desempenhou um papel de relevo, juntamente com o seu primeiro marido. As suas canções eram profundamente marcadas ideologicamente pela constante denúncia do imperialismo norte-americano e pelo protesto contra as desigualdades sociais do seu povo. Criou um estilo musical, onde se cruzavam influências da música africana, cubana, andina e espanhola.
A sua militância política custou-lhe o exílio, durante a ditadura do general Vilela, tendo sido presa, em 1979, em La Plata, durante um concerto que estava a efectuar naquela cidade argentina. Só regressou à sua Pátria, em 1982, quando o regime militar, instaurado em 1976, já se encontrava moribundo, devido à humilhação da guerra das Malvinas. Peronista de esquerda, fez oposição ao presidente Carlos Menem e apoiou, nas eleições presidenciais, Néstor e a actual presidente, Cristina Kirchner, que, ao saber da morte da cantora, antecipou o regresso de uma visita à Patagónia, e decretou três dias de luto nacional.
Também Hugo Chávez se lhe referiu, considerando que Mercedes Sosa lhe "iluminou a vida". O jornal londrino, The Daily Telegraph afirmou que ela foi "uma intérprete incomparável de obras de seu compatriota, o argentino Atahualpa Yupanqui, e da chilena Violeta Parra". Helen Poopper da agência Reuters anunciou sua morte dizendo que ela "lutou contra os ditadores da América do Sul com sua voz e se tornou uma gigante da música latino-americana contemporânea".
Mercedes Sosa nasceu em San Miguel de Tucumán, na província de Tucumán, no noroeste da Argentina e morreu no dia 4 de Outubro, em Buenos Aires, onde vivia. O velório do seu corpo realizou-se no edifício do Congresso Nacional.

Mercedes Sosa Gracias a La Vida

Mercedes Sosa e Milton Nascimento - Volver a los 17

É muito mais interessante do que o roubo por esticão!...


Gentileza do amigo Jorge Ribeiro

Convenhamos que as coisas vistas assim ao natural e sem encenações enganadoras têm um outro interesse. Afinal, o brincalhão até acabou por fazer um bom serviço àquelas gentis moças. De outra forma, não teriam tido a oportunidade de exibir os seus belos e esculturais corpinhos, perante uma plateia tão alargada. É certo que não exibiram tudo o que tinham de bom, mas isso compete a cada um adivinhar!...

Figuras proeminentes do cinco de Outubro e da República (4)

Bernardino Machado
Bernardino Machado, intelectual brilhante, formou-se politicamente na Maçonaria, tendo sido dirigente da Loja Perseverança, do Grande Oriente Lusitano. Durante a Monarquia, foi deputado pelo Partido Regenador, em 1882, par do Reino, em 1890, e ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria, em 1893. Só adere ao Partido Republicano em 1903. Com o advento da República, é nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros, e, em 1913, ocupa o cargo de embaixador no Rio de Janeiro.
Foi o político da República que ocupou mais cargos de Estado, o que diz bem da sua reputação. Foi duas vezes primeiro ministro e foi eleito para dois mandatos presidenciais. Curiosamente, foi ele que teve de entregar o poder, em cada um dos seus mandatos, aos militares que, por duas vezes, derrubaram a República, instituindo governos de ditaduras. Primeiro, em 1917, a Sidónio Pais, que o obrigou ao exílio, e, mais tarde, no segundo mandato, a Mendes Cabeçadas, um dos cabecilhas do golpe de 28 de Maio, que abriu as portas a Salazar e aos quarenta e oito anos anos de ditadura.

José Relvas

Apesar de ser filho de um grande proprietário agrícola ribatejano, José Relvas abraçou com convicção o ideal republicano. Viveu a segunda metade do século XIX, tendo acompanhado toda a evolução do Partido Republicano e a degradação da vida política, enredada num rotativismo partidário estiolado, e que entravava o progresso do país. A revolução republicana apanha-o já numa idade madura, com 52 anos, e é ele e Eusébio Leão que proclamam a República, da varanda dos Paços do Concelho de Lisboa.
Integrou o governo provisório, sobraçando a pasta das Finanças, tendo sido, posteriormente, nomeado embaixador em Madrid, um cargo considerado estratégico, uma vez que era necessário obter exteriormente o reconhecimento do regime, junto das principais capitais europeias. Quando deixa Madrid, afasta-se da política, regressando novamente, em 1919, para chefiar um governo, que durou dois meses.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Figuras proeminentes do 5 de Outubro e da República (3)

Teófilo de Braga


Teófilo de Braga foi um intelectual de prestígio, cujo nome dignificava a República. Licenciado em Direito, leccionou Literatura no Curso Superior de Letras de Lisboa. Como escritor, deixou obras importantes sobre a história literária, filosofia e etnografia.
Não admira, pois, que tenha sido escolhido para presidir ao governo provisório, após a implantação da República. Mais tarde, em 1915, viria a ser eleito pelo Congresso, quase por unanimidade, como Presidente da República, para terminar o mandato de Manuel Arriaga, que pedira a demissão.
A sua militância vem desde 1878, quando os republicanos iniciaram o seu processo organizativo.

Basílio Teles



Basílio Teles foi, talvez, o político republicano mais radical. Depois de ter rejeitado o convite para integrar o governo provisório, como ministro da Finanças, para o desempenho do qual estaria mais vocacionado, atendendo ao seu percurso como investigador da área económica, (pretendia a pasta do Interior, onde a Carbonária o queria colocar), Basílio Teles, no quadro das dificuldades que a República atravessava, apresentou um plano político, que previa a pena de morte, a suspensão das garantias por tempo indeterminado e o encerramento das escolas, até se completar a respectiva reforma. Era um programa político suicida, ao arrepio dos mais mais nobres valores o espírito republicano.
No entanto, teve um percurso brilhante no Partido Republicano Português, fazendo parte dos seus directórios de 1897 a 1899, e do de 1909 a 1911.

Figuras proeminentes do 5 de Outubro e da República (2)

Machado Santos
Machado Santos, um jovem comissário naval, inveterado conspirador, esteve na maioria das acções da Carbonária, de que era membro. No movimento militar do 5 de Outubro, assumiu a sua coordenação operacional, o que lhe trouxe uma grande popularidade. Instalado na Rotunda, depois de ter mobilizado dois importantea quartéis de Lisboa, não se deixou abater no momento em que corriam rumores do fracasso do golpe militar. Foi considerado o Herói da Rotunda e o Pai da República.
Revelando alguma imaturidade política, e não se apercebendo da inevitabilidade das contradições inerentes a um qualquer processo revolucionário, depressa se desencantou com os dirigentes do Partido Republicano, regressando à acção conspirativa. E assim o vemos a participar nos movimentos insurreccionais de Abril de 1913, de Janeiro de 1914, no Movimento das Espadas de 1915, na Revolta de Tomar, de 1916 e no golpe de 1917, que colocou Sidónio Pais no poder.

Almirante Cândido dos Reis


Se o chefe civil da revolução republicana, Miguel Bombarda, não assistiu à sua vitória, o mesmo aconteceu ao seu chefe militar, o almirante Cândido dos Reis, que se suicidou num dos arrabaldes de Lisboa, julgando que o movimento tinha fracassado. Quando se soube no directório republicano que o chefe do governo monárquico, Teixeira de Sousa, tinha sido informado da iminência do golpe, muitos dirigentes republicanos abandonaram o projecto, aconselhando o seu adiamento, ao que o almirante se opôs. No entanto, já com o movimento revolucionário em marcha, a morte de Miguel Bombarda, interpretada como assassinato político, desmobilizou muitos oficiais do exército e muitas unidades militares. Cândido dos Reis julgou tudo perdido, e como era um indivíduo de temperamento hipocondríaco, entrou em profunda depressão e escolheu o suicídio.
Apesar de ter sido distinguido, durante a sua carreira militar, com as mais altas condecorações, o Almirante Cândido dos Reis, desde muito cedo, começou a participar na luta anti-monárquica, mais como activo conspirador do que como político propagandístico. Por isso, se inscreveu na Carbonária, o movimento revolucionário que punha em pânico as forças de segurança.
A República prestou-lhe a homenagem merecida, utilizando o seu nome como topónimo, na maior parte das cidades e das vilas do país.

Figuras proeminentes do 5 de Outubro e da República (1)

Militares e populares na Rotunda
Foi na Rotunda que se ganhou a revolução. No meio de ordens e contra-ordens, de informações e contra-informações, os oficiais do Exército - que se juntaram a Machado dos Santos, quando este, com militares e civis, assaltou, na noite de 4 de Outubro, os quartéis de Infantaria 16 e de Caçadores 5, dirigindo-se, depois, para a Rotunda, onde acamparam - julgando que o golpe tinha fracassado, aconselharam o abandono do local. Machado dos Santos ficou no local com os seus homens, impedindo assim a movimentação das forças fiéis à Monarquia, que se encontravam no Rossio, encurraladas entre dois fogos dos republicanos.

Miguel Bombarda
Médico ilustre, que desenvolveu a Psiquiatria portuguesa, actualizando-a em relação aos progressos científicos, ocorridos na Europa, abraçou a causa republicana, pugnando pelo registo civil obrigatório e pela expulsão das congregações religiosas. Inscreve-se no Partido Republicano Português, em 1909, e, em 1910, é eleito deputado republicano nas eleições de Agosto. Como membro do comité revolucionário para a implantação da República, é considerado o seu chefe civil. Já não assistiu ao triunfo da revolução, por ter sido assassinado, em 3 de Outubro, por um seu doente, um antigo tenente do Exército, que tinha estado internado no Hospital Psiquiátrico de Rilhafoles, de que Miguel Bombarda era director. O seu assassínio, levou os membros da Carbonária Portuguesa a acelerarem o início das operações.


Afonso Costa
Foi o grande estadista da República e o mais coerente dirigente do Partido Republicano Português, tendo sido o seu verdadeiro ícone. Nomeado ministro da Justiça e dos Cultos no governo provisório, saído da revolução trunfante, rapidamente deu pleno cumprimento a uma das mais queridas promessas dos republicanos, que fizeram do justificado anticlericalismo uma das suas bandeiras, na luta contra a monarquia. Afonso Costa foi o autor da Lei da Separação entre o Estado e a Igreja, medida que lhe acarretou todos os ódios do clero e dos monárquicos, que viam nele a figura de Satanás. Com a instituição do registo civil obrigatório, e a publicação da lei do divórcio, Afonso Costa retirou um enorme poder à toda poderosa igreja católica, que, numa íntima e pública aliança com o poder político, contribuia para o crónico atraso do país. Já na tese de doutoramento, na Universidade de Coimbra, "A Igreja e a questão social", Afonso Costa aborda a laicidade do Estado, ao mesmo tempo que desanca a encíclica, Rerum Novarum, de Leão XIII.
Foi presidente do ministério por três vezes, além de ter sido também, num dos governos, ministro das Finanças, tendo-se notabilizado por ter corrigido o défice orçamental do Estado.

António José de Almeida
Médico e escritor, iniciou a sua actividade, ainda como estudante da Universidade de Coimbra, tendo ficado célebre um seu artigo, publicado no jornal académico Ultimatum, intitulado, "Bragança, o último", que foi considerado insultuoso para o rei D. Carlos, tendo sido, por isso, condenado a três meses de prisão. Quem o defendeu em tribunal, foi o Dr. Manuel Arriaga, que viria a ser o primeiro Presidente da República eleito.
António José de Almeida foi deputado às Cortes, onde fez valer a sua grande capacidade oratória, que o tornaram muito popular. Nomeado ministro do Interior, no primeiro governo provisório, veio, mais tarde, a criar a primera dissidência do Partido Republicano Português, chefiado por Afonso Costa. À volta do jornal República, fundou, em 1912, o Partido Evolucionista, que agregou os sectores mais moderados no campo republicano, o que fragilizou o novo regime.
No meio da constante instabilidade política, António José de Almeida foi o primeiro Presidente da República a cumprir o mandato completo (1919-1923).



Basílio Teles e Eusébio Leão

Eusébio Leão formou-se em Medicina e tirou a especialidade de Urologia e participou activamente na propaganda republicana em torno da questão do Ultimatum britânico de 1890. Entrou para a Maçonaria, em 1893, e, em 1909, foi eleito secretário do Directório do Partido Republicano Português. Coube-lhe a incumbência de ler a proclamação da República, no dia 5 de Outubro, na varanda dos Paços do concelho de Lisboa.

Viva República!...

Quem não se orgulha do seu passado, não pode ter esperança no seu futuro. E isto é válido tanto para os indivíduos, considerados isoladamente, como para os povos e as nações. Recordar e comemorar a revolução republicana de 5 de Outubro é, pois, um dever cívico da sociedade portuguesa, que não pode alhear-se do espírito associado a esta importante data.
A República, ao dar um grande salto histórico, cortando as amarras do atavismo e do conservadorismo monárquico, marcou decisivamente todo o percurso do século XX e institucionalizou no país os nobres ideais da Revolução Francesa, que os revolucionãrios de 1820 já perseguiam, ao instalarem o primeiro regime constitucional em Portugal.
A germinação do ideário da República, inspirado no jacobinismo francês, foi lenta e difícil. Um país divorciado do progresso, pobre e ignorante, dominado por uma igreja reaccionária e de pensamento medieval, um país vilependiado por uma aristocracia estéril, a remoer a sua impotência imperial e que vivia isolado da Europa, onde fervilhavam todas as vontades de mudança, despoletadas pela Revolução Francesa, exigia um grande esforço e dedicação por parte daqueles portugueses honrados e esclarecidos, que sempre acreditaram na permeabilidade das fronteiras ao avanço das ideias generosas e libertadoras.
Quando José Relvas, no dia 5 de Outubro de 1910, hasteou a bandeira verde-rubra da República, na varanda dos Paços do Concelho, em Lisboa, estava a selar a vitória dos combatentes da Rotunda e a homenagear também todos os republicanos que, ao longo dos últimos noventa anos anteriores, combateram pelo seu ideal.
Nesse dia, nasceu um novo país, que haveria de voltar a renascer, no dia 25 de Abril de 1974.

O regresso ao esclavagismo, pela mão do Partido Socialista!...

Diploma Médico Cubano

O Partido Socialista, que só arvora a bandeira do socialismo durante as campanhas eleitorais, arrisca-se a ser achincalhado, até pelo próprio CDS, pela forma indigna e humilhante como contratualizou os médico cubanos, que vieram trabalhar para os centros de saúde do Alentejo, ao estabelecer condições leoninas, na sua remuneração e no seu horário de trabalho, e que, além de serem impróprias de um país civilizado, violam flagrantemente o Código de Trabalho e o Acordo Colectivo da Carreira Médica. É necessário recuar aos tempos da Revolução Industrial para encontrarmos condições de trabalho tão desumanas e aviltantes.
A esses médicos está a ser imposta uma carga horária de 64 horas semanais, repartidas entre as consultas, 40 horas, e as urgências, 24 horas, e a que corresponde uma remuneração de mil euros. A esta carga horária deveria corresponder, de acordo com as tabelas remuneratórias dos médicos, uma remuneração mensal de seis mil euros, já que todo o trabalho prestado pelos médicos portugueses, para além das 42 horas semanais, é remunerado como trabalho extraordinário, aspecto importante que o Ministério da Saúde omitiu na sua explicação atabalhoada, quando confrontado com esta ilegalidade e com esta imoralidade.
Com esta medida arrogante e discriminatória, que ofende a dignidade dos médicos cubanos, altamente qualificados profissionalmente, o governo de Sócrates evidencia bem o desprezo que vota ao mundo do trabalho, e que não tem equivalente no tratamento obsequioso e subserviente, dispensado aos poderosos grupos de interesses, que paulatinamente vão capturarando o Estado.

domingo, 4 de outubro de 2009

Irlanda: uma eleição que poderia ter sido fatal para a União Europeia...

Debaixo de alguma chantagem e amedrontados com efeitos devastadores da crise económica e financeira, os irlandeses deram uma significativa vitória ao Sim, no referendo sobre o Tratado de Lisboa. A chantagem teve o seu epílogo, no último dia de campanha, com a venenosa oferta de 15 milhões de euros, anunciada por Durão Barroso, aos 2.400 ex-empregados da Dell, uma empresa norte-americana, de fabrico de computadores, e que encerrara em Janeiro. O outro tipo de chantagem situou-se ao nível do discurso político dos adeptos do Sim, que, dramatizando ao máximo, transferiram a questão para o errado patamar de transformar o referendo numa escolha entre pertencer ou não pertencer à União Europeia.
Mas foi a crise, que num espaço de um ano virou a Irlanda de pernas para o ar, o motivo da trasferência de votos de muitos eleitores, que no ano passado rejeitaram o Tratado de Lisboa. A estes, há ainda a acrescentar os que se abstiveram no referendo de 2008, e que, agora, com medo da crise, que o actual governo não pode resolver sozinho, votaram no Sim, contribuindo assim para o significativo diferencial de resultados, entre os dois campos.
Se não estava em causa, neste referendo, a escolha da permanência da Irlanda no espaço da UE, como a mensagem subliminar dos adeptos do Sim pretendia sugerir, reconhece-se, contudo, que estava em causa o próprio tratado, que, apesar de já se encontrar ractificado por 24 países (sem qualquer consulta popular), dificilmente sobreviveria a uma rejeição, através de um referendo, mesmo que esse referendo tivesse ocorrido num dos países menos populosos da UE. Seria um desastre total, pois não haveria coragem nem condições políticas para relançar um novo processo de negociação que forjasse um novo acordo para recauchutar o falhado Trado de Nice, a chamada Constituição Europeia, que foi o que se fez no Tratado de Lisboa.
A necessidade de avançar com um novo quadro institucional, que responda à nova geografia da UE e aos desafios das grandes mudanças, ocorridas no mundo, desde a queda do Muro de Berlim, e agora mais acentuadas com a grande crise internacional, tem esbarrado com a desconfiança dos cidadãos europeus, em relação à falta de democracia neste processo. Nem sequer o Parlamento Europeu, a única instituição da UE que pode reclamar a força da representatividade popular, através do voto, teve um papel destacado na formulação deste tratado. Tudo foi concertado entre os países, no Conselho Europeu, com a mediação da Comissão Europeia. E sem democracia, por muito que isto desagrade a Bruxelas, a União Europeia arrisca-se a ser um projecto falhado. Se os irlandeses tivessem mantido a sua rejeição ao Tratado de Lisboa, teriam dado uma estocada fatal à UE.

Cada um usa as armas de defesa que pode, e a mais não é obrigado !...


Às vezes, dá vontade de ser porco!...

Portugal tem a melhor fábrica de "produção" de engenheiros!...

Cortesia do João Fráguas, seguidor deste blogue

Não tenho nada contra este engenheiro. O meu receio é que ele, um dia, também venha a ser primero ministro.

sábado, 3 de outubro de 2009

Parabéns, BRASIL !...


O Brasil mereceu inteiramente a distinção de ter sido escolhido o Rio de Janeiro, como a cidade de acolhimento dos Jogos Olímpicos de 2016. Para os portugueses, a alegria sentida não foi menor do que aquela que encheu de orgulho os brasileiros, incluindo aqueles que honradamente vivem e trabalham aqui, em Portugal, e que, a cada momento, com o seu alegre falar, nos estão recordar como a língua portuguesa é bela e é universal.
O Brasil tem um imenso capital de simpatia no mundo inteiro. Julgo que essa simpatia resulta da forma como aquele povo fez a miscigenação, cruzando no seu sangue a África e a Europa, numa mistura de identidades, que é a sua imagem de marca, e que se reflecte na sua permanente alegria e na sua esfuziante forma de estar. Isto já seria um bom motivo para a relevante escolha.
Mas o Brasil também recebeu esta honra pelo estatuto alcançado como potência económica emergente, a mais importante da América Latina. Compreendo o orgulho do presidente Lula, quando ele dizia há uns meses atrás, no final de uma reunião do G20, que "antes era o FMI a emprestar dinheiro ao Brasil, mas, agora, é o Brasil que empresta dinheiro ao FMI".
E agora, aqui, deste lugar, sou eu que quero emprestar a minha alegria ao povo brasileiro, neste momento especial, e, assim, também retribuir a minha gratidão aos muitos leitores do Brasil que, diarimente, visitam este blogue.

Irlanda: Espera-se que os irlandeses defendam a sua dignidade...


Quando a ansiedade ainda podia ser combatida com acções, em plena campanha, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, foi à Irlanda defender que uma vitória do "não" será "muito negativa para toda a Europa, incluindo, claro, a Irlanda". Em Limerick, a capital da região central do país, com 50 mil habitantes e uma área metropolitana de menos de 100 mil, Barroso anunciou uma ajuda de 15 milhões de euros para os 2400 ex-empregados da Dell, o fabricante de computadores norte-americano que em Janeiro encerrou a fábrica de Raheen, à saída da cidade. Limerick é um dos símbolos da crise e a crise tem tudo a ver com o referendo.
PÚBLICO, 2-10-09


Será que Durão Barroso manterá a proposta, se o "Não" ganhar?
A chantagem eleitoral tomou conta da democracia europeia, ao ponto de se ameaçar veladamente os eleitores, se não votarem em determinado sentido, ao mesmo tempo que, numa atitude indigna e degradante, se promove publicamente a compra de votos, através da oferta de dinheiro.


A única presidente de câmara do BE defende as touradas de morte

Ana Cristina Ribeiro considera que as diferenças com o seu partido só revelam "o enorme respeito que existe" entre a sua equipa e a direcção do Bloco de Esquerda.
Público online

E também um enorme respeito pelos touros!...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Ardi: um esqueleto que "fala" sobre a nossa origem e sobre o nosso longínquo passado...


Com a descoberta do fragilizado esqueleto de Ardi, uma fémea de um hominídio primitivo, que viveu na região de Afar, no território da actual Etiópia, há cerca de 4,4 milhões de anos, aproximou mais os paleontólogos do mais recente antepassado comum do homem e dos grandes símios, e que teria vivido há seis milhões de anos, ao mesmo tempo que pôs em causa ideias consensuais sobre a origem do bipedismo e sobre as características físicas desse misterioso antepassado comum às duas linhagens evolutivas.
Perante as características anatómicas de Ardi, os cientistas atreveram-se a conjurar que o tal antepassado comum teria mais semelhanças com o Ardipithecus ramidus, espécie a que o esqueleoto de Ardi pertence, do que com os chimpazés e de que o bipedismo ter-se-ia desenvolvido no período em que ele ainda vivia nas densas florestas africanas, antes de se abalançar na grande marcha milenar pela savana, a caminho do norte.
Seja qual for o resultado da polémica, que já se instalou nos meios científicos, a verdade é que Ardi vem dar um grande contributo para o conhecimento da nossa origem antropológica.
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1403329&idCanal=13

Justiça, precisa-se!

Imagem do DN
Caso que envolve Sócrates foi arquivado e reaberto

Em 2001, um despacho de José Sócrates, como ministro do Ambiente, e de Capoulas Santos, da Agricultura, permitiu o abate de sobreiros para uma urbanização. O caso está em investigação há seis anos sem resultados objectivos, mas com muitas peripécias pelo meio. Já foi arquivado, mas o director do DIAP de Évora mandou reabri-lo em 2008
DN

Esta notícia do Diário de Notícias expõe de maneira muito clara a total inoperância da investigação criminal do país, em relação aos crimes do colarinho branco, principalmente aqueles que envolvem, como suspeitos, membros do governo e gente graúda. A Polícia Judiciária e os magistrados do Ministério Público apenas conseguem amontoar resmas e resmas de papéis inúteis, que o tempo fossiliza, e onde tudo se perde e nada se prova.
Este caso, em que está em causa o actual primeiro ministro, que, enquanto ministro do Ambiente, em 2001, autorizou o abate de milhares de sobreiros numa zona onde surgiu o empreendimento Vale da Rosa ou Nova Setúbal, transformou-se rapidamente numa caricatura da Justiça. Sem que os respectivos responsáveis se tivessem apercebido, os mesmos factos deram origem a dois processos paralelos. Um, conduzido pelo Ministério Público de Setúbal, e o outro pela delegação da Polícia Judiciária, naquela cidade. Duplicaram-se diligências, inquirições e cartas rogatórias, queimaram-se energias desnecessárias, atropelavam-se os agentes de investigação de cada um dos processos e perdeu-se tempo e dinheiro. Mas nem assim, apesar desta duplicação, os resultados apareceram. Um dos processos foi arquivado e, depois, reaberto, obedecendo aos caprichos momentâneos de quem conduz a investigação. Passados estes anos todos, os investigadores encontram-se no mesmo estado de ignorância, que tinham antes, quando abriram os processos.
Estamos perante uma verdadeira comédia da justiça portuguesa, que seria inócua e risível, se não se desse o caso de ser, ao mesmo tempo, uma grande tragédia para o país.
E esta inoperância, caricata e patética, e de contornos kafkanianos, ameaça repetir-se na meia dezena de processos de investigação criminal, ligados à corrupção e ao favorecimento pessoal, envolvendo gente ilustre, que pode dar-se ao luxo de estar sempre acima de qualquer suspeita (Freeport, BCP, BPN, BPP, etc.).

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Cartas de amor - Fernando Pessoa - Maria Bethania

O Brasil apoderou-se de Fernando Pessoa, tal é o número de brasileiros que declamam os seus poemas, como se pode constatar no youtube. Na verdade, Portugal não ultrapassa as opções pelos jaquinzinhos e pelo copo de tinto.

Em Istanbul, um jovem turco atira um sapato contra o director-geral do FMI, durante uma conferência na Universidade Bilgi.

Quando chegar a minha vez, para atirar um sapato a uma pessoa que eu cá sei, actuarei com um comparsa, que atrairá a polícia e os seguranças com o primeiro lançamento, deixando-me o caminho livre para eu poder acertar em cheio no alvo.

O enigmático espião do SIS!...

Este é o célebre e enigmático espião, que anda infiltrado no Palácio de Belém, para vigiar Cavaco Silva. Costuma esconder-se atrás de uma vulgar réplica da Mona Lisa, comprada na loja dos trezentos, pela primera dama, a fim de decorar a residência oficial do Presidente da República.
Às vezes faz-se passar por filho do Pinto da Costa e também é conhecido por perseguir todos os camaramens das televisões. Gosta de exibir a sua dentadura nova, mas, em serviço, costuma andar desdentado.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Com medo das escutas!...


Este alentejano, para evitar as escutas telefónicas e outros meios secretos de vigilância electrónica, resolveu sair de casa e ir dar um agradável passeio pelo campo.!...

Até a República do Peru dá lições a Portugal!...


Fujimori condenado a mais seis anos de prisão

O ex-Presidente Fujimori foi condenado a seis anos de prisão por corrupção.
Alberto Fujimori já tinha sido condenado a 25 anos de prisão por violações de direitos humanos.
Desta vez, foi condenado pelos crimes de corrupção e escutas ilegais
Do Jornal de Notícias online

Pergunta de todo inocente: Qual será o próximo líder político a ser condenado pelos mesmos crimes?

Desmantelan Radio Globo y Canal 36 de Honduras despues de tres meses del Golpe de Estado


Nas noites das Honduras não brilham as estrelas. Só as luzes das patrulhas e o sangue dos que caem nas mãos da matilha uniformizada. Botas e mais botas nas ruas, nas costas, nos rostos dos hondurenhos. E apesar do terror, que a cada noite semeia a ditadura, não há medo. A resistência continua.
Angel Palacios

Do Comité de Familiares de Detenidos Desaparecidos en Honduras (COFADEH)
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Começam a chegar notícias aterradoras das Honduras. Deliberadamente, a polícia e o Exército, ao serviço e a mando dos golpistas, que derrubaram o presidente eleito, não conseguindo deter a vaga de protestos dos hondurenhos, que se manifestam diariamente nas ruas, iniciaram uma nova estratégia de intimidação, lançando, a coberto da noite, o pânico entre a população, principalmente a que reside nos subúrbios das grandes cidades. Disparam sobre os prédios, assaltam casas de activistas, prendem pessoas, que agridem selvaticamente, abandonando-as depois. Outros cidadãos desaparecem misteriosamente, depois de serem presos, ressuscitando, assim, o espectro da ditadura de Pinochet e as dos sanguinários generais argentinos e brasileiros, todos eles apoiados pelos Estados Unidos, no derrube de regimes democráticos e na implantação de regimes fascistas, nos seus respectivos países.
Aos jornalistas, que aparecem para cobrir esses acontecimentos, as forças policiais hondurenhas confiscam-lhes todo o material de gravação, para que as imagens da violência desabrida, exercida sobre os cidadãos, não possam alimentar os noticiários das televisões internacionais. Para não manchar o estado de graça de Barack Obama, que apenas timidamente condenou o derrube do presidente eleito, e não comprometer a CIA, que inspirou e apoiou o golpe, o presidente usurpador, Micheletti, procura esconder dos olhos do mundo a violência sanguinária, que despoletou sobre o povo hondurenho.
E Angel Palacios, que citámos no preâmbulo deste comentário, deixa, no seu relato sobre o terror que se abateu sobre o povo das Honduras, o seu dramático apelo à solidariedade militante de todos os povos, tal como se transcreve:
" As organizações de direitos humanos e advogados solidários fazem um trabalho incansável para atender as vítimas, para acompanhar as denúncias, para efectuar registos. Mas não têm recursos. Não contam com o mínimo. Não têm como encher o reservatório de gasolina para se deslocarem aos lugares, não têm saldo nos telefones para efectuar as chamadas necessárias. E ainda assim fazem magia para defender os direitos dos seus compatriotas. Levam 90 dias fazendo magia e é muito o que conseguem. A sede da COFADEH está a toda hora cheia de gente que vai denunciar os atropelos vividos, e cheia também de gente que vai apoiar o seu trabalho. Muitos e muitas dirigentes destas organizações de direitos humanos foram perseguidos, encarcerados para tentar calá-los. Apesar das dificuldades continuam a ser o único lugar aonde acudir para buscar refúgio diante da repressão. É urgente a solidariedade povo a povo, que os organismos de direitos humanos de outros países, que os comités de solidariedade de outros países se ponham em contacto com eles e os apoiem, divulguem as suas denúncias, enviem apoio a essas organizações que em Honduras lutam contra o Terror da Ditadura".

Honduras: um menino contra o golpe

Cortesia de Pedro Frias, seguidor deste blogue
Este pequeno filme mostra uma menino de 10 anos, Oscar David Montesinos, que é já considerado um dos símbolos da resistência hondurenha contra o golpe de estado infligido por Micheletti.
Pedro Frias

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Notas do meu rodapé: Manifesto Anti-Dantas, uma abordadgem crítica...

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O Manifesto Anti-Dantas e por Extenso é a expressão mais radical das polémicas literárias, ocorridas em Portugal, e excedeu em virulência a da Questão Coimbrã, já de si muito violenta, em termos de linguagem, e que o atormentado e errático Antero Quental desencadeou com o seu texto Bom Gosto e Bom Senso, dirigido ao patriarca das letras lusas, Feliciano de Castilho, um ultra-romântico que era acusado por Antero de ser o responsável pelo estiolamento degradante da literatura portuguesa. Antero reagia assim, com o seu texto, à crítica feita por Castilho ao seu livro de poemas Odes Modernas, que surpreendeu a crítica e a intelectualidade, pela inovação estilística e lírica, que desbravava novos caminhos. O país erudito dividiu-se pelos dois campos extremados, e Antero até chegou a travar um duelo, no Porto, com Ramalho Ortigão, que se colocou ao lado de Castilho.
Almada Negreiros não chegou a travar nenhum duelo com o seu arqui-inimigo, Júlio Dantas, também ele promovido pela burguesia decadente do início do século seguinte a um verdadeiro patriarca das letras nacionais, mas não se coibiu, depois de ter publicado o polémico manifesto, em provocá-lo na rua Ivens, onde Dantas residia, pondo-se, à sua passagem, na marcial posição de sentido, e fazendo-lhe um grande manguito, ao mesmo tempo que fazia ouvir por todo o Chiado o seu brado guerreiro "Às Armas!...".
Tal como Antero, também Almada reagira a uma crítica azeda de Júlio Dantas, feita a propósito da publicação do primeiro número da revista Orpheu, onde se propunham novos caminhos para as letras e para as artes, adoptando a corrente futurista, inaugurada pelo poeta italiano Emílio Marinetti, em 1910, e que estava a galvanizar a Europa civilizada. Dantas chamou paranóicos aos autores da nova revista.
No entanto, o texto de Almada, apresentado em forma de poema, ultrapassa em sarcasmo, em ironia e na sua linguagem iconoclasta o texto de Antero. Almada zurze, sem dó nem piedade, o mais prestigiado escritor da época, um escritor prolixo, mas a quem faltava aquele nervo literário, que opera a diferença para se alcançar a estatura do génio. Dantas deixou-nos uma excelente peça de teatro, A Ceia dos Cardeais, mas, o resto da sua obra literária só se destacava no panorama nacional, porque foi uma época de escritores e poetas medíocres. A literatura tinha parado em 1900, com a morte de Eça de Queirós. A seguir veio o marasmo de uma burguesia abúlica e boçal, em questões literárias e artísticas, que não favoreceu o florescimento das artes e da literatura.
É certo que Almada veio à praça pública defender a honra ferida dos seus correligionários, Fernando Pessoa, Luís Montalvor e Mário Sá-Carneiro, mas há quem diga que, no seu gesto, havia muito oportunismo e ambição pessoal. Almada sabia que o escândalo público era o caminho mais curto para alcançar facilmente a fama. Essa tendência de um exibicionismo exuberante, havia de se repetir na apresentação, no Teatro de S. Luís, do seu Manifesto às Gerações Futurista do Século XX, com que se inicia oficialmente o movimento futurista em Portugal, e onde ele apareceu vestido com um fato-macaco.
Almada, no seu brilhante poema, não ataca apenas Júlio Dantas, ataca também tudo aquilo que ele representava na sociedade portuguesa, onde ainda se ruminavam, em lenta digestão, os romances de Garrett, Camilo e Eça. Não é pois de admirar que um qualquer Dantas tivesse sucesso. Num ataque implacável e truculento, Almada é fulminante, quando afirma: "Uma geração que consente deixar-se representar por um Dantas, é uma geração que nunca o foi".
A geração do Orpheu ganhou a batalha, pois Dantas percebeu a tempo que qualquer resposta iria desencadear mais virulentos ataques do irrequieto Almada.
As novas correntes literárias tiveram em Portugal expressões notáveis, não só na obra de Almada Negreiros e de Amadeu Sousa Cardoso, este último, exclusivamente na pintura, mas também, e, principalmente, na obra poética de Pessoa e de Sá-Carneiro. Todos eles ousaram conquistar a liberdade da linguagem poética e desbravar a tradução das expressões dos estados psíquicos da natureza humana.

MANIFESTO ANTI-SOCRATES, a propósito da ressaca eleitoral...


Explicação...

Ontem, no post onde se publicavam as fotografias dos deputados da Assembleia da República, para a nova legislatura, remetia-se o leitor para um link, que conduzia para a página do Jornal de Notícias, onde se anunciava a seriação dos resultados das eleições legislativas de domingo, por freguesias. Clicando nos vários concelhos e nas várias freguesias, verificou-se que, na sua maioria, os resultados não estavam disponíveis, admitindo-se, no entanto, que a anomalia seria passageira e, que, por isso mesmo, se justificaria a publicação daqueles resultados no Alpendre da Lua.
Ao longo do dia, a anomalia persistia, e a sua irreversiblidade levou os responsáveis do jornal a retirar o respectivo quadro de acesso, embora permanecesse a sua titulação na primeira página.
Embora alheios a qualquer responsabilidade pelo ocorrido, o editor do "Alpendre da Lua" pede desculpa aos leitores, pelo incómodo causado.

domingo, 27 de setembro de 2009

O PS tem de comprar muito queijo limiano para poder governar...

Resultados eleitorais totais
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No último texto deste blogue, dedicado às eleições legislativas, colocou-se a questão da mudança estrutural do quadro parlamentar, com o reforço significativo das franjas partidárias e uma diminuição da influência dos clássicos partidos do centro, o que, a verificar-se, constituiria uma novidade importante na história recente da democracia portuguesa, e cuja dimensão alteraria o comportamento do próximo governo, caso o eleitorado rejeitasse uma maioria absoluta de um só partido.
A previsão concretizou-se. O Partido Socialista perdeu a maioria absoluta, o que representa uma derrota, embora tenha travado a hecatombe, o que poderá ser considerado como uma meia vitória, não tendo por isso motivos para muitas euforias. Os votos do descontentamento deslocaram-se, por inteiro, para o Bloco de Esquerda, que passa, a partir de agora, a ter mais responsabilidades políticas.
A franja da direita também se reforçou, embora aí a deslocação de votos para o CDS constitua a expressão do descontentamento em relação ao PSD e, em particular, em relação à frágil liderança de Manuela Ferreira Leite.
Se, no passado, as eleições eram marcadas pelas oscilações de um eleitorado flutuante, que se repartia, alternadamente, pelos dois partidos do centro, agora, essa deslocação de votos operou-se para os pequenos partidos das franjas, o que vai introduzir mudanças importantes no processo político, entre elas a criação de maiores consensos entre o partido do governo e a oposição.
A CDU, que continua a fixar com segurança o seu eleitorado tradicional, conseguiu subir em número de votos e de deputados, o que garante uma maior solidez à esquerda parlamentar.
No cômputo geral, é de saudar a vitória da esquerda, no seu conjunto, e a perda da maioria absoluta do PS, partido este que tem de corrigir o comportamento autoritário e arrogante de José Sócrates e de rever as políticas desastradas de direita que aplicou na actual legislatura.
Uma nota final, apenas para salientar que a vitória inequívoca do BE e do CDS, nestas eleições, começou a ser laboriosamente trabalhada no hemiciclo da Assembleia da República, onde os seus respectivos líderes se destacaram num persistente e incisivo combate, e sem tréguas, à verborreia de José Sócrates, o que lhes deu uma enorme visibilidade junto do eleitorado.

Citação de Bertolt Brecht, dramaturgo alemão...


«Crime, não é roubar um banco. É fundá-lo».

Jeová ficou fulo, quando viu este vídeo!...

Cortesia do João Fráguas e do Diamantino Silva

Agora comprendo por que razão a Eva mordeu a maçã. Aquele Adão nunca me enganou!!!

sábado, 26 de setembro de 2009

Há sempre os oportunistas, que se aproveitam da criatividade dos mais imaginativos...

Cortesia do João Fráguas, seguidor deste blogue

Ter azar na vida é uma coisa que acontece com frequência. Agora, acabar entalado no cu de uma vaca é que é demais!...

Ontem, tal como hoje, o poder manipula a informação


"...sob certas condições, os capitalistas privados inevitavelmente controlam, directa ou indirectamente, as principais fontes de informação (imprensa, rádio, educação). É então extremamente difícil, e na maior parte dos casos na verdade quase impossível, para o cidadão individual chegar a conclusões objectivas".

Albert Einstein, no seu ensaio de 1949

É nesta pose, onde eles melhor exibem a sua fotogenia, que eu gostaria de os ver sempre!...





Pela primeira vez, não consegui encontrar uma etiqueta para marcar um post, o que me alarmou. Por isso, este ficará assinalado com a designação "Sem legenda".

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

As eleições poderão provocar o aparecimento de um novo ciclo político

Do Inimigo Público de 25.09.09. Retirada do abnoxio
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A campanha eleitoral chegou ao fim. É muito possível que os portugueses acordem na segunda feira e encontrem um país politicamente diferente, com uma nova arrumação das forças partidárias e tenham de se confrontar com a perda da tradicional hegemonia dos partidos do centro e com o crescimento significativo dos partidos das franjas, principalmente à esquerda, o que, a verificar-se, vai provocar alterações importantes no processo político. Entrar-se-á num novo ciclo político-parlamentar, que sucederá ao que se iniciou com o primeiro governo constitucional, dominado pelos dois partidos do centro.
As duas grandes questões, que se colocavam à partida, no início desta campanha eleitoral, e que, surpreendentemente, vieram a ser as mais renhidas dos últimos vinte anos, era saber se seria possível reeditar a maioria absoluta de um só partido e para onde seriam canalizados os votos do descontentamento pela agressiva governação do PS.
À primeira questão, apenas poderemos obter a resposta no final da contabilização dos votos. Quanto à segunda questão, caso não se verifique uma maioria absoluta de um só partido, poder-se-á já adiantar que a direita vai sair derrotada, pois mostrou-se incapaz, durante a campanha, de atrair os descontentes, cujos votos vão alimentar o crescimento dos partidos mais à esquerda. Nunca se poderá falar na vitória de uma maioria de esquerda, com o somatório dos votos do PS, da CDU e do BE, pois ela não irá ter, como consequência, nenhuma possibilidade de expressão governativa, quer pela impossibilidade de ultrapassar as divergências ideológicas e tácticas dos três partidos, quer porque não é sustentada por uma maioria sociológica.
Neste complexo quadro, as negociações para formar o próximo governo, caso não exista a maioria de um só partido, vão ser muito difíceis de gerir pelo partido mais votado, que irá ser, provavelmente, o PS.
No caso de ocorrer uma maioria absoluta do PS, as coisas simplificam-se para José Sócrates, mas irão complicar-se para a sociedade portuguesa, que irá ser submetida ao recrudescimento do autoritarismo do regime, questão esta que será abordada num próximo artigo.

Se Ehud Olmert fosse engenheiro, safava-se!...




O antigo primeiro ministro de Israel, Ehud Olmert, acusado pelos crimes de corrupção, fraude, abuso de confiança, falsificação de documentos e evasão fiscal, e que foi obrigado a demitir-se do seu cargo, começou hoje a ser julgado num tribunal de Jesuralém, arriscando-se a ser condenado a pena de prisão. Ele já se declarou inocente e diz-se vítima de uma campanha de difamação. O costume!
Se Ehud Olmert fosse engenheiro e com uma boa classificação na disciplina de Inglês Técnico ou, pelo menos, se tivesse tirado o curso, mesmo que por correspondência, na Universidade Independente, que Deus haja, certamente não seria pronunciado. Como nasceu no país errado, ou seja, como não nasceu em Portugal, tem de responder em tribunal, como um vulgar cidadão. O que é chatérrimo!...

Os eleitores deveriam também julgar o perfil moral dos políticos

José Lello, o homem que afrontou a dignidade de Manuel Alegre

António Braga, o obscuro secretário de Estado das Comunidades

O aparelho de Estado está a ser corroído pela corrupção, pelo nepotismo e pelo favoritismo, tendo por agentes os dirigentes do Partido Socialista e do PSD. Há dias apareceu uma denúncia de compra de votos para as eleições da distrital de Lisboa do PSD, em que, eventualmente, se encontram envolvidos António Preto e Maria Helena Costa, ambos a contas com a justiça por outros ilícitos praticados anteriormente, e ambos admitidos na lista de candidatos à Assembleia da República, por aquele partido.
Esquecendo-se que tem telhados de vidro, o PS utilizou este incidente como arma de arremesso, mal sabendo que no fim da campanha lhe iria rebentar nas mãos um caso de contornos semelhantes, mas de maior gravidade, já que aparecem envolvidos um alto dirigente do partido, José Lello, o mesmo que afrontou a dignidade do seu camarada Manuel Alegre, e o obscuro secretário de Estado do governo de José Sócrates, António Braga. Ambos negociaram lugares remunerados pelo Estado em troca de avultados financiamentos ao Partido Socialista, com Licínio Santos, um empresário envolvido na Máfia dos Bingos, que chegou a estar detido no Brasil e que, actualmente, aguarda julgamento em liberdade. Em causa estavam os lugares de cônsul honorário em Cabo Frio, no Brasil, um lugar na administração da empresa de telecomunicações Vivo e o controlo da Águas de Portugal naquela cidade brasileira.
Se o PSD traficou votos, o PS traficou lugares de Estado e lugares de empresas em que tem participações.
O ruído da campanha eleitoral atirou este escândalo do PS para o segundo plano das notícias. E é pena que seja assim, pois, além dos perfis políticos dos candidatos, os portugueses também deveriam avaliar o seu perfil moral, que está de rastos, como se vê.

Notas do meu rodapé: São sempre os mesmos, os que irão pagar a correcção do défice orçamental

Jerónimo de Sousa levantou, neste final de campanha, o problema do défice orçamental, que este ano e nos próximos se vai agravar, devido à crise económica e financeira, ultrapassando o limite de três por cento do PIB, permitido por Bruxelas, por força do Pacto de Estabilidade.
Quer o PS, quer o PSD omitiram o premente assunto dos seus programas eleitorais e dos seus discursos de campanha, optando antes pelas grandes tiradas retóricas, sem substância e sem conteúdo, ou então, derivando o discurso para o TGV, para a asfixia democrática ou para a culpabilização mútua de políticas passadas.
Neste quadro, onde as campanhas se sustentam da mera propaganda e onde falta a informação concreta sobre as políticas a aplicar, os portugueses vão votar sem saberem o que aqueles dois partidos pensam sobre o combate ao défice, situação, intencionalmente criada, para depois, uma vez no poder, invocarem a ausência de um qualquer compromisso pré-eleitoral, que os tenha vinculado.
Em 2005, José Sócrates também nada disse na campanha eleitoral sobre as políticas que veio a aplicar para reduzir o défice deixado por Guterres, Durão Barroso e Santana Lopes. Não informou os portugueses que iria aumentar o IVA, não informou os portugueses que iria congelar o aumento de salários aos funcionários públicos e as pensões aos reformados, não informou os portugueses de que iria cortar despesas na saúde e na educação, prejudicando o desenvolvimento destes dois pilares importantes em qualquer sociedade civilizada, não informou os portugueses de que iria aumentar as taxas moderadoras, principalmente a dos internamentos, que foram gravosas. Além de ter omitido todas estas premeditadas medidas, que recaíram principalmente na classe média e na população mais desfavorecida, José Sócrates ainda se deu ao luxo de encetar um sem número de reformas, cujo objectivo consistiu numa forçada redução da despesa. Esta visão economicista e redutora conduziu a uma desarticulação de alguns serviços públicos, principalmente aqueles, cuja degradação não foi imediatamente percepcionada pela opinião pública. Foi o que aconteceu, para dar um exemplo, nos hospitais, onde o governo travou o ingresso nos quadros daqueles médicos que terminaram a sua especialização, socorrendo-se de médicos tarefeiros, alugados a empresas, e criando, deste modo, um hiato temporal na continuidade da renovação geracional daquelas unidades de saúde, o que, a longo prazo, vai irreversivelmente prejudicar a eficiência dos serviços.
É certo e sabido que este cenário vai reproduzir-se, com mais ou menos variações, na próxima legislatura, quer seja com Sócrates, que já provou ser socialista nos períodos eleitorais e neoliberal no resto do mandato, quer seja com Manuela Ferreira, que sonha ressuscitar o cavaquismo puro e duro.
Os próximos anos vão ser muito duros para os portugueses, melhor, para os portugueses da classe média e para os mais desfavorecidos. Não havendo margem na economia para aumentar impostos (não há coragem de acabar com o privilégio dos bancos, que só pagam 14 por cento de IRC), o futuro governo irá procurar reduzir o défice pelo lado da despesa. E, pela experiência anterior, já se sabe o que vai acontecer.

Mais um golpe baixo do governo de Sócrates contra os jornalistas


Legislar sobre assuntos importantes em fim de legislatura e, para mais, em plena campanha eleitoral, é uma habilidade conhecida do Partido Socialista, que, deste modo, consegue furtar-se ao escrutínio público, não dando tempo aos mais directamente interessados para exprimir as suas opiniões e contrapor as suas propostas.
Foi o que aconteceu agora, em relação aos estágios dos jornalistas, como no passado já acontecera com a aprovação precipitada do licenciamento do Freepot numa área protegida, na última reunião do conselho de ministros do governo Guterres.
O governo, através dos ministros dos Assuntos Parlamentares e o do Trabalho e Solidariedade Social, propôs a alteração da portaria que regulamenta o estágio de início de profissão dos jornalistas, mesmo em cima da data limite para ser aprovada ainda nesta legislatura, não dando tempo para que esta sensível matéria, importantíssima pela sua repercussão na qualificação profissional e na dignificação do trabalho dos estagiários, fosse serenamente discutida. Ignorando as sucessivas propostas do Sindicato dos Jornalistas, a proposta do governo continua a meter no mesmo saco e a não clarificar a diferença entre os estágios curriculares de fim de curso e os estágios de início de profissão, o que vai continuar a proporcionar às empresas a utilização abusiva daqueles estagiários. Aos primeiros, colocando-os a fazer trabalhos jornalísticos, como de jornalistas se tratassem, mas sem qualquer remuneração. Aos segundos, negando-lhes o direito a um contrato de trabalho, que é obrigatório por lei.
Com esta precipitada decisão, o governo presta mais um serviço aos patrões da comunicação social e dá mais um dos seus contributos para a desejada degradação de uma profissão.

É importante o teste democrático...

Todos os candidatos a deputados à Assembleia da República deveriam fazer um RX ao tórax, não vá algum passar disfarçado de democrata.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O melhor exército do mundo!...

Com um exército destes, não haverá nenhum inimigo que resista!

Manuela Ferreira Leite no seu melhor (4)

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Este vídeo, em que Manuela Ferreira Leite expõe as linhas gerais do Programa Eleitoral do PSD, não foi encomendado pelo dirigente do PS, José Junqueiro, que num comício de Viseu a comparou a Salazar.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Manuela Ferreira Leite no seu melhor (3)

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Se esta senhora ganhar as eleições, entro logo na clandestinidade, no dia seguinte!...

Manuela Ferreira Leite no seu melhor (2)

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O programa eleitoral do PSD é complexo, não é simples, e não tem nada, para depois dar para tudo. Não foi escrito em chinês e não foi lido a gaguejar. A senhora já está farta de se ouvir a si própria e eu também já não a posso ouvir. Mas, confesso,tenho pena dela!

Manuela Ferreira Leite no seu melhor (1)

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O discurso é deprimente, os argumentos estão viciados e a conclusão é hilariante. Nem o neoliberal mais empedernido se atreveria, nos dias de hoje, a defender publicamente a tosca tese de Manuela Ferreira Leite.

Quem tem medo dos jornalistas?

É conhecida a aversão endémica que José Sócrates tem pelos jornalistas. Compreende-se por quê! Eles atravessaram-se implacavelmente no seu caminho, perturbando-lhe a cavalgada triunfal no poder e expondo perante a opinião pública o lado obscuro de um passado, marcado por situações confusas e pouco transparentes. O caso dos prédios da Covilhã, o conturbado processo da obtenção da sua licenciatura numa universidade medíocre e sem qualquer credibilidade e, acima de tudo, o caso Freeport arrasaram-lhe o prestígio. E tudo isso foi desencadeado por jornalistas, que com o seu laborioso trabalho de investigação, carrearam as provas suficientes para, no mínimo, dar uma sustentação fundamentada à tese da suspeição, e que José Sócrates rapidamente transformou em tese de conspiração.
Nunca houve em Portugal, a partir do 25 de Abril, um primeiro ministro envolvido em tantas trapalhadas, assim como nunca houve um primeiro ministro, que incriminasse tantos jornalistas. Que me recorde, a nível mundial, e exceptuando os ditadores, poucos são os dirigentes políticos que tivessem apresentado tamanho currículo.
O facto de José Sócrates requerer a reabertura de um processo, contra o jornalista João Miguel Tavares, que já tinha sido arquivado pelo Ministério Público, por falta de fundamentação jurídica, revela bem a sanha persecutória que o anima. Além de todos os epítetos que já lhe atribuíram, pode acrescentar-se-lhe mais um. O de vingativo. E nestas eleições, o lado da moral da política também vai ser avaliado pelos eleitores.